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Setor de entretenimento aposta no drive-in para manter eventos

Publicado domingo, 11 de outubro de 2020 às 09:56 h | Atualizado em 11/10/2020, 10:00 | Autor: Fábio Bittencourt
Cal montou o Cine Drive-In Bahia Marina | Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE
Cal montou o Cine Drive-In Bahia Marina | Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE -
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Primeira opção de lazer liberada em plena pandemia – e sopro de esperança para quem trabalha com eventos e entretenimento –, o futuro das arenas drive-in depende agora do tempo. De como se dará o controle ou avanço da Covid-19, do anúncio da flexibilização dos protocolos de distanciamento social pela prefeitura de Salvador, do comportamento do próprio consumidor.

Hoje acontece a última programação no Cine Drive-In Bahia Marina, na Avenida Lafayete Coutinho, com evento fechado, corporativo; mas, no próximo mês, será inaugurado no estacionamento do novo Centro de Convenções, o chamado Summer Lounge Drive-In Salvador, dando start à segunda fase do projeto iniciado com o Big Drive-In, no mesmo espaço.

Segundo o diretor de operações da Zum Brazil Eventos, Bruno Portela, o novo equipamento vai funcionar até janeiro de 2021, dessa vez com uma diversidade maior de atrações, direito a lounge (cercadinho para os veículos), “mas com o mesmo esquema de segurança de sempre”. Ainda segundo ele, o formato será ajustado sempre que a situação sanitária permitir.

“Diante de uma onda de incertezas, cancelamentos de compromissos antes mesmo do início das restrições por aqui, essa foi a saída encontrada, pois a gente precisava tocar o barco. Começamos com a produção de lives, e outras programações online, mas faltava algum evento físico, e os drive-in já estavam bombando na Europa, mas de forma improvisada”, diz Portela.

“Nos planejamos por um mês e sabíamos que não queríamos oferecer apenas cinema, partimos então para uma linha variada, com stand up comedy, espetáculos infantis, brincadeiras, shows. Claro que o modelo será reformulado, agora já é permitido, por exemplo, sair do carro, ficar no lounge. Para alguns, o modelo deve esgotar, mas é mais uma possibilidade de evento”.

Apesar de movimentar o trade – de empresas de estruturas metálicas, iluminação e som à de mão de obra, alimentos e bebidas e o mercado da comunicação –, ninguém sabe ao certo, porém, quanto tempo deve durar o fenômeno. Segundo os especialistas, a empreitada é do tipo que exige um esforço ainda maior, em que os riscos são mais altos, inclusive o da própria saturação.

Para o analista técnico do Sebrae, Wagner Gomes, trata-se, neste momento, “ainda de uma aposta de negócio, não se sabendo se será uma tendência, que ocorre a longo prazo, ou uma moda passageira”. Ainda de acordo com Gomes, “tudo vai depender do comportamento das pessoas, das medidas de distanciamento. Tem gente com mais medo, tem gente com menos medo”, diz ele.

“Mas, sem dúvida, é mais uma alternativa para quem não aguenta mais ficar só em casa, para quem busca relaxamento com comodidade, segurança, na companhia da família. Não exige superprodução, muita roupa, você pode levar criança e ela dormir no carro. O cachorro, agora que foi permitido o lounge. Olha aí, já há uma evolução. Antes não podia sair do veículo”, fala.

Assessora de casamentos e eventos, a cerimonialista Indira Marrul conta que soube de “dois ou três casamentos” drive-in, mas que, por não ser “algo que agrada tanto”, não tem muita esperança de o gênero prosperar em sua área de atuação. A reportagem não conseguiu apurar se outros eventos, como festa infantil e baile de 15 anos, têm sido realizados em estacionamentos.

“Têm ocorrido microcasamentos, com cerca de 10, 15 convidados, mas a cerimônia em carros não é algo que encanta. Cheguei a fazer uma enquete [por rede social] para ter uma ideia do interesse das pessoas. Mas ainda não pode ter som de banda, entre outras coisas, e a perspectiva do público é mais de adiar mesmos, esperar até janeiro”, afirma.

Eventos 360°

Indira segue à frente de um grupo de cerca de 200 empreendedores e fornecedores de festas sociais que batalha, junto ao poder público, a liberação e a retomada das atividades na área.

Com a experiência de quem há mais de 20 anos promove eventos e festas, o empresário Ricardo Cal, sócio na Oquei Entretenimento e que se despede hoje do Cine Drive-In Bahia Marina, acredita que não volta a apostar no formato, apesar do “prazer” e “riscos” envolvidos.

Segundo ele, a ideia agora é “voltar” a fazer eventos de acordo com os protocolos que a prefeitura permitir, mas com nova configuração, que não drive-in, conta.

“Foi tudo muito prazeroso, faria outras mil vezes, apesar dos riscos, da grana mais curta, mesmo tendo captado 11 marcas para patrocínio. Essa semana estava me dando conta de que montei duas casas de espetáculos em plena pandemia [ele criou um primeiro drive-in no estacionamento do Shopping da Bahia]. Um projeto vitorioso, Salvador foi a única capital a contar com três equipamentos do tipo. Mas, apesar da importância para a economia, do papel social gerador de renda, não foi lucrativo para ninguém. A experiência mudou minha cabeça, creio que da área de promoção. Espero agora trabalhar eventos em 360°, com novos protocolos, oferta de serviços, espetáculos”.

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