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FINANÇAS

Polo de investidores: mais de 240 mil baianos já investem na Bolsa de Valores

Avanço de 23% no estado segue expansão nacional de quase 5,5 milhões de investidores

Venicius Rodrigues*
Por Venicius Rodrigues*

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Bolsa de Valores
Bolsa de Valores - Foto: Reprodução

O número de baianos que investem na Bolsa de Valores segue em crescimento e reforça a ampliação do acesso ao mercado financeiro no estado.

A Bahia chegou a 240.283 contas ativas na B3, alta de 23% em relação a 2024, quando eram 194.793 investidores. O avanço acompanha o movimento nacional de expansão da renda variável, que reúne quase 5,5 milhões de investidores pessoa física no país e R$ 635 bilhões em custódia, segundo a B3.

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Nesse cenário, a entrada de novos investidores também amplia o debate sobre educação financeira, planejamento e cuidados antes de sair da poupança ou aplicar recursos em produtos de maior risco.

O crescimento indica uma mudança no comportamento financeiro da população, especialmente diante da maior oferta de plataformas digitais e do acesso facilitado a diferentes produtos.

Na avaliação de Larissa Falcão, sócia e líder da XP no Norte e Nordeste, o avanço mostra que a Bahia vem ganhando espaço no mercado financeiro nacional e que mais pessoas têm buscado alternativas à poupança.

“Esse salto representa um crescimento de 23% em dois anos, o que indica que a Bahia se consolidou como um dos polos emergentes de investidores no Brasil”, afirma.

Organização financeira

Apesar da expansão, a entrada no mercado exige cautela para que a busca por rentabilidade não aconteça sem planejamento.

Larissa avalia que a democratização dos investimentos é positiva, mas pode trazer riscos quando não está acompanhada de estratégia, conhecimento e clareza de objetivos.

Antes de escolher produtos mais sofisticados, o investidor precisa entender sua realidade financeira e definir metas.

“O maior risco para o investidor não está na volatilidade natural dos mercados, os inevitáveis altos e baixos, mas na ausência de um plano consistente que oriente suas decisões ao longo do tempo”, explica.

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Esse cuidado começa pela organização da vida financeira. Antes de diversificar a carteira ou buscar produtos com maior rentabilidade, o investidor iniciante precisa construir uma reserva de emergência, equivalente a três a seis meses do custo de vida, aplicada em produtos de alta liquidez e baixo risco.

Essa etapa ajuda a evitar que imprevistos comprometam objetivos de médio e longo prazo. Também é importante conhecer o próprio perfil de risco e compreender as características dos produtos escolhidos antes de aplicar o dinheiro.

Para o planejador financeiro Gabriel Pellicano, o aumento no número de investidores revela uma mudança na forma como os brasileiros lidam com o dinheiro.

O acesso à informação e às plataformas digitais ajudou a aproximar a população de um universo que, por muito tempo, parecia restrito a pessoas de maior renda.

“Com o advento da internet e a democratização do conhecimento financeiro, as pessoas começaram a entender que investir é, sim, para todo mundo”, afirma.

A facilidade de investir pelo celular, no entanto, também exige atenção. Gabriel destaca que o acesso rápido aos produtos financeiros não deve substituir a compreensão sobre riscos, prazos e objetivos de cada aplicação.

“A facilidade de dar um clique não pode substituir a necessidade de compreender os riscos e os benefícios daquela operação”, alerta. Entre os erros mais comuns dos iniciantes está aplicar dinheiro apenas com base em opiniões de terceiros, sem avaliar se aquele investimento faz sentido para a própria realidade. “Copiar a carteira do vizinho é um atalho perigoso”, completa.

O planejador financeiro Victor Castelo pondera que o avanço dos investimentos não significa, necessariamente, uma relação mais saudável com o dinheiro. Para ele, o crescimento da inadimplência no país mostra que parte da população segue enfrentando dificuldades para organizar o orçamento antes mesmo de começar a investir.

O aumento no número de investidores, nesse sentido, também pode estar relacionado à ampliação do acesso por aplicativos, à melhora da experiência nas plataformas digitais e ao trabalho de divulgação das corretoras, que passaram a alcançar públicos que antes tinham recursos disponíveis, mas não investiam.

Victor defende que, antes de buscar produtos mais rentáveis, o investidor precisa entender seus próprios objetivos e evitar decisões tomadas por impulso ou por influência de terceiros.

Quem não tem orientação ou planejamento deve priorizar alternativas mais simples, de alta liquidez e baixo risco, especialmente para formar a reserva de emergência.

“Ninguém sem orientação isenta ou planejamento deveria investir em um produto que não se sente seguro para explicar para alguém próximo”, alerta.

*SOB SUPERVISÃO DA EDITORA CASSANDRA BARTELÓ

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