ECONOMIA
McDonalds coloca à venda suas 544 lojas no Brasil
A rede de lanchonetes McDonalds colocou à venda sua operação na América Latina, incluindo Brasil, México e Porto Rico. Estima-se que o negócio possa chegar a US$ 800 milhões (R$ 1,7 bilhão), envolvendo 1.600 lojas e um faturamento de US$ 3,9 bilhões. Apenas no Brasil, a rede americana possui 544 lojas e um faturamento de R$ 2,1 bilhões.
Segundo fontes ligadas ao negócio, alguns fundos de private equity (que compram participações em empresas) - como GP Investimentos, Advent, Fortress, Capital e Accon - foram sondados para apresentar uma oferta. O período de due dilligence (checagem das contas) termina no dia 1º de dezembro. Para o gestor de um desses fundos, o negócio será apreciado com cuidado. Mas terei de ser convencido que vale à pena, disse. Se hoje um investidor estratégico não tem interesse, porque ele terá daqui a cinco anos, quando quisermos sair do negócio.
Com a informação divulgada pelo jornal Valor Econômico de que as operações brasileiras estariam à venda, o McDonalds divulgou uma nota em que diz apenas que planeja implementar um novo modelo de negócios, chamado de Developmental Licensees (licenças para desenvolvimento). O novo modelo será implementado em cerca de 15 a 20 países em todo o mundo nos próximos três anos e envolve 1.500 lojas. Os developmental licensees são um modelo de negócios bem sucedido em muitos de nossos mercados há mais de 20 anos, presente em mais de 30 países, diz a nota.
Porém, esse novo modelo de negócios implica necessariamente na venda da operação. A matriz americana, que ainda possui uma subsidiária no Brasil e na maior parte da América Latina, passará a receber apenas pelos royalties e por contribuições de marketing. Mas a matriz não busca um operador e sim um investidor financeiro.
O novo modelo de licenciamento é o mesmo adotado pelo Burger King no País. No lugar de uma operação controlada pela matriz e pulverizada em dezenas de pequenos franqueados, o novo modelo prevê um investidor controlador e um grupo reduzido de master franqueados.
A rede McDonalds chegou a ter quase 600 lojas no Brasil - das quais 70% estava nas mãos de pequenos franqueados. Mas o modelo mostrou-se um fracasso e a rede, que praticamente não remete lucro à matriz, vivia em pé de guerra com franqueados. Essa disputa acabou chegando aos tribunais. Os franqueados reclamavam de canibalização por parte da matriz, que permitiu a abertura de lojas concorrentes e, principalmente, da exploração por meio de contratos de sublocação. A rede alugava os imóveis dos restaurante e cobrava dos franqueados um valor maior - o que é proibido por lei.
Nos últimos três anos a rede mudou de postura e renegociou os contratos com os franqueados, movimento que levou à aquisição de boa parte das lojas. Esse movimento de venda e mudança no modelo de negócios é mais uma prova de que a operação no Brasil era ineficiente e que nós tínhamos razão na disputa, afirma o ex-presidente da Associação de Franqueados Independentes do McDonalds (Afim), Jacques Rigler.
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