Conheça Rafaelle, a baiana que lidera a Seleção Feminina de Futebol | A TARDE
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Conheça Rafaelle, a baiana que lidera a Seleção Feminina de Futebol

Atleta nascida no interior da Bahia, se orgulha das origens e de representar a Seleção

Publicado quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024 às 08:00 h | Atualizado em 21/02/2024, 08:53 | Autor: Beatriz Amorim
Zagueira durante partida da Copa do Mundo
Zagueira durante partida da Copa do Mundo -

Uma palavra para definir os Jogos Olímpicos? Sonho. E é com esse sonho que a baiana Rafaelle, zagueira da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, lidera o grupo que já tem vaga garantida para a maior competição poliesportiva do mundo: as Olimpíadas de Paris 2024. Nascida em Cipó, cidade do interior da Bahia, Rafa, como também é conhecida, carregou a braçadeira de capitã na estreia da Copa do Mundo feminina e hoje é um dos principais nomes da modalidade. 

Rafaelle conversou com exclusividade com o Portal A TARDE e falou sobre a preparação para os Jogos, a expectativa para a competição e sobre o incentivo ao futebol feminino no estado, para a formação de novas atletas para o futebol feminino. 

Perfil

Rafaelle durante treino com a Seleção feminina
Rafaelle durante treino com a Seleção feminina |  Foto: Leandro Lopes/CBF

Rafaelle Leone Carvalho Souza, de 32 anos, já teve passagem por grandes clubes do futebol, como América-MG, Palmeiras, Arsenal e atualmente está no Orlando Pride, ao lado da Rainha Marta, no Estados Unidos. Mas, até pisar nos gramados mais importantes do mundo, Rafa passou pela dificuldade que a maioria das atletas atravessa. Os primeiros passes e desarmes foram feitos em campo de terra batida, sem a mínima estrutura, no interior da Bahia. 

A zagueira iniciou a sua trajetória para se tornar atleta profissional através do futsal, e se destacou na modalidade. Com o espírito de liderança, ela foi convidada para defender o São Francisco do Conde, time da cidade que leva o mesmo nome na Região Metropolitana de Salvador.

Em 2011, a baiana queria alçar voos mais altos e embarcou com a cara, coragem e talento para os Estados Unidos. Iniciou atuando pelo Ole Miss Rebels, mas o objetivo sempre foi defender a Seleção Brasileira Feminina de Futebol, o que não demorou a acontecer. Em 2015, a cipoense, aos 24 anos, entrava em campo para disputar a sua primeira Copa do Mundo, que ocorreu no Canadá. 

“Para mim é um prazer, um orgulho enorme estar hoje representando, não só o meu Estado, mas também ter jogado e ainda jogar ao lado de grandes jogadoras”, disse Rafaelle. 

Desde então, a capitã acumula experiência e títulos. Campeão da Copa América (2018), medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos (2015). Por clubes, a baiana venceu a Supercopa da Inglaterra pelo Arsenal, na temporada 2022/2023. 

Decisão

Brasileiras que jogam no Orlando Pride
Brasileiras que jogam no Orlando Pride |  Foto: Divulgação/ rafaellesouza4

Em 2022, Rafaelle trocou o continente americano pelo europeu. A zagueira foi anunciada pelo gigante inglês, Arsenal, clube que defendeu a conquistou título. Mas em 2023 a baiana  recebeu outra proposta e retornou para os EUA, dessa vez par defender o Orlando Pride. O objetivo era ficar próxima de outras jogadoras da Seleção feminina que possuem o mesmo objetivo: ganhar títulos vestindo a amarelinha. 

“Uma das minhas escolhas para ter saído do Arsenal, foi até para estar mais próxima da Seleção. Nos Estados Unidos, o calendário é mais parecido, por isso eu teria mais tempo para me dedicar com a camisa do Brasil. A temporada na Europa é muito corrida, são muitos jogos e a gente acaba não tendo descanso. Além disso, agora eu me sinto mais motivada porque, além de mim, tem mais quatro jogadoras brasileiras e a gente cria esse entrosamento diário e acaba chegando mais motivadas para defender as cores do Brasil”, disse a zagueira. 

Vestindo a camisa 4, Rafaelle faz parte de um novo ciclo da Seleção feminina, que agora tem o Arthur Elias, ex-Corinthians, como treinador. Buscando o ouro inédito na competição, a baiana destaca a preparação. 

“A gente já está nessa preparação há bastante tempo, desde a chegada do Arthur, a gente já tem feito alguns amistosos, jogou contra o Canadá, contra o Japão, que são equipes fortes”, relembrou. 

