ESPORTES
Baiano dá pausa em serviços de pedreiro para lutar no Maláui

Quando surge oportunidade para lutar boxe, o feirense Edson Ribeiro, de 40 anos, interrompe temporariamente os 'bicos' de pedreiro e motorista de ônibus para dedicar-se aos treinamentos. Há três meses, é só o que ele tem feito na modesta academia Alvorada, no bairro do Tomba, em Feira de Santana, para o duelo pelo cinturão mundial dos pesos pluma (até 57 kg).
Marcada para 26 de setembro, a luta será a principal entre as dez promovidas pela União Mundial de Boxe (WBU, na sigla em inglês), no Maláui, na África (veja ao lado), contra o local Wilson Masamba.
O baiano, que adotou Cid Edson como nome de guerra, conquistou, pela Federação Universal de Boxe, o título latino-americano no ano passado, e o brasileiro peso pluma. Ele diz estar acostumado a viagens: "Lutei na Austrália, em Dubai, três vezes na Argentina, no Chile, no Uruguai".
"Como pedreiro ou motorista, ganho diária de R$ 150", relatou Cid, que receberá 4 mil dólares (cerca de R$ 15 mil) no festival de boxe no Maláui, que anuncia pugilistas de mais sete países africanos, além de China e Alemanha.
Pouco prestígio
A WBU, considerada a quinta federação em importância no boxe, é pouco reconhecida. O poder está nas mãos da Associação Mundial de Boxe, do Conselho Mundial e da Organização Mundial.
A badalada luta entre o americano Floyd Mayweather e o filipino Manny Pacquiao, em maio, pelas três entidades, valendo o título dos meio-médios, movimentou R$ 1,27 bilhão. Juntos, os lutadores arrecadaram 300 milhões de dólares (mais de R$ 1 bilhão).
Se vencer no Maláui, Cid Edson verá sua bolsa pular de 4 mil para 10 mil dólares (quase R$ 35 mil) no combate seguinte, afirmou Admilson da Cruz, presidente da Associação Nacional de Boxe.
Surtos
O cartaz de divulgação da luta entre Cid e Masamba tem o título curioso de "Um nocaute na malária", acima das fotos de ambos. "Uma das exigências do pessoal da organização foi que eu me vacinasse contra a malária 15 dias antes da viagem", revelou o feirense, que vive numa cidade com grande surto de chikungunya.
Assim como a malária, a epidemia que afeta Feira também é transmitida por um mosquito. "Não peguei essa doença. Tenho medo também da malária, mas vou porque tem esse cinturão mundial e o dinheiro vale a pena", admitiu Cid.
Admilson da Cruz explicou que há um surto de malária no Maláui e que o evento é vinculado a uma campanha de combate à doença. "As pessoas lá gostam muito de luta e o governo aproveitará para divulgar a campanha e a vacina", explicou o dirigente.
"Sou diretor da WBU para a América do Sul, e indiquei Cid para disputar o cinturão mundial", acrescentou.
Rindo muito antes de responder se não ia viajar para ver a luta por estar com medo da malária, Cruz alegou ter muitos compromissos para a data da disputa.
"Tem apoio de Don King", valorizou ele, referindo-se ao convite feito para o folclórico empresário americano que promoveu combates de Mike Tyson, Evander Hollyfield e Sugar Ray Leonard, além da 'luta do século XX', entre Muhammad Ali e George Foreman, no Congo, em 1974.
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