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“O ambiente acadêmico permite errar”, diz coordenador do projeto Labeci

Publicado domingo, 08 de julho de 2018 às 10:12 h | Atualizado em 06/07/2018, 20:01 | Autor: Thaigo Conceição*
Efson Lima, coordenador do projeto Labeci, da Faculdade 2 de Julho
Efson Lima, coordenador do projeto Labeci, da Faculdade 2 de Julho -
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O Núcleo de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho realiza de 16 a 20 deste mês a 1ª edição do Labeci (Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação). O objetivo da atividade gratuita é incentivar ações na área de novos negócios e economia solidária. Com inscrições abertas até o dia 10, no f2j.edu.br, o projeto é direcionado para o público externo e os estudantes de graduação, pós-graduação e professores da faculdade. O professor Efson Lima, coordenador do projeto, falou para o A TARDE sobre a inédita iniciativa da 2 de Julho.

O projeto do Labeci foi elaborado a partir de qual necessidade?

A ideia surgiu a partir de uma demanda da comunidade acadêmica da faculdade. A demanda de deixar viva a chama do empreendedorismo. Aí a equipe de organização optou por temas relacionados com a comunidade, questões que envolvem a economia solidária e o empreendedorismo social na cidade. E por tratar de comunidade, ganhamos a necessidade de fazer a integração com os moradores do Garcia. O objetivo do laboratório é fazer a transferência de assuntos da teoria para a prática.

Como foi a determinação dos tipos de público que podem participar do laboratório de empreendedorismo?

No primeiro momento, pensamos apenas em oferecer o projeto para os estudantes da 2 de Julho, mas observamos que não seria legal. Ao levantar a bandeira do empreendedorismo no espaço da faculdade, estamos trabalhando com múltiplos agentes externos. Não queremos apenas as pessoas que pensam quadrado, mas as que pensam redondo, triângulo, e por aí vai. É por isso que vamos integrar o público interno, formado por estudantes e professores, com o externo, alunos de outras instituições e empresários. O foco é juntar as diferentes experiências e iniciativas empreendedoras de Salvador.

Qual o motivo da escolha por exemplo de empreendedorismo em Salvador?

Gerar proximidade. É importante conhecer e tentar aplicar iniciativas de empreendedorismo que se encaixam com a realidade cultural da cidade. A região do Garcia, por exemplo, é conhecida por ter bons restaurantes, negócios que são guiados por empresários que podem contribuir para a geração de conhecimento do laboratório. A troca de conhecimento entre eles e os estudantes de graduação e pós da faculdade, que serão mentores de projetos de negócios, é o que vai tornar viável a aplicação de iniciativas inovadoras. É o ato de observar a cidade e refletir sobre o que deu certo ou não.

Diante do desafio de proporcionar a troca de conhecimento e puxar o empreendedorismo para o debate acadêmico, como foi o processo de organização do projeto?

O laboratório tem o objetivo de facilitar o encontro entre diferentes agentes sociais; ciente disso, os nossos debates não estão restritos nos dias dos encontros, mas em grupos criados nas redes sociais. Através de textos e vídeos, as pessoas podem participar das discussões sobre o empreendedorismo. No decorrer dos encontros presenciais, separamos horários para as apresentações de ideias de inovação no mundo do negócio, um momento de pensar como determinada reflexão pode ser colocada em prática.

A faculdade é o espaço propício de estímulo ao empreendedorismo?

No ensino superior, empreendedorismo deve ser a tônica de todos os cursos, onde encontramos uma certa liberdade poética para criar. Eu mesmo tenho formação em direito, não em outra área de conhecimento em negócios. O importante é concretizar tudo no ponto de vista prático, ainda praticamos muito pouco, por mais que seja possível receber muita carga teórica. O ambiente acadêmico permite errar, experimentar, coisa que fica complicada no mercado de trabalho, onde se tem menos tempo para pensar com os ofícios de funcionário de uma empresa. É claro que sempre é possível empreender, esta é uma característica humana, mas a faculdade é um grande momento.

A Fundação 2 de Julho, entidade mantenedora do Colégio 2 de Julho e da Faculdade 2 de Julho, foi envolvida por uma crise financeira que teve o seu pico mais agudo em 2013, quando encontrou dificuldade para manter o funcionamento das instituições de ensino. Ao olhar para este momento de recuperação da crise da faculdade, o Labeci aparece como resultado de novos modos de gestão do negócio?

Toda instituição de ensino precisa se comunicar com a comunidade, é isso que faz ele continuar viva. Não podemos ser um elefante-branco, mas existir e contribuir para a geração de conhecimento, algo que sempre fez parte da diretriz da Faculdade 2 Julho. O laboratório é fruto de um novo momento da faculdade, do qual faço parte, visto que entrei em 2015. Eu faço parte de um grupo estratégico que tem conseguido resultados positivos na reorganização da graduação e da pós-graduação, expressos no constante aumento do número de matrículas nos semestres. Eu não tenho dúvida de que o avanço que estamos conquistando é exemplo positivo de novas estratégias de gestão. O projeto também vai contribuir para a boa imagem da instituição na sociedade.

Qual a perspectiva para o projeto do laboratório de empreendedorismo e inovação?

O objetivo da equipe de organização é ampliar o projeto, fazendo um laboratório de empreendedorismo para cada curso da faculdade. A ideia também é conseguir deixar o projeto semestral, sempre com vagas para o público externo. Os feedbacks desta primeira edição do projeto guiarão nos próximos passos.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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