EDUCAÇÃO
Apenas 1 em cada 4 matriculados em programas de mestrado no Brasil é negro

Em média, um em cada quatro matriculados em programas de mestrado e de doutorado é negro. Em áreas como medicina, a participação dos negros cai para um em cada dez cientistas em formação. As informações raciais foram tabuladas pela Folha de S.Paulo a partir de uma base de dados abertos de 2018 da Capes, agência do MEC voltada à pós-graduação no país. Nos cálculos foram considerados apenas os alunos de pós-graduação do país que informaram a cor da pele –o que é feito de maneira autodeclarada.
Os dados mostram que em algumas áreas da saúde (como odontologia e medicina), em direito, engenharias e em arquitetura –consideradas "de elite"– a participação dos negros entre pós-graduandos despenca.
Em junho deste ano, o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, revogou a portaria de maio de 2016, em que previa que universidades federais criassem sistemas de reserva de vagas para alunos negros, indígenas e pessoas com deficiência nos mestrados e doutorados.
Cientistas em formação que se declaram especificamente pretos desaparecem ainda mais nas estatísticas nacionais. Em odonto e medicina, menos de 2% dos pós-graduandos são pretos. É a menor taxa nacional.
Na área de antropologia, quase 18% dos pesquisadores do país na pós-graduação são especificamente pretos, isto é, um recorde nacional. Na sequência, serviço social –já com menos de 13,6% de pretos dentre os cientistas em formação nesta área.
Enquanto no Norte 61,2% dos pós-granduandos são negros (o que representa cerca de 4.000 alunos), no Sudeste os negros são apenas 21,2% dos matriculados (11,6 mil alunos ao todo), sendo que na última região citada são onde os programas estão concentrados.
Como os dados de raça passaram a ser coletados somente em 2017 pela Capes, não é possível realizar uma análise sobre a evolução racial na pós-graduação no país.
Embora tenha aumento na taxa de estudantes negros (pretos e pardos) no período de 2010 a 2020 na universidade, passando de 75 para 168 (um alta de 124%), o número ainda representa um quinto do total de pós-graduandos. Entretanto, o número de pesquisadores de pós-doutorado negros representa ainda 11,4% do total.
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