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Mudança de rota no Drex redefine os planos para a moeda digital brasileira

Banco Central retirou o uso da tecnologia blockchain do desenvolvimento e adiou o lançamento para 2026

Venicius Rodrigues*
Por Venicius Rodrigues*
| Atualizada em
A mudança no projeto do Drex, de acordo com o BC, busca simplificar a estrutura do sistema e facilitar a integração com bancos e fintechs
A mudança no projeto do Drex, de acordo com o BC, busca simplificar a estrutura do sistema e facilitar a integração com bancos e fintechs - Foto: © Rafa Neddermeyer | Agência Brasil

O Banco Central alterou o rumo do projeto do Drex, a moeda digital brasileira, e decidiu retirar o uso da tecnologia blockchain da próxima fase de desenvolvimento. Utilizada para registrar e validar transações de forma distribuída e segura, a blockchain fazia parte do conceito inicial da moeda. A mudança, segundo a instituição, busca simplificar a estrutura do sistema e facilitar a integração com bancos e fintechs. Como ajuste, o lançamento, antes previsto para o fim de 2025,ficará para 2026.

A decisão representa uma mudança relevante no desenho original do Drex, que previa operar em rede distribuída, registrar transações, permitir a tokenização(transformar um ativo em versão digital negociável) e executar contratos inteligentes.A nova configuração deve redefinir a forma como amoeda digital será implementada.

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“Se mantivessem o desenvolvimento sobre uma plataforma blockchain neste momento, talvez atrasasse ainda mais a entrega. Algumas soluções, pelo menos neste início, não precisam dessa tecnologia para existir”, afirma Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs).

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Ele avalia que fatiar o lançamento e começar por uma rede distribuída mais simples, com possibilidade de DLT permissionada, dá agilidade ao cronograma e abre espaço para evoluções graduais rumo a modelos mais complexos.

Alterações em projetos de grande porte e alta complexidade são comuns, observa o especialista em finanças João Victorino. Para ele, a retirada do blockchain nesta etapa busca acelerar a implementação sem comprometer o resultado final.

“Se mantivessem a tecnologia agora, talvez não conseguissem atender a todos os requisitos no prazo. Fatiar o cronograma e deixar o registro distribuído para um segundo momento funciona também. Quando o projeto inteiro for entregue, não vai haver tanta perda”, diz o especialista.

Victorino destaca que o Drex tem potencial para reduzir custos de operação, agilizar transações que hoje dependem de vários intermediários e, na prática, baratear o crédito, facilitando o acesso e simplificando processos para o consumidor.

O Banco Inter acompanha o desenvolvimento do Drex desde as fases iniciais e foi selecionado, no segundo estágio do piloto, para implementar casos de uso mais complexos, como recebíveis tokenizados e uma plataforma de trade finance cross-border para liquidações globais.

“Temos um time dedicado às tecnologias emergentes, com foco em blockchain e ativos digitais, preparando nossa infraestrutura, arquitetura de sistemas e capacitação de equipes para operar com o Drex desde o primeiro dia”, afirma Bruno Grossi, gerente de Tecnologias Emergentes do banco digital.

Segundo ele, a nova moeda permitirá criar produtos financeiros mais eficientes e acessíveis, como crédito com liquidação automática, garantias digitais, investimentos tokenizados e soluções integradas ao aplicativo. “A infraestrutura do Drex vai reduzir custos, simplificar processos e ampliar a inclusão financeira, sem substituir ferramentas como Pix ou Open Finance, mas complementando com uma nova camada de inovação e integração entre instituições”, destaca.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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