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Após garantir índice, Allan do Carmo é recebido com apitaço

Aurélio Lima, do A TARDE
Por Aurélio Lima, do A TARDE
| Atualizada em

O saguão do aeroporto de Salvador virou palco de festa e de um apitaço, nesta terça-feira, na chegada do nadador baiano Allan do Carmo, único representante masculino do Brasil na Maratona Aquática de Pequim, em agosto. Ele se classificou domingo, no último Pré-Olímpico, disputado na raia oficial de remo de Pequim, onde foi sexto lugar, garantindo presença nos Jogos Olímpicos.

Faixas nas mãos e mais de 100 apitos na boca, parentes e amigos do atleta atraíram a atenção de quem estava no local. Repetiram a cena registrada na chegada de Allan do Pan-Americano do Rio/2007, quando ganhou medalha de bronze e foi recebido com zoeira geral em Salvador.

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“Trouxemos pacotes de apitos, cada um com 50 unidades”, revelou a vizinha de Allan, Juliana Dourado, de 22 anos. Amiga do nadador desde os dez anos, ela ainda tinha um pacote intacto de apito debaixo do braço. Quando Allan apareceu, ficou impossível falar ao celular. Seja pelos decibéis dos gritos ou a curiosidade em registrar as cenas.

Som de apito, música, palmas e gritos de incentivo. Quem passava não precisou perguntar do que se tratava. Frases nas faixas exaltavam a façanha de Allan. Reação imediata de alguns passageiros: mão no bolso do paletó ou calça, de onde sacavam celular ou câmeras para o registro.

Entre as cenas, lágrimas do técnico Rogério Arapiraca, festejado como herói pela classificação. Os beijos dos pais de Allan, Walmir e Maria Augusta. E, claro, desfile da torcida cantando e apitando. “Eu classifiquei ele, e ele me classificou”, simplificou Allan, reconhecendo o peso do treinador Arapiraca na conquista da vaga para a China.

Sobremesa – Enquanto falava, a gritaria, principalmente do pai, obrigava Allan a apurar o ouvido para entender perguntas da imprensa. “Vamos pra casa. Fizemos comida para 200 pessoas”, berrava Walmir do Carmo, alheio ao esforço do filho para atender aos jornalistas. “Desde 6 horas da manhã estamos fazendo comida”, contou a mãe de Allan, Maria Augusta. A sobremesa ficou com a amiga Joana Dourado. “Fiz um bolo de uns 8 quilos e um mousse grande. Deve dar para umas 60 pessoas cada um”, calculou.

Quatro primas de Allan marcaram presença entre as cerca de 120 pessoas da recepção. “Bote aí: do Carmo. Todo mundo se orgulha deste sobrenome. Agora, mais ainda”, disse a psicóloga Milena do Carmo, de 26 anos. Pedido repetido pelas outras primas, Taiza, 26, administradora; Naya, 19, estudante de publicidade, e Mayra, 27, professora.

Segundo elas, Allan entrou na natação por ser inquieto. “Ele era hiper ativo, perturbado. Abusava todo mundo”, revelou Mayra. Perfil confirmado pela tia, Walda Almeida, que matriculou o nadador, então aos seis anos, em um dos clubes da cidade.

A descrição contrasta com as características atuais de Allan. Para as quatro primas, ele virou um rapaz tímido, muito centrado na carreira. “Levamos ele para nadar por acaso”, disse o tio Augusto Almeida, explicando que não calculava o quanto o sobrinho iria se destacar como atleta.

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