ESPORTES
Criação de secretaria é elogiada. Resultados, não

Os dirigentes de federações esportivas na Bahia consideram que a criação da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Entretenimento, realizada na gestão atual da prefeitura municipal, foi uma iniciativa válida.
“Tudo que se agrega ao esporte é bom. É uma secretaria nova, que não tem tanta condição orçamentária. Mas pra nós do atletismo tem sido muito boa, pois temos feito várias parcerias nas corridas de rua. Tem sido muito bom”, diz Og Robson, presidente da Federação Baiana de Atletismo.
No entanto, a maioria acha que a secretaria ainda está engatinhando e não tem trazido resultados importantes para o desenvolvimento do esporte em Salvador. “É muito boa a idéia. Mas a secretaria dos Esportes funciona com um orçamento baixo. Espero que agora melhore”, diz o presidente da Federação Baiana de Vôlei, Hércules Pimenta, o Beré.
“Eu acho que não basta criar uma secretaria do esporte. Você criar um cargo sem ter estrutura e verba não tem muito fundamento, não. Só fazer campeonatos interbairros de futebol, não adianta. Pra você criar algo maior pra comunidade, tem que ir além. O futebol sobrevive por si só. Não precisa disso”, diz o ex-nadador Rogério Arapiraca, diretor de maratonas aquáticas da Federação Baiana de Natação.
“Foi um passo muito importante. Foi plantado, mas precisa que dê frutos. Precisa que as pessoas tenham planejamento. Não precisa de uma secretaria de esportes. Precisa da secretaria atuante. Se ficar apenas ouvindo, não é secretaria, É ouvidoria”, diz o diretor técnico da Federação Baiana de Judô, Jorge Sobreira.
“Ela existe, mas, de fato, a gente não vê ação. Não sei nem se a gente pode culpar o secretário. Criar só não vai adiantar nada. Depois de criada, vira um elefante branco. Tem que fazer os torneios nos bairros, campeonatos de vôlei de praia. Não sei se a prefeitura investe na secretaria”, fala o treinador da equipe de futebol feminino do São Francisco do Conde, Mário Augusto.
Ex-atleta – Quem ocupa o cargo de secretário de esporte atualmente tem forte ligação com o esporte da cidade: é o ex-pugilista, campeão do mundo, Acelino de Freitas, o Popó.
Os dirigentes divergem quanto à necessidade de que o secretário tenha ligação com o esporte. “Cláudio Coutinho nunca foi jogador de futebol e era um excelente treinador. Toda regra tem sua exceção”, compara Rogério Arapiraca.
“Qualquer pessoa que faça esporte, que tenha sido grande atleta é indicada para o cargo, porque não adianta colocar um enfermeiro lá pra cuidar do boxe. Não vai ter a mesma vontade. Acredito que o que falta é verba que não tem”, diz o diretor técnico da Federação Baiana de Boxe, Joilson Santana.
“Eu acho melhor uma pessoa que seja ligada ao esporte e que seja um bom administrador ao mesmo tempo. Mas o ideal é que seja alguém ligado ao esporte”, avalia o técnico Mário Augusto.