Black Friday é época de elevar negócios e fidelizar os clientes

Publicado domingo, 20 de outubro de 2019 às 13:55 h | Atualizado em 20/10/2019, 14:44 | Autor: Mariana Bamberg* | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

A última Black Friday foi, para a empresa de Bárbara Mangueira – a Villa Real, a porta de entrada para o mercado. Até então sem um ponto físico, a loja de locação de decoração para festas conseguiu, com as ações de desconto da data, uma carteira de clientes suficiente para um mês depois inaugurar o ponto físico. Assim como foi para Bárbara, a data pode ser uma oportunidade não só para vendas, mas para alavancar o negócio. Basta organização e planejamento.

O coordenador de comércio de serviço do Sebrae Bahia, Ítalo Guanais, não tem dúvidas: a Black Friday é momento para fidelizar clientes, fazer com que eles voltem após a data. Mas, independentemente do objetivo da empresa, para qualquer tipo de ação promocional é preciso um planejamento com antecedência.

“O ideal é que comece a se planejar com dois ou três meses de antecedência, para que haja tempo de acessar uma linha de crédito, se preciso, comprar determinados produtos e, principalmente, para tentar negociar com o fornecedor uma condição que permita a promoção sem grande perda no lucro”, explica Guanais.

Desconto e atendimento

Bárbara, por exemplo, já está se planejando: já definiu o desconto que fornecerá e pretende contratar mais um funcionário para ajudar durante a promoção, que vai durar uma semana. “Não adianta desconto se não vamos conseguir atender bem”.

Para o coordenador do Sebrae, Bárbara está no caminho certo. O atendimento pode ser um diferencial. “Hoje o preço não é fator unicamente determinante para a compra”. Por isso, a orientação de Guanais é que os empreendedores preparem a loja e treinem a equipe para esse momento, prevenindo-se de um atendimento demorado e desconcertado.

Para facilitar o atendimento, Bruna Amora, dona da loja de roupas femininas Amora Rosa, tem uma estratégia já definida. Ela deixará todas as peças da loja custando entre R$ 15 e R$ 60, com descontos que chegarão a 60%. A promoção, para ela, é uma forma de tornar o atendimento mais prático, em um momento que espera-se grande fluxo. Mas isso não é suficiente, Bruna garante que ela e o marido, que ajuda na loja, já vão preparados para um dia de trabalho anormal, “mais corrido”.

Além de um bom atendimento, para Bruna, o segredo é a divulgação. Ela, que utiliza as redes sociais como principal ferramenta de comunicação de seu negócio, conta que começará a anunciar a promoção 15 dias antes da sexta-feira das promoções. “Isso é fundamental, principalmente para quem está em um local mais escondido, como eu”.

Para quem não pode colocar a loja toda em promoção, como Bruna, a dica de Guanais é escolher os produtos que têm pouca saída ou os carros-chefe, neste caso, de acordo com o coordenador, o empreendedor vai perder a margem de lucro por peça, mas ganhará na escala de venda.

Quem, assim como Bárbara e Bruna, usa a Black Friday para tornar a empresa mais conhecida e aumentar a carteira de clientes é Jane Sampaio, dona do salão de beleza Maison 55, na Pituba. A estratégia da empresária é oferecer descontos para o cliente que levar um novo cliente – o que ela chama de casadinha – e promoções do tipo “leve 3 e pague 2” nos produtos.

Jane revela que já chegou a vender produtos praticamente a preço de custo para atrair clientes à sua loja. Mas Guanais orienta que os empresários que não consigam viabilizar grandes descontos ofereçam serviços agregados ao produto.

“Por exemplo, ofereça uma hidratação gratuita para quem comprar uma linha de xampu. Outra estratégia é fazer promoções exclusivas para clientes fiéis. É uma forma de agregar valor à marca e fidelizar ainda mais esses clientes. É importante fazer com que o cliente volte após a data. Dê um desconto agora para compra de Natal, isso já condiciona uma compra futura. Hoje o diferencial de um negócio é relacionamento com o cliente”, aconselha Guanais.

A principal dificuldade, tanto para Bárbara e Bruna quanto para Jane, é a desconfiança do cliente. Para superar isso, Guanais aconselha que o empresário faça uma análise dos preços anteriores.

“O cliente precisa enxergar que há um desconto real. A comparação evita erros e a impressão de que o preço aumentou na véspera para que com o desconto voltasse ao preço normal. Também é importante detalhar os produtos para que não haja mal-entendido ou frustração”, orienta.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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