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“Nenhum retorno se dará sem debate”, diz nova reitora da Uneb

Publicado às | Atualizado em 14/10/2021, 23:40 | Autor: Osvaldo Lyra
Adriana Marmori, nova reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) | Foto: Divulgação
Adriana Marmori, nova reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) | Foto: Divulgação -
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Eleita com quase 40% dos votos, a nova reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Adriana Marmori, tem inúmeros desafios pela frente. Talvez o maior deles seja planejar o retorno presencial das atividades na instituição, “tanto na graduação, pesquisa, pós-graduação e na extensão”. Nessa primeira entrevista concedida após a eleição, exclusiva ao A TARDE, Adriana fala que nenhum “retorno se dará sem amplo debate e sem um planejamento estratégico”. E dispara que “falta prioridade do governo federal com a pauta educacional” do país.

Reitora, como a senhora viu o resultado das urnas e que desafios terá à frente da UNEB a partir de agora?

Estou muito feliz, assim como a nossa candidata a vice, eleita, professora Dayse Lago, e todo o grupo que nos acompanhou durante esse período. Eu avalio que foi uma eleição legítima, uma disputa bastante respeitosa, com um debate em alto nível, pensando a nossa Universidade do Estado da Bahia, refletindo sobre os rumos desta instituição. E as pessoas que foram às urnas, a comunidade acadêmica, estudantes, técnicos e docentes expressaram o desejo para esse projeto de gestão que foi aprovado.

Pela primeira vez, duas mulheres assumem o comando da UNEB. Que diagnóstico a senhora faz hoje da instituição e quais serão os maiores desafios de vocês?

Nós temos grandes desafios. Primeiro, porque trata-se de uma universidade pública, uma autarquia vinculada à Secretaria de Educação. Nós temos durante todo o processo da gestão do reitor José Bites uma expansão da pós-graduação, e um grande desafio agora é continuarmos essa expansão. Porque nós temos ciência de que vários territórios de identidade ainda não têm implantado mestrados, doutorados. Como também nós teremos que manter um amplo diálogo com a comunidade acadêmica e com a comunidade externa porque a nossa universidade é estratégica para o desenvolvimento do estado, por ser multicampi. E aí esse diálogo precisa ser efetivado de uma forma mais dinâmica, buscando parcerias com os municípios. E teremos também o grande desafio que é planejar o retorno presencial das atividades de graduação, de pesquisa e pós-graduação e de extensão. Porque nós estamos trabalhando com atividades remotas, algumas atividades foram autorizadas pelo Comitê de Biossegurança, como é o caso de pesquisas e algumas atividades de laboratório, mas nós teremos sim que ter toda a infraestrutura garantida para o retorno totalmente presencial das nossas atividades. Esse eu diria que é um dos grandes desafios. Outro desafio é buscar que os direitos dos trabalhadores da educação, os técnicos administrativos e os nossos docentes, possam ter as garantias de direitos trabalhistas, as garantias de ampliação de carga horária, de promoções, progressões. Então são questões que a gente deve pautar um diálogo, uma negociação com o Governo do Estado.

A UNEB está presente em 26 municípios, com 32 departamentos. Como a senhora avalia o impacto da pandemia e a retomada do modelo presencial?

Eu vejo que por ser uma universidade multicampi, em 26 municípios, além dos municípios que são atendidos pelos programas especiais, a exemplo da Plataforma Freire, dos cursos na modalidade a distância, nós chegamos a aproximadamente 40 municípios. E cada cidade tem a sua especificidade do ponto de vista sanitário, do ponto de vista do avanço da Covid-19 nesses lugares. Isso tudo precisa ser muito bem avaliado. Qualquer decisão da nossa universidade a ser tomada será amplamente dialogada, discutida, no âmbito dos conselhos superiores da nossa universidade, que é quem define esse retorno. Então nós temos também a experiência positiva das atividades remotas, realizadas com a mediação tecnológica, e eu creio que isso é algo que vai perdurar em várias práticas docentes, inovações pedagógicas e que a gente vai considerar também. De fato, nenhum retorno se dará sem esse amplo debate, sem esse planejamento estratégico, considerando todas as regiões onde a UNEB está inserida.

É possível falar em uma data, um prazo, quando os alunos vão poder voltar ao presencial?

A nossa universidade já aprovou o calendário até o final do semestre de 2021.2, sendo ele em atividades remotas. Até o final do ano, que é quando se encerra essa gestão, nós estaremos sim dialogando, discutindo e planejando de forma gradativa as atividades de 2022. Todos os protocolos que serão orientados pelo Comitê de Biossegurança serão seguidos para que as atividades presenciais sejam realmente realizadas com segurança. Porque mesmo que a pandemia tenha cessado, os cuidados deverão permanecer, até porque a gente tem consciência de outras cepas que vêm aparecendo, e a universidade é esse espaço de produção de saber, ela tem que valorizar esses saberes que são produzidos, sobretudo a ciência.

Quais as demandas mais urgentes das universidades estaduais da Bahia?

De alguma forma as universidades estão articuladas, há um trabalho sendo feito nesse sentido. Existe um fórum de reitores que se reúne, que discute as políticas interinstitucionais, mas cada universidade tem a sua autonomia para que os seus conselhos se debrucem, avaliem as suas demandas, pautas, e definam a sua forma de gestão. É lógico que as quatro estaduais têm um amplo diálogo sobre a situação das universidades, sobretudo investimentos, que precisa de um amplo investimento para compra de equipamentos, para custeio e melhoria das condições para que os nossos estudantes retornem.

A preparação para o retorno esbarra numa pauta sensível que é a destinação de verbas, que atinge todas as universidades, sejam elas estaduais ou federais. De que forma a senhora pretende lidar com esse assunto e buscar diálogo com o Governo Estadual para atender às demandas da universidade?

O nosso orçamento para 2022 já foi encaminhado, vamos aguardar que ele seja aprovado na íntegra. Estaremos dialogando com o governo para a garantia de que esse orçamento aprovado seja de fato repassado, que não haja contingenciamento e que a gente possa cumprir com a nossa missão institucional, com o nosso compromisso enquanto universidade pública, com a graduação, com a pós-graduação, com a extensão universitária, para que a gente de fato se estabeleça. O cenário aponta para essa questão de recursos com contingenciamento, com cortes. Mas nós precisamos buscar também alternativas de parcerias, sejam parcerias com municípios, sejam parcerias com outras organizações que possam fomentar a continuidade das nossas atividades. De fato, que a gente sempre estará defendendo a universidade enquanto instituição pública, gratuita. Então essas parcerias poderiam ser realizadas para atividades de pesquisa e extensão.

Falta prioridade no Governo Federal com a pauta educacional no Brasil?

Sim, falta prioridade no Governo Federal com a pauta educacional. Me refiro a prioridade em relação ao todo: aos programas de formação de pessoas, ao financiamento da educação, às articulações de grande impacto educativo dentro do nosso país, e a valorização dos docentes. A gente parte do princípio que se não temos a valorização docente, a educação não funciona. Além de toda a cadeia que trabalha no âmbito do sistema educativo. Os técnicos, as merendeiras, os porteiros. Então educação precisa ser vista como a mola mestra da sociedade do ponto de vista da sua essência. E quais são os países que mais são desenvolvidos e que têm de fato a qualidade de vida? Aqueles que tiveram a educação como prioridade e grandes investimentos.

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