ESPORTES
Criança é um teste para judô

A sinceridade da criança, capaz de declarar, sem rodeios, não estar com vontade de ir à academia aprender judô porque o professor é gordo, careca ou magrelo funciona como termômetro para medir a preferência pela modalidade.
A versão é do professor Jorge Sobreira, que toma como parâmetro o próprio perfil físico para demonstrar que, em relação ao judô, ocorre o contrário e o número de novos praticantes só faz aumentar. “Tenho 1,75 m de altura, 108 kg e sou meio calvo, mas meus alunos me adoram. A caderneta de freqüência é 100%”, festeja o faixa-preta 6º dan.
Uma amostra, segundo Sobreira, atual diretor técnico da Federação Bahiana de Judô (Febaju), será dada sábado, a partir das 8 horas, quando dezenas de judocas vão competir em várias categorias pelo Baiano, no Clube Campomar, em Jaguaribe.
“Vamos ter tudo de uma vez: o Baiano Infantil, o Pré-Juvenil, Júnior, Master, Por Equipe e Absoluto”, enumerou Roseane Santos, secretária da Febaju, enquanto ajudava Sobreira a encontrar telefones de três jovens campeões, dois deles sul-americanos.
Na manhã desta quinta-feira, 6, no primeiro dia de inscrições para as várias categorias do Estadual, 200 judocas já tinham confirmado presença. “Temos hoje oito mil atletas registrados na federação. Deste número, 60% são crianças. Sem cadastramento na Febaju temos 60 mil judocas”, informou o dirigente.
Campeões – Segundo Sobreira, o entrave na formação de atletas de ponta é mais por falta de vontade política. O que não impede de a Bahia de dar exemplo com garotos como Paulo Fernando, de Cruz das Almas, atual campeão brasileiro pré-juvenil, categoria super ligeiro; e os campeões sul-americanos pré-juvenis Gildizan de Jesus, peso pesado, e Hugo Leal, peso leve. O trio vai disputar o Estadual sábado.
“Como é que a gente pode realizar um campeonato de grande nível, como um Brasileiro, num Estado onde não tem nem estádio de futebol?”, questiona Sobreira. “Tudo aqui é Olodum, Araketu, Timbalada e nada para o esporte amador”, emenda.
A faixa-preta 4º dan Maria das Graças de Jesus, dona da Academia Assamaca, em Cruz das Almas, diz que o judô ganhou impulso ainda maior com os resultados na Olimpíada de Pequim. “Ganhamos novos adeptos. A mídia tem divulgado muito. Tenho 320 alunos e 90% deles são crianças”, revelou ela.
A procura pelas academias reflete o caráter educativo da arte marcial, segundo interpreta a treinadora. “Os pais trabalham e nem sempre podem ficar juntos dos filhos. O judô ajuda na educação doméstica e melhora o desempenho na escola, porque nós incentivamos isso”, defendeu.