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TRAVESSIA

Ana Marcela retorna à Bahia para nadar Mar Grande–Salvador

Campeã olímpica usa a tradicional prova baiana como treino para o Canal da Mancha em 2026

Luiz Teles

Por Luiz Teles

30/08/2025 - 12:01 h
Ana Marcela Cunha vai nadar a travessia Mar Grande-Salvador
Ana Marcela Cunha vai nadar a travessia Mar Grande-Salvador -

Uma das maiores atletas da história do Brasil, a campeã olímpica Ana Marcela Cunha terá em 29 de novembro a oportunidade de voltar a nadar em sua terra natal, na tradicional Travessia Mar Grande–Salvador. Preparando-se para atravessar o Canal da Mancha em 2026, ela vai usar a prova como treino para o desafio. Direto da Itália, onde mora e treina, Ana Marcela conversou com A TARDE sobre carreira, futuro e emoção de retornar à Baía de Todos-os-Santos.

Passado o Mundial, seu foco agora sai um pouco do ciclo olímpico e vai para a travessia do Canal da Mancha. Como está sua preparação para esse desafio?

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Não deixo o foco do ciclo olímpico de lado, mas tenho realizado a cada ano metas diferentes, para que eu consiga, ao longo do ciclo, ter objetivos. Este ano o objetivo era o campeonato mundial e algumas etapas da Copa do Mundo. No ano que vem teremos novamente etapas de Copa do Mundo, mas o Canal da Mancha será um dos nossos grandes objetivos. Sabemos que temos outras competições importantes também, como os Jogos Sul-Americanos, seletiva para o Pan-Americano de 2027. O Canal da Mancha é uma meta ambiciosa, que exige respeito, mas encaro como mais um desafio, não como uma competição.

Quais as principais dificuldades que você encontrará para realizar a travessia?

Acho que as principais dificuldades vão ser a água fria e a questão de nadar sozinha. Por mais que tenham 11 pessoas no barco te acompanhando, é você contra você mesma, contra a sua cabeça. É preciso um preparo psicológico muito bom, e esse trabalho a gente vem fazendo há muitos anos. Claro que o mar e a vida marinha são fatores incontroláveis — pode aparecer uma água-viva, uma corrente inesperada... tudo isso pode acontecer.

No meio dessa preparação, você nadará a Mar Grande–Salvador após muitos anos. É verdade que seu plano é nadar Salvador–Mar Grande–Salvador para se aproximar da distância do Canal da Mancha?

Nadar a Mar Grande–Salvador é sempre uma grande honra para nós baianos, é onde eu comecei. Quando abriram as inscrições, logo tivemos a ideia de tentar também a Salvador–Mar Grande, como treino, mas também participar da tradicional Mar Grande–Salvador dentro da competição. Desde 2022 não faço uma prova tão longa, tenho nadado no máximo 10 km.

Ana Marcela no Mundial de Esportes Aquáticos
Ana Marcela no Mundial de Esportes Aquáticos | Foto: Satiro Sodré / CBDA / Divulgação

Como está o coração em voltar a nadar na sua terra natal? Treinar e viver na Itália tem deixado você mais saudosa?

Eu sempre fico muito feliz de poder voltar a Salvador, de estar com minha família e meus avós. Essa energia e essa conexão com a nossa casa, com o nosso mar e com Iemanjá, representam muita coisa para mim e para minhas crenças. Sobre a saudade, isso já acontece há muitos anos. Desde 2007, quando saí de Salvador para morar em Santos, essa saudade sempre existiu.

Aos 33 anos, como tem sido lidar com a pressão por rendimento e os insistentes rumores de aposentadoria?

Eu sou uma atleta e também uma pessoa muito tranquila em relação ao que as pessoas pensam ou falam sobre mim. Eu mesma me cobro, como atleta de alto rendimento, muito mais do que qualquer outra pessoa. A parte chata são justamente os rumores de aposentadoria. Em todas as entrevistas, nunca falei de parar. Enquanto eu estiver feliz e bem, vou continuar nadando, independentemente de resultados.

Você foi uma das primeiras vozes entre atletas de elite no Brasil a falar sobre a importância da saúde mental. Como vê esse cenário hoje?

A saúde mental é um ponto fundamental, pouco falado antigamente por preconceito. Ela está relacionada a tudo. Eu tenho acompanhamento com psicóloga há mais de 12 anos. É tão importante quanto a musculação e o treinamento na água. Enquanto eu estiver feliz e fazendo o que sempre gostei, vou continuar. Isso, para mim, é o maior valor.

Apesar da rotina de treinos e competições, você tem conseguido curtir a vida fora das águas?

Hoje, além de atleta, eu me vejo também como ser humano. Construí uma família, sou casada, tenho uma estrutura familiar muito boa. Casei com a Juliana, minha preparadora física, e a gente compartilha tudo. Ela me apoia diariamente, assim como meus pais, meus avós e toda minha família. Tem também o lado LGBT, de erguer e defender essa bandeira, que é muito importante para mim, assim como falar de saúde mental. Tudo isso me fortalece e me ajuda a ter melhores resultados na água.

Por fim, qual sua expectativa para os próximos desafios na natação e na vida?

Minhas expectativas são sempre as melhores. É óbvio que a gente entra na água para buscar resultados, mas hoje acredito que o ser humano que me tornei tem mais significado do que as conquistas. A Mar Grande–Salvador é emblemática, tem a torcida, a festa, o calor dos baianos. Será um prazer enorme estar de volta.

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Tags:

Ana Marcela Cunha Bahia Canal da Mancha natação Travessia Mar Grande–Salvador

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