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A um mês dos Jogos, Pequim tenta cumprir promessas

Nick Mulvenney, da Reuters

Por Nick Mulvenney, da Reuters

07/07/2008 - 14:57 h

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Faltando um mês para a cerimônia de abertura de um dos Jogos Olímpicos mais vigiados da história, chegou a hora de o governo da China cumprir seus sete anos de promessas e mostrar os resultados dos bilhões de dólares gastos até agora.

No dia 13 de julho de 2001, a agência estatal de notícias Xinhua saudou a decisão de entregar os Jogos Olímpicos a Pequim como sendo "um marco no status internacional cada vez mais importante da China e um evento histórico no grande renascimento da nação chinesa."

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Seis meses atrás, os preparativos cumpriam o cronograma, finalizando a construção de novas e reluzentes instalações e obras de infra-estrutura para os Jogos, que ocorrem entre os dias 8 e 24 de agosto.

Mas o violento levante ocorrido no Tibete em março, seguido por protestos contra a China surgidos no mundo todo, mancharam a contagem regressiva final para a Olimpíada. Além disso, as ameaças de terrorismo e da poluição ofereceram às autoridades comunistas do país novos desafios.

De toda forma, tendo completado a construção de 31 instalações e tendo mobilizado um exército de trabalhadores migrantes para dar as pinceladas finais nas obras de infra-estrutura de 40 bilhões de dólares em uma cidade que antes enfrentava graves problemas nesse setor, os organizadores mostram-se entusiasmados.

"Estamos totalmente preparados para a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim", afirmou na semana passada Jiang Xiaoyu, vice-presidente do comitê organizador do evento (Bocog). "Vamos usar os últimos 36 dias para aperfeiçoar ainda mais os preparativos."

Os dirigentes da China sempre quiseram usar a Olimpíada para dar mostras da estabilidade interna e da pujança de uma potência econômica cada vez mais influente para o resto do mundo.

Mas depois do desastre de relações públicas provocado pelos distúrbios de 14 de março no Tibete e dos protestos que acompanharam o périplo internacional da tocha olímpica, alguns começaram a perguntar-se se os líderes chineses importavam-se de fato com a opinião pública internacional.

O terremoto de 12 de maio em Sichuan e a genuína enxurrada de manifestações de pesar provocada pela morte de quase 70 mil pessoas mudaram um pouco a imagem da China.

Mas as restrições impostas a visitantes, o plano de impedir qualquer tipo de manifestação em Pequim, bem como de livrar a capital dos sem-teto e dos trabalhadores migrantes, além do rígido controle sobre os meios de comunicação na parte doméstica do périplo da tocha em trechos "delicados," revelam o esforço obsessivo das autoridades para manter tudo sob seu domínio.

Grupos de defesa dos direitos humanos acusam o governo de usar a ameaça do terrorismo para calar manifestações internas de descontentamento.

O grupo Tibete Livre pediu a atletas britânicos que dêem apoio a sua causa fazendo um "T pelo Tibete" durante os Jogos. Esportistas dos EUA, da Holanda e da Austrália já indicaram que pretendem, durante o evento, manifestar sua preocupação com o desrespeito aos direitos humanos dentro da China.

O mau cheiro provocado pelo acúmulo de algas nas águas da cidade de Qingdao, onde ocorrerão as competições de vela dos Jogos, serviu para lembrar dos problemas ambientais que ainda ameaçam o evento.

E ainda há a qualidade do ar em Pequim, algo que preocupa bastante os atletas. O Comitê Olímpico Internacional (COI) disse que algumas competições de resistência podem ser adiadas se a poluição representar um risco para a saúde dos esportistas.

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