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PUNIÇÃO?

Afastamento de Ednaldo pode tirar clubes da Libertadores e Brasil da Copa do Mundo

Estatuto da Fifa veda interferência externa nas confederações

Redação
Por Redação
| Atualizada em
O baiano Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF pela Justiça do Rio de Janeiro
O baiano Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF pela Justiça do Rio de Janeiro - Foto: Rafael Ribeiro | CBF

O afastamento judicial de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reacendeu a possibilidade de sanções da Fifa. A entidade máxima do futebol internacional não reconhece interferência de terceiros, incluindo decisões do Judiciário, nas federações filiadas, o que coloca em risco a participação de clubes brasileiros em competições como Libertadores e Mundial de Clubes e até da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.

O movimento de afastamento ocorre justamente durante o congresso anual da Fifa, o que amplia a visibilidade do caso e pressiona por uma resposta institucional. Em termos práticos, a punição poderia ser a suspensão da CBF, o que impediria qualquer equipe, seja profissional ou de base, de representar o Brasil em competições organizadas por Fifa ou Conmebol.

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O risco de punição não é apenas especulativo. Em dezembro de 2023, quando Ednaldo foi afastado pela primeira vez pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a própria Fifa enviou uma notificação oficial alertando a CBF sobre as possíveis consequências da decisão judicial.

"As associações membros da Fifa são obrigadas a gerir os seus assuntos de forma independente e sem influência indevida de terceiros. Qualquer violação destas obrigações pode levar a potenciais sanções, mesmo que a influência não tenha sido culpa da associação em questão", diz trecho da notificação oficial da Fifa à CBF em 2023.

À época, a pressão internacional foi decisiva para que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconduzisse Ednaldo Rodrigues ao cargo, justamente para evitar a paralisação do futebol brasileiro em cenário global.

Naquela ocasião, o Fluminense corria risco de ser excluído do Mundial de Clubes e a Seleção Sub-23 estava prestes a disputar o Pré-Olímpico da Venezuela, sem presidente reconhecido pela Fifa para formalizar a inscrição dos atletas.

Clubes brasileiros podem ser afetados já no próximo mês

Desta vez, a situação se repete com um agravante: o novo Mundial de Clubes da Fifa está marcado para junho de 2025, com clubes como Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras na disputa. Uma eventual suspensão da CBF tiraria esses times do torneio de imediato, o que seria um prejuízo técnico, financeiro e institucional.

“A CBF, o futebol brasileiro, estava em risco. Havia um risco muito alto de o Conselho da Fifa tomar uma decisão. Isso ficou descartado naquele momento, com a decisão do Supremo.”, afirmou Emilio Garcia, diretor jurídico da Fifa, após visita ao Brasil em 2023.

Segundo o artigo 14 do estatuto da Fifa, a única instância autorizada para resolver disputas internas de federações filiadas é a Corte Arbitral do Esporte (CAS), sediada na Suíça. A atuação da Justiça comum, como no caso do TJRJ, só é permitida após o esgotamento de todas as instâncias esportivas, o que não ocorreu no caso da CBF.

CBF nas mãos de um interventor e risco de novo impasse jurídico

Com a decisão desta quinta, Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney e vice mais antigo da CBF, foi nomeado interventor temporário com a missão de convocar novas eleições. O problema é que esse modelo de intervenção judicial já foi formalmente reprovado pela Fifa em outras ocasiões, o que torna a atual configuração um alvo potencial de sanção.

Nos bastidores, a Fifa observa com atenção os desdobramentos. Ainda não há comunicado oficial sobre o novo afastamento, mas fontes ligadas à entidade indicam que o Brasil voltou a entrar no radar de risco, exatamente como no fim do ano passado.

Consequências com uma possível punição a CBF:

Seleção Brasileira: ficaria impedida de disputar amistosos, eliminatórias e, em última instância, a própria Copa do Mundo de 2026.

Clubes: seriam retirados da Libertadores, da Sul-Americana, do Mundial de Clubes e de quaisquer torneios internacionais

Base e categorias femininas: também seriam atingidas, o que prejudicaria o desenvolvimento de novas gerações do futebol brasileiro

Imagem: o futebol pentacampeão do mundo sofreria um abalo institucional sem precedentes

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