Pequenos empresários revelam estratégias para superar dificuldades na pandemia

Publicado sexta-feira, 18 de junho de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 17/06/2021, 23:26 | Autor: Amanda Souza

Como já perguntava a cantora Clara Nunes: “Bolo de milho, broa e cocada. Eu tenho pra vender, quem quer comprar?”. É assim que os comerciantes que trabalham com produtos juninos estão em 2021 com a suspensão da festa, mais uma vez, por conta da pandemia: buscando quem queira comprar.

Período de vendas aquecido pelas festas de São João, o mês de junho deste ano é mais um desafio para quem investe em produtos e comidas típicas. É o caso de Fábio Alves, produtor de licores artesanais. A marca “Seu Zé”, em homenagem ao pai já falecido, nasceu há seis anos.

A fabricação de licores faz parte da vida de Fábio, que via, desde pequeno, a mãe produzir para vender em Alagoinhas, onde moravam. Anos depois, ele conta que, mesmo no auge da pandemia, as vendas ano passado foram excelentes; esse ano, nem tanto.

“Por incrível que pareça, em 2020 eu tive uma demanda muito alta. Esse ano está modesto, mas não está ruim”, conta. “Mas eu levo em consideração o fato de que, no ano passado, houve um período de confinamento mais rigoroso e havia auxílio emergencial para uma parte maior da população", completa Fábio.

Além do impacto nas vendas, o produtor tem enfrentado ainda outras dificuldades trazidas pela crise sanitária, como a escassez de alguns materiais e alta nos preços da matéria prima.

“O vidro ficou escasso, então precisei trabalhar com garrafas de plástico também”, conta. Outro fator que pode impactar as vendas de Fábio é o decreto estadual de restrição da venda de bebidas alcóolicas durante o período junino. E é pensando nisso que já tem uma galera se adiantando para comprar. “As pessoas anteciparam um pouco as compras, a demanda está bacana”, contou.

Além do produtor autônomo, quem também está buscando se reinventar nesse cenário são as lojas que trabalham com bolos e comidas tipicamente juninas. No Politeama, em Salvador, a D+ Doces entrou na moda das “festas na caixa” para trazer uma novidade no São João.

De acordo com Samuel Cunha, gerente geral da loja, o objetivo é que as pessoas possam matar as saudades da festa. “Nós bolamos um kit com porções individuais para que as pessoas recordassem das suas experiências de São João”, conta. A caixa reúne um pouco de cada delícia da festa junina: bolo, balinhas de jenipapo, canjica, mungunzá e outras opções.

Mesmo com a novidade, a diferença na saída dos produtos é notável. “Sem pandemia temos um volume muito maior de vendas, da procura do bolo junino para tomar café. Infelizmente, em comparação, está muito abaixo do que a gente esperava”. destaca.

Assim como Fábio, Samuel também tem sentido o peso no bolso quando o assunto é mercado. “A gente tem que fazer muita matemática para que esse aumento não seja repassado aos clientes e a gente deixar de vender”, explica.

Redes

Com as vendas num ritmo diferente do habitual, a saída é trabalhar melhor o canal de vendas e divulgação através das redes sociais. Seja para quem produz sozinho, seja para uma loja com mais tempo de mercado, a internet virou um funcionário importante.

Na D+ Doces, Samuel conta que a solução foi investir. “Precisamos pagar o tráfego”, contou sobre o pagamento para impulsionar publicação, que atinge mais pessoas na conta @dmaisdoces. “A gente tenta publicar na linha mais real possível”, completou.

Fábio conta que precisou usar o instagram na pandemia. “Antes disso sempre foi no boca a boca”, conta. Na rede social, o perfil @seuzelicor passou a ser mais cuidado. “O foco de tirar fotos, vídeos e inventar sabores veio em 2020”, conta.

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