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Mais da metade das rodovias estão em situação regular, ruim ou péssima, diz CNT

Publicado quarta-feira, 04 de novembro de 2015 às 20:27 h | Atualizado em 19/11/2021, 07:06 | Autor: André Borges | Estadão Conteúdo
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As estimativas apontam que R$ 46,8 bilhões foram perdidos em 2014 por causa das deficiências no pavimento das estradas. Além disso, no ano passado, ocorreram 169.153 acidentes rodoviários, com 8.227 vítimas fatais. O custo dos acidentes foi de R$ 12,3 bilhões.

Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que divulgou nesta quarta-feira, 4, os resultados da Pesquisa CNT de Rodovias 2015, os resultados mostram que mais da metade das rodovias brasileiras estão em situação regular, ruim ou péssima, por causa de problemas gerais de pavimentação, sinalização e de traçado da via.

O levantamento, que está em sua 19.ª edição, ultrapassou a marca dos 100 mil quilômetros pesquisados, incluindo os 55 mil km das rodovias federais e os principais trechos de estradas estaduais. Segundo a CNT, há um total de 1,720 milhão de km de vias no Brasil, sendo apenas 12,4% pavimentados. Dos 100 mil km analisados pela instituição, 6,3% estão em péssimo estado, 16,1% em situação ruim e 34,9% em condição regular. Outros 42,7% tiveram classificação como ótimo ou bom.

Quando observada apenas a situação do pavimento, o resultado mostra que 48,6% têm algum tipo de deficiência. Em relação à sinalização, os problemas aparecem em 51,4% da extensão avaliada. Sobre a geometria da via, 77,2% têm condições inadequadas de traçado.

O levantamento revela ainda que 86,5% dos trechos analisados são rodovias simples de mão dupla. Além disso, apenas 60% das malhas têm acostamento. Quanto a curvas perigosas, 42% desses trechos não têm placas de alerta para o motorista. Quando analisadas as condições apenas das rodovias federais, 51,9% estão em condições ruins ou péssimas. "O que nos preocupa é que há trechos de estradas no Brasil que não melhoram nunca", disse Bruno Batista, diretor executivo da CNT.

Os dados apontam que o governo investiu R$ 9 bilhões em seus 55 mil km de rodovias federais, enquanto as concessionárias gastaram R$ 6,9 bilhões em 16,5 mil km. Na média, o poder público injetou R$ 165 mil por quilômetro de rodovia que gerencia, enquanto a média da iniciativa privada foi de R$ 422 mil por km.

Novas concessões

O diretor da CNT, Vander Costa, fez uma defesa pelo aumento de concessões de rodovias. Na avaliação do executivo, na crise econômica atual, trata-se da única alternativa do País para tentar melhorar as condições das estradas federais.

"Concessão de rodovias é o que sobrou. A situação de caixa hoje do governo não permite avançar, se já estamos trabalhando com déficit nas contas. Então, o que sobra é a concessão e o capital privado existe. O que precisa oferecer é segurança jurídica para os projetos", comentou Costa.

No ranking das melhores estradas do País, a melhor ligação rodoviária do Brasil é o trecho que liga as cidades de São Paulo e Limeira, englobando a SP-310, a BR-364 e a SP-348. Todas as dez melhores estradas que aparecem no ranking têm em comum o fato de que são concedidas à iniciativa privada, cobram pedágio e passam pelo Estado de São Paulo.

O pior trecho de estrada do País é a ligação entre os municípios de Marabá e Dom Eliseu, no Pará, a BR-222. Em seguida, aparece a ligação entre Natividade (TO) e Barreiras (BA), formada pelas rodovias BA-460, BR-242, TO-040 e TO-280.

A terceira pior rodovia está no Estado de Goiás, importante produtor de grãos do País. Trata-se da BR-158, entre Jataí e Piranhas.

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