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16/04/2023 às 7:00 | Autor: Mariana Bamberg

ECONOMIA

Negócios inclusivos que vão além das cotas

Conheça negócios comandados por pessoas com deficiência

Rafael Andrade, deficiente auditivo, sócio da sorveteria il Sordo ao lado de Helen e Giulian também com deficiencia auditiva, fazendo o sinal da marca, il Sordo
Rafael Andrade, deficiente auditivo, sócio da sorveteria il Sordo ao lado de Helen e Giulian também com deficiencia auditiva, fazendo o sinal da marca, il Sordo -

Dois por cento é a reserva legal, garantida pela chamada Lei de Cotas, para profissionais com deficiência em empresas formadas por uma equipe de 100 a 200 empregados. O número vai subindo e chega a no máximo 5% para negócios com mais de 1.000 funcionários. Na rua Marquês de Caravelas, uma das perpendiculares à orla da Barra, em Salvador, uma gelateria desafia as lógicas do mercado e vai além da cota. O nome já dá uma pista, mas os mais desavisados só irão perceber na hora do atendimento. A sorveteria Il Sordo é formada 100% por profissionais com deficiência auditiva. A peculiaridade, difícil de se encontrar no mundo dos negócios, gera curiosidade em quem entra e se depara com um ambiente extremamente silencioso e inclusivo e desperta interesse naqueles que gostam de estudar o mercado.

O empreendedor e professor de libras Rafael Andrade é um dos sócios do negócio. Deficiente auditivo, ele faz logo questão de deixar claro que a sorveteria não é só para pessoas surdas, onde se atende apenas em libras. A comunicação pode ser feita com gestos, escrevendo ou apenas apontando. Mas se o cliente quiser aprender como se usa a língua dos sinais para fazer um pedido mais específico, como um cafezinho ou uma ida ao banheiro, ele pode assistir na televisão da sorveteria os funcionários demonstrando como se faz.

“É uma gelateria inclusiva e diversificada, com uma proposta de atender muito bem, com cortesia e eficácia. E, para isso, não precisamos falar. Temos atenção, empatia e capacidade de entender a todos, superando as dificuldades da língua”, explica o sócio.

A ideia de Rafael surgiu após uma viagem a Aracaju, cidade natal da marca. Em uma visita à sorveteria na capital sergipana, ele se encantou pelo projeto e, como já tinha o desejo de empreender, decidiu abrir uma filial em Salvador, há aproximadamente dois anos.

“O nosso conceito é mostrar para a sociedade que a pessoa surda é capaz e que as barreiras que existem podem ser superadas. Nosso diferencial é dar oportunidade às pessoas surdas de trabalharem em um ambiente onde elas se sintam aceitas sem restrições, onde toda a equipe fala a língua de libras e onde elas têm a oportunidade de mostrar a sua capacidade”, diz Rafael.

Ao todo, são cinco profissionais - todos surdos -, distribuídos entre as áreas de atendimento ao público e produção. Para Rafael e seu sócio, Fábio Nunes, ter uma equipe composta por pessoas com deficiência auditiva representa a força, a coragem e a confiança de expor à sociedade a capacidade dessa parcela da população. O processo seletivo, segundo os proprietários, aconteceu como qualquer outro: com avaliação curricular e entrevista presencial.

Idealizadora da escola de empreendedores Cafeína, Anajúlia Paes acredita que, como um negócio segmentado, a Il Sordo tem grandes vantagens competitivas dentro do mercado, principalmente a médio e longo prazo. O risco, segundo ela, está no início de suas atividades, já que quando se trabalha com um nicho muito específico leva-se mais tempo para encontrar e conquistar seu público. “O que pode ser feito para diminuir essas desvantagens é ter um capital de giro que assegure a marca, para que ela não feche as portas porque precisa de mais tempo para maturar do que outra empresa”, orienta.

Apesar disso, Anajulia acredita que existe também o risco positivo de o negócio acabar se tornando referência ou algo muito maior do que o esperado. Para ela, o sucesso da sorveteria não deve ser só uma onda do momento. “Não acho que negócios inclusivos percam a onda, porque inclusão social não é moda. A única coisa que o empreendedor precisa ficar atento é entender onde o público dele está, para atrair cada vez mais pessoas e fazer com que elas disseminem a marca. Não é um lugar passageiro ou de onda, é um lugar de necessidade”, esclarece a idealizadora da escola Cafeína.

Implementar políticas

Na Consultoria Talento Incluir, profissionais com deficiência fazem parte da equipe e do objetivo do negócio. Além de prestar apoio a essas pessoas na busca por uma vaga no mercado de trabalho, a empresa oferece soluções para os negócios que desejam implementar políticas de inclusão e contratá-los.

Katya Hemelrijk hoje é CEO da Consultoria Talento Incluir, mas já foi também líder de comunicação do grupo Natura durante 12 anos. Para ela, uma mulher com deficiência física, que nasceu com a Osteogênese Imperfeita - doença nos ossos - , o maior desafio enfrentado pelas empresas e por esses profissionais é a desconstrução do capacitismo.

“Temos um capacitismo estrutural na nossa sociedade, que começa, muitas vezes, dentro de casa. As empresas precisam enxergar estes profissionais, desenvolvê-los e acreditar que sim é possível termos pessoas com deficiência espalhadas e atuando com efetividade em todas as áreas da empresa e em todos os níveis de responsabilidade. E as pessoas com deficiência precisam passar a acreditar no seu potencial, buscar seu protagonismo e se posicionar”, afirma.

No Grupo Talento Incluir, 25% dos profissionais têm alguma deficiência, o que, segundo Katya, faz toda diferença nas entregas das equipes. “No nosso caso, eles acabam sendo uma referência para as empresas que nos buscam, mostram que sim é possível ter pessoas com deficiência competentes, exercendo suas funções com autonomia e independência”, diz a CEO.

Entre as soluções oferecidas pela consultoria, estão a avaliação de práticas atuais da empresa e a sugestão de melhorias para que ela se torne mais inclusiva, além da seleção de candidatos com deficiência e da capacitação e treinamento de colaboradores.

Para Katya, desde que a lei de cotas foi estabelecida, houve um movimento crescente nas contratações, mas ainda está muito longe do ideal. De acordo com ela, a maioria das empresas que buscam a Talento Incluir desejam apenas cumprir a lei.

“Hoje falamos e vemos iniciativas de mulheres em cargos de liderança, de pessoas negras em cargos de liderança, mas ainda não vemos o de pessoas com deficiência nestas posições. Já avançamos muito, mas ainda temos uma jornada pela frente”, afirma.

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