adblock ativo

Artistas mostram desenvoltura e se reinventam em apresentações na pandemia

Publicado quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021 às 08:00 h | Atualizado em 10/02/2021, 23:25 | Autor: Alex Torres
Compositor de sucesso, Tierry ascendeu ainda mais na carreira como cantor durante a pandemia | Foto: Divulgação
Compositor de sucesso, Tierry ascendeu ainda mais na carreira como cantor durante a pandemia | Foto: Divulgação -
adblock ativo

Estádios vazios, pessoas em casa e artistas sem poder sentir aquela energia trocada com a plateia durante as apresentações. Essa foi a triste realidade causada pela chegada da pandemia do novo coronavírus no início de 2020. As projeções para o mundo do entretenimento não eram muita animadoras, algumas, inclusive, especulando praticamente um ano inteiro de mercado congelado e danos quase irreparáveis.

Diante desse cenário caótico e pouco otimista, a solução encontrada não poderia ser mais ‘caseira’. O tradicional palco deu lugar às televisões ou computadores, as aglomerações de 5, 10 ou até 20 mil pessoas se tornaram uma pequena reunião de familiares ou amigos na sala de casa, e as grandes apresentações deram lugar às lives que, em seus períodos de maior ascensão, chegaram a ultrapassar mais de seis horas de duração e algumas superando a casa dos 2 milhões de espectadores simultâneos.

Entre os principais números atingidos pelos artistas brasileiros em seus shows transmitidos pela plataforma do Youtube durante a pandemia, os gêneros musicais de sertanejo e forró mais uma vez lideraram a preferência do público. Considerada a ‘Rainha da Sofrência’, Marília Mendonça quebrou o recorde mundial para uma transmissão simultânea e colocou mais de 3,2 milhões de pessoas em frente as televisões ou computadores.

Outro número impressionante foi atingido pelo cantor Wesley Safadão que, em sua primeira live, com participação do cantor Xand Avião, conseguiu render uma apresentação com mais de 10 horas de duração em seu canal oficial. Além da dupla no vocal, o humorista Tirullipa também esteve presente e divertiu o público com suas 'palhaçadas'.

Além dos artistas que se reafirmaram e mostraram toda a sua desenvoltura ao adaptar-se ao novo formato, ainda tiveram aqueles que começaram a despontar justamente em um dos períodos de maior dificuldade do mercado. Para esses casos, o lançamento de um hit ou até mesmo de um DVD, terminou sendo o grande divisor de águas para atingir o tão sonhado sucesso.

Sucesso na pandemia

“Deveria ter passado álcool gel no peito e evitado o sentimento que acabou comigo. Tem gente que é pior que vírus”, brinca o cantor baiano Tierry em sua canção ‘Já peguei coisa pior’, lançada justamente na primeira metade de 2020, um dos momentos mais críticos da pandemia. O soteropolitano que já compôs sucessos para Gusttavo Lima, Cláudia Leitte e Ivete Sangalo, tem aparecido como um dos principais nomes da música brasileira no atual momento.

“Acredito que uma das funções do artista é levar alegria para o público. Estou fora dos palcos, mas se eu posso usar o meu dom para colaborar, eu vou usar. Essa canção é para divertir as pessoas que estão em casa, nesse momento tenso! Não precisa ter medo, precisa respeitar a pandemia ficando em casa e seguindo as orientações da OMS. Deus está olhando por nós”, disse o cantor no lançamento da respectiva canção.

Outro nome que também apareceu com força durante a pandemia foi o de José Jacson de Siqueira dos Santos Junior, mais conhecido como ‘Zé Vaqueiro’. Natural da pequena cidade de Ouricuri, no estado do Pernambuco, o cantor de apenas 21 anos disse em entrevista à revista ‘Quem’, no final do ano passado, que, a princípio, também sofreu muito consequências da pandemia, resultando em um período de oito meses sem lançar nada.

“Veio a quarentena, e eu não lançava nada desde fevereiro. Passei oito meses sem nova música, CD ou clipe. Para quem é do meio artístico, isso é muito perigoso, podemos cair no ditado ‘quem não é visto, não é lembrado’. Só fiz uma live a pedidos. Só eu, minha esposa e uma amiga dela para corrermos atrás de tudo. Depois, fechamos com um novo escritório, gravamos mais duas músicas, e foi uma reviravolta na minha vida profissional. Nunca tinha ficado nos vídeos em alta do YouTube ou no top do Spotify e Deezer”, relembrou o cantor.

De Heliópolis para o mundo, a dupla composta pelos baianos Rodrigo e Felipe Barão, os ‘Barões da Pisadinha, ganou bastante notoriedade no meio artístico, principalmente após divulgação do craque Neymar, em vídeos que viralizaram no Instagram do jogador da Seleção Brasileira e Paris Saint-Germain, e até mesmo da rapper americana Cardi B, em sua conta no Twitter.

‘Tá Rocheda’, ‘Recairei’ e ‘Basta Você me Ligar’ foram os principais hits lançados pela dupla durante o período, com uma média superior a 215 milhões de visualizações somente nessas três músicas. Atualmente, o canal oficial dos Barões da Pisadinha possui mais de 3,8 milhões de inscritos e o total de visualizações em suas canções já ultrapassou a marca dos 10 dígitos, com quase 2 bilhões de reproduções. O público consumiu bem nossas músicas e nos abraçou”, explicou Rodrigo Barão.

Reinvenção no humor

Se engana quem acredita que essas adaptações ocorreram somente na música. Um dos precursores da comédia stand-up no Brasil, o humorista Fábio Rabin — com passagens pelo programa Pânico, Comédia MTV e Vai que Cola — conseguiu tirar de letra as adversidades causadas pela pandemia e foi um dos artistas do meio que melhor souberam se adaptar aos novos formatos, chegando a realizar apresentações em drive-in, live e, até mesmo, através da plataforma Zoom.

Em entrevista concedida ao também humorista Rafinha Bastos, o comediante com quase 20 anos de carreira revelou a batalha que passou junto com sua esposa, que estava em tratamento de um câncer de mama. Segundo ele, foram algumas negativas até resolver aderir aos formatos. A inciativa deu tão certo que Rabin terminou produzindo uma turnê em formato drive-in, e, de acordo com o próprio, ainda escreveu um filme que deverá sair do papel assim que possível.

Imagem ilustrativa da imagem Artistas mostram desenvoltura e se reinventam em apresentações na pandemia
 

“Eu tinha essa postura, como a maioria dos comediantes, de relutar a fazer shows através do computador ou para carros (drive-in). Até que um dia me ligaram, era um cara falando que a esposa estava com depressão e pedindo que eu fizesse um show, mas eu não queria fazer e repetir o mesmo texto [...] Até que eu decidi fazer algo novo e reutilizar umas piadas que tinha feito nos meus vlogs durante a pandemia, juntei tudo e ficou legal. Terminei desenvolvendo um show sobre pandemia e depois ainda escrevi um filme”, revelou o comediante.

Durante a conversa, Rabin ainda falou que o bom momento que vive em sua carreira se deve ao grande diferencial de saber o que fazer nos momentos mais difíceis. “Nossa vida é feito de picos e vales. Uma hora estamos no topo e, em outros momentos, estamos lá embaixo. A grande diferença é sabermos o que fazer quando estivermos no vale, porque no pico normalmente termina sendo mais fácil”,  finalizou.

adblock ativo

Publicações relacionadas