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Venda de alimentos requer cuidados durante o verão

Thaís Seixas
Por Thaís Seixas
| Atualizada em
Há 14 anos, Adilton da Silva informa os clientes sobre os benefícios da castanha
Há 14 anos, Adilton da Silva informa os clientes sobre os benefícios da castanha - Foto: Thaís Seixas | Ag. A TARDE

Melhor do que uma cerveja gelada na praia é quando ela vem acompanhada de um bom petisco. Pode ser acarajé, churrasquinho, queijo coalho, camarão ou pastel. Com opções para todos os gostos, é difícil resistir à tentação de reunir os amigos e aproveitar um dia de sol recheado de guloseimas.

As praias lotadas durante o verão possibilitam novas oportunidades para quem deseja iniciar a venda de alimentos. Mesmo com a falta de barracas, os amantes do sol não deixam de frequentar os melhores locais para tomar um banho de mar. Na hora da fome, é só recorrer aos vendedores que oferecem seus produtos em carrinhos, bancas e tabuleiros ou que circulam entre as pessoas.

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Apesar da experiência com a venda dos famosos espetinhos de carne, frango e calabresa, esta é primeira vez que Tatiane Moreira investe no comércio de verão. O carrinho na calçada do Porto da Barra atrai um grande número de clientes dispostos a pagar o valor de R$ 3 por cada churrasquinho. "Cheguei aqui às 9h e já vendi bastante. Pretendo trabalhar todos os dias, até quando houver sol e Deus quiser", ressalta.

Tatiane trabalhava apenas nas festas da cidade, quando conseguia lucrar até R$ 500 por dia. Mas a mudança para a praia também promete sem bem sucedida. A vendedora enfatiza que o local é propício para quem quer ganhar um bom dinheiro no verão. "As pessoas devem vir para cá, porque aqui se vende de tudo, pelo menos até o Carnaval".

Conservação dos alimentos - Apesar da grande procura, algumas precauções são necessárias para quem deseja iniciar a venda destes petiscos e evitar riscos à saúde dos clientes. A fiscal de controle sanitário Kátia Rezak relaciona três cuidados a serem tomados antes e durante a venda: manter a higiene; diminuir o tempo entre a produção do alimento e o consumo; e preservar a temperatura original do produto.

"O ideal é não vender produtos perecíveis. Mas, se for o caso, é necessário manter os alimentos quentes a uma temperatura de 60 graus e os refrigerados a 10 graus", explica Kátia, que é chefe do setor de alimentos da Vigilância Sanitária Municipal. A especialista lembra que se o cliente sofrer algum problema por conta de alimentos estragados, o vendedor pode ser responsabilizado, inclusive judicialmente.

Os alimentos menos indicados para o consumo na praia são queijo, carne, ostras e camarão. Além destes, Kátia sugere que o vendedor não misture ingredientes que podem estragar mais rapidamente, como produtos mistos ou com recheio de frango com catupiry, por exemplo. Nestes casos, apenas um sanduíche de queijo ou um salgado de frango são recomendados. Já os produtos com menos risco de estragar são os de origem vegetal, como água-de-coco, caldo de cana e castanha.

Venda com informação - "A castanha é antioxidante, ajuda a combater os radicais livres e previne o envelhecimento precoce. Ela tem gordura monoinsaturada, boa para o colesterol, e é aprovada pela medicina internacional". Estas não são informações divulgadas por um médico, mas por Adilton Mata da Silva, que há 15 anos vende castanhas nas praias de Salvador.

Há opções variadas, com leite condensado, pouco sal, apimentada ou natural. Mas o conhecimento de Adilton sobre o produto é o que garante as vendas do dia. "Tem pessoas que não têm interesse, mas quando eu explico os benefícios elas querem comprar. Passo as informações certas até para nutricionistas que estão na praia", revela o vendedor.

A porção da castanha custa R$ 3, mas sempre há promoção de duas por R$ 5 ou quatro por R$ 10. Com um discurso de venda bem afiado, Adilton ganha até R$ 200 por dia de venda. Atualmente, o morador de Itapuã sai de casa cedo para trabalhar no Porto da Barra, que já tem uma clientela garantida. "Eu vendo mais para turista, baiano compra de gaiato", brinca o vendedor, que também não dispensa os clientes da terra.

Cursos de aperfeiçoamento - Os interessados em iniciar a venda de alimentos nas praias devem ser cadastrados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp), que define os locais e os tipos de produtos que podem ser vendidos. Se o vendedor ainda não tem experiência ou quer aprender técnicas de conservação e armazenamento dos alimentos, assim como dicas de higiene e limpeza do local de trabalho, pode participar de cursos e capacitações desenvolvidos pelo órgão, em parceria com a Vigilância Sanitária.

O próprio trabalhador pode solicitar à Sesp a participação em um dos cursos, que também são ministrados em bairros e comunidades. "Durante o curso, nós passamos informações sobre o Código de Defesa do Consumidor e orientamos desde questões de higiene pessoal e ambiental até a procedência, condições de preparo e manutenção do produto", explica Kátia Resak.

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