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ECONOMIA

Saiba se preços na Páscoa mudam com suspensão da importação do cacau

Medida anunciada em janeiro suspendeu a importação devido ao risco fitossanitário

Luiza Nascimento

Por Luiza Nascimento

04/03/2026 - 8:02 h

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A suspensão temporária das importações de amêndoas de cacau da República da Costa do Marfim não deve influenciar o preço do chocolate nesta Páscoa. Especialistas ouvidos pelo Portal A TARDE afirmam que os produtos comercializados durante o período, em grande parte, já foram fabricados com matéria-prima adquirida meses atrás.

A medida, anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária após articulação do Governo da Bahia, foi motivada por risco fitossanitário e atende a demandas de produtores baianos, que sofrem com a queda do preço do produto.

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Pensando em entender o cenário e averiguar se os derivados do cacau serão impactados, a reportagem conversou com produtores, chocolateiros, economistas e especialistas de mercado, para entender os impactos da decisão, sobretudo em relação ao período pascal.

De acordo com o chocolateiro Paulo Gonçalves, a queda do preço do cacau, o chocolate não será atingido, devido aos danos das últimas safras.

"As indústrias chocolateiras tiveram prejuízo nos últimos anos devido à alta do cacau: não conseguiram repassar [o preço], outros insumos subiram muito, como embalagem etc. A queda do cacau começou em novembro e os produtos são comprados seis meses antes de 2025 e ainda estão com preço de cacau caro", explicou.

No entanto, a tendência é de que os preços não se elevem, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em conversa com a reportagem, Antonio Carvalho, consultor e professor de Economia e Finanças, explicou que os ovos de Páscoa e chocolates têm seus preços fixados.

"Por aproveitamento do aumento da demanda, o período já tem seus preços naturalmente caros. Assim, elevar ainda mais os preços, poderá gerar rejeição dos consumidores e o encalhe dos produtos", pontuou o economista.

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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pertencente a uma família produtora de cacau desde o século XIX, na região de Itacaré, no Vale do Rio de Contas, Cleber Isaac é coordenador de Comunicação do SOS Cacau Brasil, projeto que une profissionais da área para pensar ações estratégicas para o setor. Segundo ele, o preço do cacau representa 3% de uma barra de chocolate.

"O custo do cacau em uma barra de R$ 12 é R$ 0,80. O preço do cacau está o mesmo de 2015: R$ 150 reais a arroba", explicou.

Por isso, o consumidor deve estar atento à tentativa de barateamento, mediante utilização de produtos que contém sucedâneos da manteiga de cacau, como óleo de dendê, óleo de girassol. Desta forma, o produtor de cacau Paulo Peixinho alerta aos rótulos.

  • Produtos de cacau: aqueles que seguem a legislação com 25% de cacau;
  • Achocolatados: produtos e confeitos que levam um pouco de cacau;
  • Sabor chocolate: produtos que imitam chocolates, com baixa porcentagem de cacau.
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| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Entenda impactos da suspensão da importação de cacau da Costa do Marfim

A suspensão temporária das importações de amêndoas de cacau da República da Costa do Marfim foram anunciadas na última semana.

Com forte influência das demandas de produtores baianos, a suspensão foi motivada, sobretudo, pelo risco fitossanitário associado ao elevado fluxo de grão vindos de países vizinhos para o território marfinense, resultando na mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil.

A ação contou com uma articulação coletiva, coordenada pelo Governo da Bahia, que manteve diálogo permanente com o Governo Federal, e envolveu outros segmentos como:

  • Setor produtivo;
  • Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA);
  • Congresso Nacional;
  • Ministério da Agricultura e de outros órgãos estratégicos.

Cenário econômico

Segundo Cleber Isaac, do SOS Cacau Brasil, o setor tem visto a mudança de forma favorável, pois pode impactar positivamente os produtores brasileiros.

"A suspensão é positiva e a gente tem que provar isso. Ela não é definitiva, mas espero que se torne, porque o Brasil já é autosuficiente em cacau, ou então se criem regras mais justas", pontuou.

Ele afirma ainda que, além dessas problemáticas, há inúmeras situações que contribuem para o barateamento do cacau, como possível formação de cartel, exportação ilegal da película do produto, substituição da manteiga por gordura vegetal hidrogenada, entre outros. Todos esses fatores estariam contribuindo para o cacau estar sendo comercializado com o mesmo valor que em 2015.

"Os estoques estão cheios, repletos de cacau, todas as moageiras estão cheias, os navios que chegaram agora dão pra rodar seis meses de cacau. Não tem chance de aumentar o preço do cacau", garantiu.

Do ponto de vista econômico, o economista Antonio Carvalho diz que o preço internacional do produto está muito baixo e, por se tratar de uma Commoditie, os efeitos da regulação e das especulações do mercado são inevitáveis.

"Sendo o Brasil grande produtor de cacau, a redução da importação resultará no redirecionamento da produção nacional para o mercado interno para suprir o déficit que a ausência do produto vindo da Costa do Marfim, e essa medida poderá resultar na correção do preço, já que as transações serão nacionais, reduzindo assim as perdas para os nossos produtores", afirmou.

Mercado prevê retração na venda de ovos em função do preço elevado do cacau.
Mercado prevê retração na venda de ovos em função do preço elevado do cacau. | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Mercado internacional

Em relação aos impactos financeiros, Antonio defende que a suspensão da importação de um produto fere princípios comerciais e leis internacionais de reciprocidade. No entanto, deixar de importar um produto que possui produção própria no Brasil, é uma medida que agrada produtores e distribuidores nacionais, pois evita concorrência de produtos estrangeiros.

"O impacto financeiro imediato para o Brasil e para a Bahia, que é 2º maior produtor do país, ficando atrás apenas do Estado do Pará, é a possível elevação do preço com o aumento das vendas para a indústria nacional e o segundo impacto positivo é o estímulo ao crescimento da produção pela recuperação da atratividade e da rentabilidade da cultura", disse.

Em relação ao cenário externo, o caso tem sido visto de forma diferente por Paulo Torres. Morador de Londres desde 1968, ele começou a trabalhar com mercado de cacau na Bahia em 1977 e se tornou especialista em mercado de internacional de cacau.

"Acho que trading é tem que ser livre. Não adianta querer proteger. O cacau que vem de África é mais caro, chega aqui mais caro do que o cacau que se compra aqui. Então, não vejo relação", disparou.

Paulo Torres acredita que a economia é o fator secundário da suspensão, e que a atenção maior tem que ser o risco fitossanitário.

"Você trazer cacau de África, que tem uma doença que se chama broto inchado, para cá, por meio da área de plantinho de cacau. É muito perigoso. Carrega um navio de cacau da Bahia, onde tem vassoura, e pede permissão para eles embarcar em África, na Costa do Marfim e Gana pra ver se consegue. Então, é a mesma coisa ao contrário", explicou.

Como está a situação?

O Ministério da Agricultura pediu à Costa do Marfim garantias da rastreabilidade do cacau exportado ao Brasil. Em ofício enviado ao governo do país africano, a Pasta solicita informações sobre as medidas para evitar a triangulação de amêndoas de outras origens, mas não citou expressamente a possível reabertura de mercado caso as ações sejam implementadas.

O documento foi enviado pela diretora do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Edilene Cambraia Soares, na quinta-feira, 26, a Koko Aman, responsável pela defesa vegetal no ministério da Costa do Marfim.

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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Tags:

chocolate economia importação de cacau mercado internacional páscoa preços do chocolate

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