Copa Ouro

Zagueira durante partida da Copa do Mundo
Zagueira durante partida da Copa do Mundo |  Foto: Thais Magalhães/CBF

Na madrugada desta quarta para quinta, às 00h15, a Seleção estreia na Copa Ouro feminina, que acontece nos Estados Unidos e conta com países da América do Sul, Central e Norte. A competição, que pela primeira vez terá equipes da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), servirá como preparação para os Jogos Olímpicos e . 

“Agora a gente já tem um torneio muito importante, a Copa Ouro, que tem um modelo muito parecido com as Olimpíadas e vai ser um teste bem legal. Vamos ter mais jogos, mais tempo juntas treinando, o grupo está se fechando agora e estamos muito focadas e em busca dessa medalha inédita”, garantiu a zagueira. 

O Brasil estreia contra o Porto Rico. Já na sequência, ainda pelo grupo B, enfrenta Colômbia, no domingo, 25, e depois Panamá, na quarta-feira, 28. Para Rafa, o grupo está unido e bastante confiante para o torneio, que conta com fortes seleções, como Canadá, atual campeã dos Jogos, e Estados Unidos, pentacampeã da Copa do Mundo. 

“Eu acho que o grupo está bastante motivado, todo mundo muito confiante. Estamos com a expectativa de dar o nosso máximo nesse primeiro teste e ganhar a malha”, garantiu.   

Referência

Rafaelle e Andressa Alves após jogo da Copa do Mundo feminina
Rafaelle e Andressa Alves após jogo da Copa do Mundo feminina |  Foto: Thais Magalhães/CBF

Na Seleção feminina, Rafaelle tem o exemplo da baiana Miraildes Maciel Mota, mais conhecida como Formiga, atleta que mais disputou Mundiais, como uma das maiores jogadoras da história desse esporte. No nordeste, a zagueira possui outra grande inspiração, a rainha Marta, sete vezes eleita melhor do mundo e a maior artilheira da Copa do Mundo, seja feminina ou masculina. Desta forma, a cipoense contou como se sente em representar a bandeira da Bahia. 

 “Eu acho que é uma responsabilidade muito grande, né, principalmente quando você fala da Seleção feminina e da Bahia, vem logo Formiga na cabeça, é o nome de uma ídola. Desde pequenininha eu sonhava, via ela na televisão com a Marta e nem imaginava estar aqui hoje representando o Brasil”, garantiu a camisa 4. 

Além disso, a baiana destacou a fábrica de talentos que o estado é, usando o termo “diamantes brutos” e destacou a importância de investir no futebol feminino para, cada vez mais, descobrir novas craques. 

“É uma terra que tem muito talento, né, tem muitos diamantes brutos, que precisam ser lapidados. Hoje eu sou uma das poucas, se não a única, baiana na Seleção. Então, eu acho que hoje a gente precisa investir mais no futebol feminino para descobrir novos talentos que precisam ser trabalhados”, disse a baiana, que continuou. 

“Mas, no geral, é um prazer enorme representar o meu estado, eu tenho muito orgulho. Eu sempre falo que, em primeiro lugar, eu sou baiana, você pode até ver na descrição do meu instagram. Então, eu tenho muito orgulho. A nossa raíz da Bahia é muito rica culturalmente e eu trago isso também, essa força, essa luta que a gente tem, não só de ser nordestina, mas baiana, e isso está no meu DNA”, disse Rafaelle.      

Sobre a melhor forma de incentivo para a nova geração de garotas no futebol, Rafa acredita na união da educação com o investimento na divisão de base dos clubes. 

“Eu acho que isso começa na escola. As escolas da Bahia deveriam incentivar mais as meninas, incluir o futebol feminino na grade escolar, nas aulas de educação física. Mas eu acho que falta um pouco dos grandes clubes, o Bahia e o Vitória. É necessário ter um time feminino que treina o ano inteiro, com calendário para o ano todo, que apoia. Eu acho que ter divisão de base é importante, o Brasil como um todo precisa investir mais na base e a Bahia está um pouco atrás nisso” alertou a atleta, que também contou sobre o futebol de base da sua época. 

“Tem muitas meninas que gostam, que acompanham, principalmente hoje por causa da visibilidade. Eu vim do interior e quando estava lá, eu nem imaginava que tinha time feminino, já que eu jogava com os meninos. Então, hoje elas já podem ver, podem sonhar, podem se imaginar sendo jogadoras de futebol e por isso, os grandes times de futebol poderiam divulgar mais, fazer peneiras pelo interior e investir mais”, disse a jogadora.     

Para finalizar, em uma brincadeira de perguntas e respostas, a baiana afirmou que, se não fosse do futebol, gostaria de ser jogadora de vôlei e não sairia da área esportiva. Além disso, afirmou que, entre todos os lugares do mundo, se fosse para escolher uma cidade para passar as férias, com certeza ela viria para Salvador. 

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