Amanda Ribas lembra gancho por doping e fala sobre expectativa para Ilha da Luta

Publicado terça-feira, 16 de junho de 2020 às 19:25 h | Atualizado em 16/06/2020, 20:07 | Autor: Alex Torres*

A mineira Amanda Ribas irá subir no octógono mais famoso do mundo, no UFC 251, dia 11 de julho, na 'Ilha da Luta', em Abu Dhabi, nos Emirados Arabes. Do outro lado do corner, quem tentará atrapalhar os planos da brasileira de permanecer invicta dentro da organização será a norte-americana Paige VanZant, na categoria dos pesos-mosca.

Em entrevista ao A TARDE Conecta, nesta terça-feira, 16, a lutadora natural de Varginha revelou mais detalhes sobre a sua preparação visando o combate, as dificuldades enfrentadas nos treinamentos por conta da pandemia e sua expectativa para conhecer a tão falada 'Ilha da Luta', revelada na semana passada por Dana White, presidente do UFC.

Durante o papo, ela ainda lembrou sobre a suspensão que sofreu por doping, em 2017, antes de sua estreia no evento e também se mostrou bastante otimista com os rumos que o MMA feminino tem tomado no Brasil, se tornando uma potência principalmente dentro do Ultimate. Confira:

Antes de mais nada, como anda a preparação para a luta?

No começo, tava meio confuso por conta da quarentena, mas graças a Deus na minha cidade não tiveram muitos casos. Eu tenho um grupo de atletas que todo mundo mora junto, todo mundo foi testado e está dando para treinar muito forte. Eu sou muito abençoada por tudo isso.

Por conta dessa pandemia, vocês chegaram a enfrentar muitas dificuldades com relação aos treinos?

Dificuldade em si, até que não. Como eu falei, o pessoal que eu treino mora todo mundo junto. No entanto, nos outros campings eu costumava viajar para os Estados Unidos. Então eu fazia metade do meu treinamento aqui na minha cidade e a outra metade lá na American Top Team, na Flórida. Terminou que não deu para viajar dessa vez, porque o Trump 'fechou as barreiras', então tô treinamento integralmente aqui em Varginha.

Dentre as suas 9 vitórias, você tem rigorosamente 3 nocautes, 3 finalizações e 3 vitórias por decisão. Existe algum estilo de luta que você se sente mais confortável?

Acho que tudo depende da oponente que vou enfrentar. Com meus técnicos, a gente faz uma estratégia muito certinho do meu estilo de jogo com o da minha adversária. No treino, quando me perguntam qual eu prefiro, a resposta é o que eu estiver melhor no dia. Ontem de manhã treinei o muay thai, de tarde foram as quedas e a noite foi a parte física. Como eu treinei melhor pela tarde, eu gostei mais das quedas.

Rolou muito suspense por parte UFC com relação a tão esperada ilha da luta. Acredito que os fãs ficaram bastante apreensivos para saber onde e como seria organizado essa estrutura. Essa curiosidade também fez parte de vocês atletas?

Com certeza com os atletas também e todo mundo. Quando falavam 'Ilha da Luta', eu já imaginava uma esquina com todo mundo lutando, com camisa de luta, pensava em algo muito doido. Depois eu vi que era Abu Dhabi, que tem parque da Ferrari, tem 17 hotéis e vai ser uma estrutura gigante, não vejo a hora de ir. Estou me preparando, porque me falaram que o último evento nos Emirados Árabes foi extremamente quente, então tem que trabalhar essa parte também.

Nesse combate, você que originalmente é uma atleta do peso-palha (até 52,2 kg) vai subir uma categoria e lutar no peso-mosca (até 56,7 kg). Essa mudança foi algo específico para esse combate ou algo que você pretende levar adiante?

A minha categoria mesmo é de 52 (quilos), igual você falou. Só que apareceu a proposta, o UFC me ofereceu uma luta na categoria dos 57 kg e eu agarrei a oportunidade. Ter a chance de lutar na Ilha da Luta, com uma atleta famosa como a Paige VanZant, então eu quis me testar para saber se eu sou pequena para a categoria. Quem sabe se no futuro eu não imito a Amanda Nunes e conquisto dois cinturões em duas categorias? (risos) Mas nesse momento meu objetivo é atingir os cinco primeiros colocados da minha categoria e, em seguida, quem sabe o cinturão.

Ainda falando com relação a essa questão do peso, acredita que esse ganho de massa possa interferir de alguma forma, tanto na sua velocidade quanto no fôlego, caso a luta se extenda até o fim dos três rounds?

Eu espero que não, estou treinando para não acontecer isso. As pessoas pensam que porque está subindo de categoria, vai começar a comer tudo de maneira desenfreada e não é assim. Meu corpo é minha ferramenta de trabalho, então faço uma dieta certinha com o meu indocrinologista para ficar na melhor forma possível. Chegar na luta com um gás bom, a musculatura boa e com velocidade também. Eu me preocupo muito com isso, porque eu amo comer, então tenho que me controlar. A dieta não acaba depois da pesagem e, sim, depois da luta. Isso faz muita diferença.

