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Bahia encara lanterna para reencontrar o caminho da vitória

Moysés Suzart l A TARDE
Por Moysés Suzart l A TARDE

Entre os 16 clubes que já levantaram a taça de campeão brasileiro, três deles estão na luta para voltar ao seleto grupo de 20 times da Primeira Divisão. Além de Vasco e Guarani, o Bahia busca este objetivo. Porém, em 11 rodadas disputadas, o tricolor baiano é o único de estrela no peito sem estar perto do famos

Enquanto o Bugre está em primeiro e o alvinegro do Rio fica na quinta posição, com o mesmo número de pontos do quarto, o campeão brasileiro de 1988 amarga a 14ª posição, com dois pontos na frente da zona da degola para a Terceirona. É bom então deixar o posto de mero coadjuvante para os times que ainda não tiveram o status de ser o melhor do Brasil e aproveitar a partida deste sábado, 17, às 16h10, contra o lanterna Campinense, no Estádio Amigão, em Campina Grande, para voltar a lutar pelo objetivo principal.

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O triunfo de logo mais não terá apenas o gostinho de abocanhar três pontos, após seis rodadas de jejum. Vencer vai também aliviar a tensão que envolve o grupo, principalmente no relacionamento com a torcida. Se a média de torcedor em Pituaçu já é baixa, pode piorar ainda mais, chegando inclusive ao “Público Zero”, no jogo contra o Vasco.

Não é brincadeira. A campanha feita em 2007 pode voltar com tudo, caso o Bahia tropece logo mais. Já circula na internet uma campanha para o torcedor não comparecer ao estádio, como forma de protesto pela campanha limitada. “Respeito, tradição e alegria já se foram. E aos poucos estão indo os torcedores”, diz o protesto.

Não foi revelada a autoria do movimento, mas a ira reflete no sentimento de muitos tricolores, que já enxergam além das quatro linhas. Segundo a campanha, a diretoria merece pagar pelo que está fazendo com o torcedor baiano. “Não vá à Pituaçu no dia 25/07 (contra o Vasco), assim transmitiremos a eles (diretoria) um pouco da humilhação que estamos passando. É hora de dar um apito final nessa situação”, disse o cartaz exposto na imprensa de todo Brasil.

Quem sobra? – Porém, o lado mais fraco da corda pode romper, em caso de tropeço na Paraíba. Com apenas dois jogos no comando, o técnico Paulo Comelli pode sobrar nesta história. O treinador ainda não venceu e tem um aproveitamento de 16%. Em 2008, Comelli foi demitido após 4 jogos na Série B.

Porém, o técnico não teme nova demissão na segunda aparição no Bahia. ”Minha preocupação é vencer e voltar a brigar pelas primeiras posições. Precisamos e a torcida merece isso”. Mas Comelli admite que o time não vai adiante se não vier reforços. Após uma reunião com a diretoria do Bahia, o comandante admitiu que é preciso mudar.

“Estamos buscando um meia de Primeira Divisão que não esteja jogando como titular e que aceite o desafio da Série B. Precisamos desse jogador e isso não é novidade pra ninguém”, disse o técnico, quase repetindo o discurso do seu antecessor, Alexandre Gallo.

O problema é que a revolta do torcedor está chegando também nos mais ilustres. Conselheiro do Bahia, o deputado federal ACM Neto não poupou críticas a atual situação do seu time de coração. "Não creio que o novo técnico possa levar o Bahia à primeira divisão. Ele é razoável para ajudar o Bahia a, apenas, permanecer na segunda divisão", disse.

De quebra, ACM ainda criticou algumas contratações recentes, como Nadson. “O Vitória iria dispensar para o Bahia um jogador em condições de fazer um excelente campeonato?”. Porém, se mostra contra a campanha do Público Zero. “Sou contra o movimento. É melhor ir e protestar lá”, completou.

Mesma equipe - Todo mundo já sabe das dificuldades de Comelli: um time que precisa de reforço no meio-campo e pouco tempo pra treinar. E a solução disso tudo é apenas uma.

“Temos que mudar a postura. Tirar a ansiedade e transformar a vontade em vitória. É isso que vamos fazer, a começar pelo Campinense”, garantiu o treinador tricolor, antes da viagem para a Paraíba.

Já para a imprensa paraibana, Comelli preferiu o respeito, sem entrar muito nos detalhes que estão prejudicando o Bahia. “Vamos respeitá-los, mas viemos em busca da vitória”, confirmou.

Para isso, o Bahia vai ser mantido com o esquema de três zagueiros, deixando Ávine e Marcos mais livres para atacar. Joãozinho permanece no banco, junto com o recém reintegrado Léo Medeiros.

No campo do Treze, o tricolor fez um último treino antes da partida. A tropa baiana fez trabalhos táticos, o que não foi possível realizar no Fazendão. A principal jogada continua sendo cruzamentos na área, focando bem nas jogadas pelas laterais. Não deu muito certo contra o Bragantino, mas pode vingar contra o lanterna Campinense.

A grande esperança do Bahia está, novamente, nos pés de Beto. O jogador é da Paraíba e já atuou no Treze. “Estou voltando aqui. Mas agora para defender o Bahia”, disse Beto, bastante assediado pela imprensa paraibana.

CAMPINENSE X BAHIA

Campinense - Fabiano; Thompson (Fábio), Kleber, Márcio Paraíba e Tiago Saletti; Charles Wagner, Henrique, Giuliano e Washington; Edmundo e Fábio Júnior (Anderson). Técnico: Freitas Nascimento.

Bahia - Marcelo; Nen, Menezes e Rogério; Marcos, Leandro, Elton, Ananias e Ávine; Beto e Reinaldo Alagoano. Técnico: Paulo Comelli.

Local: Estádio Amigão, em Campina Grande, Paraíba, às 16h10
Árbitro: Cláudio Mercante (PE).

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