EMPREGOS & NEGÓCIOS
Juros mais baixos favorecem a contratação de crédito

Por Clarissa Borges

Juros menores, prazos cada vez maiores e bancos menos exigentes em relação às garantias para o crédito. A situação nunca foi tão favorável para as micro e pequenas empresas brasileiras que precisam de dinheiro para crescer ou se manter competitivas. A afirmação é do economista Miguel Ribeiro Oliveira, autor de um estudo sobre a evolução do crédito no Brasil entre 2002 e 2012. A mais recente boa notícia para o setor é redução dos juros anunciada na última semana pela presidente Dilma Roussef, de 8% para 5% ao ano, nas operações do programa de microcrédito Crescer, do governo federal.
O volume de crédito para as empresas cresceu 500% no período do estudo. "Se antes os pequenos empresários precisavam implorar aos gerentes pelo crédito, hoje é o banco que vai bater na porta deles". E o cenário ainda deve melhorar. "A tendência continua sendo de redução de juros", afirma. O acesso aos financiamentos também está mais fácil. Pelo Crescer, o empreendedor pode acessar os recursos nos bancos públicos (do Brasil, Caixa Econômica, do Nordeste e da Amazônia). O crédito, destinado a capital de giro ou investimento, pode chegar a R$ 15 mil e deve estar vinculado a atividades produtivas.
Em 2012, o Programa Crescer teve aumento de 62,57% em oferta de crédito comparado com 2011. Direcionado a pessoas físicas, empreendedores individuais (PF) ou empresas com renda bruta anual de até R$ 120 mil, o programa é uma das formas de inclusão no sistema financeiro e simplificar o acesso. Além do Crescer, diversas linhas vêm sendo criadas pelos bancos só para as MPEs.
Facilidades - A designer de bolos Cristiane Amorim acaba de constatar o cenário fértil para o crédito. Ela recorreu a um financiamento para a compra de equipamento industrial. O dinheiro extra veio em boa hora para atender à demanda gerada pela propaganda. "Coloquei algumas fotos dos meus bolos na internet e de repente comecei a receber muitos pedidos", diz. Com o produto da Cris Amorim Cake Designer na rede, fogão, freezer e batedeira comuns, usados na atividade doméstica, já não dão conta do negócio.
A saída foi recorrer ao crédito pré-aprovado no Banco do Brasil, onde já tinha conta corrente. "Sempre tive o pé atrás com empréstimo e financiamento, mas agora perdi o medo e resolvi pegar, por causa do aumento da demanda", explica. Como tinha acabado de abrir uma conta como pessoa jurídica, Cristiane já tinha um valor à disposição e aceitou a oferta do banco. Por se tratar de um valor baixo, a empreendedora já sabe que poderá pagar o financiamento com o rendimento das vendas, ainda que não mantenha o aumento da demanda.
Segundo Adriana Pereira, analista da Unidade de Acesso a Mercados e Serviços Financeiros do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a oferta de crédito para os pequenos empresários deve deixar de ser um problema em curto prazo. "Há, sim, muita disponibilidade de recursos, além de exigências do Banco Central que protegem os clientes e os financiadores devem cumprir", ressalta.
Conforme a analista, vale a pena lançar mão do crédito quando não há recurso próprio, seja para iniciar o negócio, ampliar a produção, reformar ou adquirir capita de giro. Mas, recomenda, é preciso atentar para algumas condições do financiamento e, principalmente, para a gestão.
Uma das principais dificuldades relatadas no relacionamento com o Sebrae é determinar quanto vai precisar, e isso depende de um bom controle financeiro da empresa. "É importante não se endividar demais, nem pegar menos do que vai permitir que ele faça o planejado", explica.
Por isso é importante ter um plano de negócio, de ação ou de expansão, a depender do destino que terá o recurso. Outra dica é saber calcular o custo final do empréstimo para conseguir fazer uma comparação entre propostas. "Quando for pleitear o empréstimo, o empreendedor deve pedir ao gerente o custo efetivo total, que engloba todos os custos adicionais além da taxa de juros pura", observa.
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