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Maioria dos jovens ainda tem dúvidas sobre carreira

Publicado domingo, 30 de junho de 2019 às 11:52 h | Atualizado em 30/06/2019, 11:56 | Autor: Mariana Bamberg | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE
Matheus Teles teve dúvida em relação a farmácia e hoje faz publicidade
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Alessandro Xavier, com 19 anos, acabou de sair do ensino médio, e Matheus Teles, de 21 anos, está na faculdade. Os dois jovens têm algo em comum, além da pouca idade: não sabem ao certo que carreira escolher. Junto com eles estão também outros jovens indecisos. De acordo com uma pesquisa realizada, durante a Expo CIEE 2019, pelo CPS (Cedaspy Professional School) – rede de escolas de capacitação e profissionalização –, 60% dos jovens ainda têm dúvida quanto ao futuro profissional.

Alessandro pretende se matricular em um curso pré-vestibular. Pedagogia, gestão ambiental e relações públicas são suas opções. Já Matheus está no quinto semestre de publicidade e propaganda. Mas esse não é o seu primeiro curso e ainda não tem certeza se é o ideal para ele.

Matheus conta que, enquanto alguns colegas sempre tiveram certeza da profissão a seguir, essa dúvida o acompanha desde o período escolar. "Eu me identificava com várias matérias diferentes". Mas o jovem buscou a resposta. Pesquisou grades curriculares, fez testes vocacionais, conversou com professores, até que encontrou o curso ideal: farmácia. Dois semestres depois, a escolha não parecia tão acertada assim.

60%

De acordo com a psicóloga e analista de orientação vocacional da Central de Carreiras da Universidade Salvador (Unifacs), Ludmila Guimarães, essa indecisão é muito comum e está atrelada à falta de autoconhecimento. "Se eu não me conheço, não sei quais minhas habilidades, competências e interesses, dificilmente vou fazer uma escolha acertada", afirma a psicóloga.

Alessandro, depois de muita dúvida, fez sua escolha: pedagogia. Ele conta que a decisão não foi fácil, mas precisou ser tomada para que pudesse estudar para o vestibular. A também psicóloga e gestora de carreiras Simone Brasil explica que essas tomadas de decisão dependem do repertório de vida de cada pessoa.

"Se eu escolho cursar engenharia, estou renunciando a todas as outras opções. Muitas vezes, o que gera a dúvida é o medo da renúncia", explica Simone Brasil.

Ainda de acordo com a pesquisa realizada pelo CPS, 40% dos jovens indecisos têm dúvida entre áreas completamente diferentes. Foi o que aconteceu com Matheus. Depois de muita angústia e pesquisas, o estudante resolveu mudar de área. Dessa vez, o curso ideal era publicidade. Assim que decidiu, conversou com os pais e se matriculou.

Para Ludmila, o desconforto sofrido por Matheus e outros jovens que fazem esse tipo de transição é ainda maior por conta do investimento e do peso da idade. Já Simone Brasil relaciona isso à pressão exercida pela sociedade.

"Aos olhos de poucos, ele será corajoso. Se tiver sido uma faculdade particular, será criticado pelo dinheiro que gastou. Se foi uma pública, será pressionado por ter deixado uma oportunidade que todos almejam", esclarece.

Já a pressão sofrida por Alessandro é diferente. Para Brasil, o desconforto está no "ter que escolher", inerente à fase.

Ciclo

"Terminar o ensino médio e começar uma faculdade é algo tido como um ciclo, e, socialmente, somos cobrados por isso. Nem sempre estamos prontos ou queremos ter filhos depois de casar, assim como nem sempre temos uma escolha ao final do colégio. Por isso, é preciso entender e respeitar o momento e as decisões de cada um", aconselha.

As especialistas concordam que a dúvida em relação ao futuro profissional sempre existiu. Para Simone, o que mudou foi a importância atribuída pela família a esse assunto. Já para Ludmila, a mudança está no grande leque de opções que surgiram.

"Antigamente não existiam muitas opções. Eu gosto de matemática, vou fazer engenharia. Mas qual delas? Antes era só a civil. Essa indecisão está atrelada às inúmeras possibilidades e facilidades que temos. Quero mudar de curso, faço uma transferência".

As cobranças incomodam Matheus, mas ele garante que elas não partem dos pais, "eles são compreensivos". Para o jovem, é a sociedade que cobra que ele se sinta pronto. É o que Simone Brasil chama de pressões contemporâneas.

"Hoje vivemos comparando o palco da outra pessoa com os nossos bastidores. Isso é injusto, é feito a partir de um recorte que mostra apenas a parte bela. Por isso, observamos comparações cruéis, como "meu amigo da minha idade está se formando e ganhando dinheiro e eu ainda não me decidi". Isso gera muito sofrimento. Cada pessoa tem sua trajetória e a sua régua".

Alessandro promete que ainda vai fazer os outros cursos, e Matheus ainda tenta se encontrar. A dica das especialistas para eles e outros jovens é buscar conhecer a si mesmo e estudar a realidade das profissões, a parte boa e a ruim.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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