Você está em uma ótima fase, ainda não perdeu dentro do UFC, enquanto sua adversária vem de três derrotas nas últimas cinco lutas. Acredita que isso pode pesar a seu favor dentro do octógono?

Acho que a Paige é muita famosa não somente pela beleza dela, mas porque é uma atleta muito imprevisível, não dá para saber o que vai acontecer. Acredito que essa questão pode ter prejudicado ela em alguns momentos. Tinha lutas em que ela estava ganhando, dava umas 'doideras' nela e acabava perdendo. No entanto, essa questão foi muito importante na última luta, onde ela ganhou. A Paige é uma atleta de trocação, chuta muito bem e, de repente, ela decidiu ir para a chave de braço e venceu o combate. Então tenho que ficar muito atenta com essas situações. Não acredito que ela seja superestimada, como alguns falam, acho que para chegar no UFC é muito difícil e tem seus méritos.

Na sua entrevista dentro do octógono, após vencer a Randa Markos, você prometeu que sua próxima luta terminaria com um nocaute ou uma finalização. Já tem alguma ideia de qual das duas formas irá vencer o combate?

Eu gosto de vencer assim. Lógico que o gosto de vencer sempre é bom, mas se vier por nocaute ou finalização, acredito que a luta fica sempre mais interessante. Se for por finalização, gostaria que fosse no pescoço com ela batendo. Caso vença por nocaute, seria interessante se fosse na linha de cintura.

Assim como na sua última luta, em março, o combate do dia 11 de julho será com os portões fechados. Essa mudança impactou você de alguma forma, seja positivamente ou não?

Acredito que eu senti mais essa diferença na hora em que acabou a luta. Porque na hora que termina, a gente que ir para a galera e comemorar, só que não tinha ninguém além de mim, o Michael Bisping e meus técnicos. No começo foi muito doido, geralmente tem muita gente trabalhando quando estamos nas arenas do UFC e fica muito barulho. Dessa vez, diminuiram a quantidade de pessoas trabalhando e também não tinha o público, então era um clima muito quieto.

Fazendo uma projeção em caso de vitória contra a Paige, tem algum nome que você gostaria que fosse sua próxima adversária nessa caminhada dentro do Ultimate?

Gostaria de uma oponente da minha categoria, até 52 kg. Se fosse possível, alguém que estivesse entre as cinco melhores, para eu poder subir no ranking dos pesos-palha. Vou chegar com todo o carinho do mundo para o Dana White (presidente do UFC) pedindo essa adversária para a próxima luta (risos).

Antes da sua estreia do UFC, você chegou a passar por uma situação complicada em decorrência de uma suspeita de doping. Poderia contar mais detalhes de como foi essa situação para você?

Engraçado falar isso, porque foi algo muito triste e muito feliz para mim ao mesmo tempo. Aprendi muito nesses dois anos em que fiquei parada. Lembro que eu estava nos Estados Unidos quando recebi a notícia, tinha acabado de assinar com o UFC e eu iria estrear na mesma semana que eu lutei o MMA do mundial amador. Estava com uma adrenalina imensa e meu mundo caiu quando recebi a notícia, porque eu não sabia da onde tinha vindo aquela substância. Ainda bem que meus técnicos estavam comigo, minha família no telefone o tempo todo, mas na outra semana já estava treinando. Se acontece algo ruim e a gente fica pensando só na parte ruim, termina não melhorando. Então busquei tirar algo positivo dessa situação. Se eu estivesse estreado na época que eu assinei, não teria essa experiência do UFC que eu tenho atualmente.

Com essa luta contra a Paige, em julho, você fará sua segunda luta em 2020. Acredita que existe a possibilidade de você subir ao octógono mais uma vez antes do fim do ano?

Quero estar sempre lutando, chega de quarentena. Tudo depende também da suspensão que o UFC e a Comissão Atlética irá dar para a gente depois da luta. Então tudo depende de como vai se desenrolar o combate, mas eu gostaria bastante de poder subir mais uma vez no octógono ainda esse ano.

Por fim, o Brasil se tornou uma forte potência dentro do MMA feminino e principalmente no UFC, com dois dos quatro cinturões da modalidade. Como é para você perceber esse crescimento do esporte aqui no país?

Eu fico muito feliz, porque o vale-tudo antigamente começou no Brasil, só que era apenas com os meninos. Agora, o país está mostrando essa força na luta com o MMA feminino e isso é muito legal. Em todos os rankings das categoria do UFC, a gente vê alguma ou algumas brasileiras despontando. Vejo isso como um exemplo, não estamos atrás de ninguém e só temos que batalhar, nos dedicarmos muito que vai dar certo. As brasileiras estão sabendo fazer isso muito bem.

*Sob supervisão da editora Keyla Pereira

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