EDUCAÇÃO
Cerca de 70% dos educadores não têm autores negros na grade curricular
Pesquisa aponta que 98% dos entrevistados acham importante debater sobre racismo em sala de aula

Mesmo que a discussão sobre racismo em sala de aula seja considerada importante para 98% dos educadores, apenas três em cada dez reconhecem algum autor negro que está sendo trabalhado em sua grade curricular. O cenário foi apontado por uma pesquisa desenvolvida pela Associação Nova Escola, que é uma organização de impacto social sem fins lucrativos.
Ainda segundo a pesquisa, 85% dos entrevistados alegaram ter conhecimento da existência de uma lei que exige a inclusão do ensino de história e cultura afro-brasileira. No entanto, 6 em cada 10 não sabem ou afirmam que não há investimento em ações para esse tema nas escolas onde trabalham. O mesmo índice aponta que não há referência da pedagogia africana ou afro-brasileira em sua prática escolar.
A partir dessa perspectiva, somente 2 em cada 10 profissionais citaram referências de autores negros usados em sala de aula. Entre os nomes aparecem: Machado de Assis, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Milton Santos e Djamila Ribeiro. Quanto às referências africanas ou afro-brasileiras, apenas 10% responderam que o conteúdo faz parte do conteúdo escolar. Dessa vez, Djamila Ribeiro encabeça essa lista, junto com importantes nomes internacionais, como a norte-americana Bell Hooks, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e o sul-africano Nelson Mandela.
De acordo com Simone Reis, Gerente de Gente & Gestão e Diversidade da Nova Escola, os autores negros e a história africana e afro-brasileira precisam ser trabalhados nas escolas para reforçar a representatividade e auxiliar no combate ao racismo.
"A escola pode ser um dos piores lugares para as crianças negras, que aprendem sobre história vendo os negros chegando ao Brasil infelizes, como escravos, apenas para servir aos brancos. Mas essa não é a história completa dos povos negros, a representatividade precisa ser contada também de forma positiva para que as crianças se sintam confortáveis com a sua identidade, valorizando as nuances, especificidades e potências dos negros", completa.
O estudo contou com a participação de 1.854 professores através de um formulário online. Dos entrevistados, 945 se identificaram como brancos, 608 como pardos, 268 como pretos, 25 como amarelos e 11 como indígenas. Além disso, 78,37% dos educadores que responderam ao estudo são do sexo feminino; 21,2% masculino. O levantamento ouviu, majoritariamente, profissionais da Rede Pública de ensino, que corresponde a mais de 85% dos respondentes. Os outros 20,96% são da rede privada. A maioria são professores (71%), em seguida coordenadores (11%) e diretores (4%).
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