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Criado junto com goleiro Bruno, meia Ramon do Bahia diz que reza pelo amigo

Daniel Dórea l A TARDE
Por Daniel Dórea l A TARDE
| Atualizada em

De sua cela na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), o goleiro Bruno vive o maior pesadelo da sua vida. Aguarda julgamento pela suposta participação no sequestro e assassinato de Eliza Samudio.

Talvez não saiba, mas conta com o apoio moral de muita gente que se importa e lhe quer bem, sem julgá-lo. É o caso de Ramon, meia do Bahia, que foi criado junto com o arqueiro nas divisões de base do Atlético Mineiro.

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Segundo Ele, Bruno está sempre nos seus pensamentos e orações. O jogador, ansioso pela provável estreia no próximo domingo, 23, em Pituaçu, contra o Feirense, fala sobre este e outros assuntos em entrevista exclusiva ao A TARDE.

Você já morou em Belo Horizonte, São Paulo, Moscou, Rio de Janeiro e agora Salvador. Qual a impressão que tem da nova casa?

Já conhecia por alto. Vim jogar duas vezes aqui. Agora, morando, estou começando a me adaptar à cultura do local, mas não é muito diferente do Rio de Janeiro. O bicho tá pegando mesmo é por causa do calor. Na Rússia cheguei a pegar -15º, -20º, Por isso, está sendo difícil me acostumar. Durmo no quarto com ar condicionado, cheio de roupa, mas é só sair que já começo a suar de novo.

O que aprendeu nesses anos como viajante da bola?

Muita coisa, principalmente a respeitar a cultura dos lugares. Por exemplo, na Rússia, tinha vezes que a gente só treinava à noite. No Bahia, estamos em regime de dois períodos há mais de duas semanas. Nunca tinha feito isso. Mas eu tenho que me preocupar mesmo é em jogar bola. Fora de campo, tudo vai acontecer naturalmente.

Por que sempre que perguntamos sobre você a alguém que acompanhou sua carreira dizem que Ramon é craque, mas não tem cabeça?

Comecei minha carreira profissional muito cedo. Fui comprado por um grupo de empresários aos 16 anos e isso mudou minha vida. Agora, eu tenho personalidade e, para mim, não tem tempo ruim. Falo tudo mesmo. A imprensa mineira pegava muito no meu pé e eu respondia à altura. Creio que essa imagem que tinham de mim já está ficando para trás.

Você fez por merecer essa imagem de problemático?

É como o professor Paulo [Angioni] falou naquela entrevista coletiva da apresentação. Às vezes, o jogador começa a ganhar dinheiro muito cedo e acaba deslumbrando. Mas isso foi antes. Agora, tenho minha família ao lado. Arrasto meus dois irmãos mais velhos [Eduardo e Maicon] sempre comigo. Logo eles virão morar aqui. E tenho falado mais por telefone com os meus pais.

Qual a relação que você tinha com o goleiro Bruno?

Uma relação que sempre foi de amizade. Ele cresceu junto comigo nas divisões de base do Atlético (MG) e depois nos transferimos para o Corinthians. O que eu posso dizer sobre ele é que trata-se de uma grande pessoa, que sempre me ajudou, sendo muito carinhosa comigo dentro e fora de campo.

E como você recebeu a notícia do possível envolvimento dele no caso Eliza Samudio?

Eu estava em Belo Horizonte e vi quando deu na televisão. Acho que todo mundo que é amigo dele, como eu, foi pego de surpresa.

Falou com ele depois de tudo que aconteceu?

Não.

O que falaria se tivesse esta oportunidade?

Ah... (longa pausa). Tenho certeza de que palavras não iriam confortá-lo neste momento. O que eu posso fazer, e faço, é rezar por ele todos os dias. Que as verdades apareçam e este sofrimento possa diminuir.

O que aconteceu com ele pode servir de lição para muitos jogadores que têm uma vida conturbada fora dos gramados?

Independentemente de tudo isso ser verdade ou mentira, fica como lição para qualquer ser humano, não só para os jogadores de futebol. Serve pra qualquer pessoa que tem uma família, esposa, casamento... A gente precisa valorizar as coisas boas que constrói.

Falando um pouco sobre o Bahia, está pronto para a provável estreia domingo?

Com certeza. Hoje (terça), liguei três vezes lá pra Rússia e falei com a supervisora do CSKA pra mandar logo esses documentos. Só falta isso, pois já até assinei a inscrição. Ninguém mais do que eu quer que isso se resolva logo.

Mas, quando chegou aqui, não estava no melhor da forma...

É... Normal, né? Estava há dois meses sem jogar e acontece isso de voltar das férias acima do peso.

Quantos quilos perdeu?

Nove.

Em duas semanas? É para incentivar qualquer pessoa que quer fazer regime. Como conseguiu esse feito?

Ô... correndo debaixo desse sol não poderia continuar gordinho, né? Mas também estou com uma alimentação toda regrada. Tive que cortar várisas coisas que gosto de comer, como carne. Também não posso mais comer fora de hora. Tem horário certo pra tudo. Mas é isso mesmo. Vale o esforço. E o ritmo de jogo já estou pegando nos treinos.

A gente tem visto que você é um tuiteiro de plantão. Como está sendo esse contato online com a torcida do Bahia?

Estamos construindo uma relação muito boa. Agora, apenas isso não adianta. Tenho que entrar em campo e dar o meu melhor. A resposta para esse carinho deles só virá com vitórias e títulos.

Tem encontrado torcedores pelas ruas?

Ontem, voltando de BH, onde fui providenciar documentos para minha regularização, encontrei alguns que me pararam para incentivar. É muito gostoso.

Já estão até te chamando de Djavan, né?

É verdade (risos). Foi um torcedor [Binha de São Caetano] aí que soltou essa.

Gostou?

Tranquilo. Não ligo, não.

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