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Crise econômica ameaça projeto baiano para Copa 2014

Nelson Barros Neto, de A Tarde
Por Nelson Barros Neto, de A Tarde

Comparável apenas ao crash de 1929 e responsável por reordenar as finanças do futebol europeu, a atual crise econômica tem força suficiente para atrapalhar a organização da Copa de 2014. É o que admitem especialistas como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para preocupação de governos brasileiros, em especial o da Bahia.



Desde o início de setembro, quando as empresas interessadas na sucessão da Fonte Nova apresentaram pessoalmente as suas propostas, o secretário de Esportes Nilton Vasconcelos dizia que a idéia era tirar o mínimo de dinheiro dos cofres públicos. “Zero, se possível”, acrescentava, apostando nos investimentos da iniciativa privada.



A nobreza do discurso, porém, deve se limitar ao planejamento inicial – como aconteceu, só para citar o exemplo mais recente, nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Neles, os R$ 414 milhões previstos em 2002, época do lançamento da candidatura carioca, viraram R$ 3,7 bilhões no ano passado: aumento de 793,72% sobre o primeiro orçamento.



“Realmente, o Estado deve ter uma participação maior do que aquela que se imaginava”, afirma o sócio-diretor da KPMG Structured Finance S.A, Maurício Endo, encarregado da chamada modelagem institucional para a reconstrução da praça esportiva.



Seu objetivo, trocando em miúdos, é justamente desenvolver um estudo que atraia outras companhias a investir no projeto baiano. Ou, nas palavras do secretário Vasconcelos, liderar um processo para a licitação de julho de 2009 “não se inviabilizar por falta de pretendentes”.



PRAZO – O pensamento, todavia, também é marcado por otimismo. “Estamos falando de um projeto que ainda vai ser implementado nos próximos anos. Se fosse algo a curto prazo, para os próximos meses, aí haveria uma preocupação maior. Claro que sofrerá algum impacto, mas acreditamos que essa crise deve, de algum modo, se acomodar”, complementa Endo.



Admitindo que “o cenário mudou”, ele prefere lembrar que a proposta da KPMG já vislumbrava uma parceria público-privada (PPP). Pela palestra realizada em Salvador, a praça esportiva seria administrada por terceiros, numa concessão de 35 anos.



A Fifa aguarda até o dia 15 de janeiro a entrega do anteprojeto básico de arquitetura do estádio. Salvador quer que tudo fique pronto logo em dezembro, embora Endo diga que “a gente ainda tá discutindo o prazo”. Questionado sobre mais detalhes e o andamento das conversas, rebate: “No momento, não tem como aprofundar mais. Agora, é seguir trabalhando, que nas próximas semanas voltamos a nos falar”.

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