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Crise no Bahia atinge departamento médico

Ausente da equipe do Bahia desde o dia 22 outubro, quando se contundiu na partida contra o Ferroviário, válida pela 4a. rodada do Octogonal da Série C, o atacante Paulo César fez um desabafo hoje no Fazendão. O atleta tricolor reclamou que, no departamento médico do clube faltam remédios e funcionários para dar andamento ao trabalho de recuperação dos jogadores.
Apesar de refutar as declarações de Paulo César, o diretor médico do Bahia, Marcos Lopes não escondeu as péssimas condições deste setor do clube. Por lá, os funcionários não recebem salários há 15 meses. Tenho tentado dar ao Bahia o que eu posso e o que eu não posso, contou Lopes, que não sabe como arranjar dinheiro para operar os jogadores Peris e Luciano Baiano, que dificilmente se livrarão da mesa de cirurgia. Eu uso da prerrogativa de médico, peço pra não pagar isso, não pagar aquilo, o pessoal já não aguenta nem me ver passar no hospital, brinca.
O diretor-médico contou que o zagueiro Emerson teve os custos de sua cirurgia cobertos pelo plano de saúde que possui: Emerson tirou 2 litros de sangue dentro do abdômen, se tivesse ido pra casa [depois do Ba-Vi] teria morrido.
Apesar da abnegação, Lopes não reclama. Em dezembro, completará 21 anos de Bahia e, neste período, diz que só colecionou amigos. Para garantir o sustento, Marcos Lopes precisa trabalhar também fora do clube, mas nem assim se desliga do time. Tem paciente que marca consulta comigo só pra dizer que está chateado com o Bahia, conta.
Preparação física em cheque - Segundo Marcos Lopes, algumas das muitas contusões que afligiram o Bahia foram fruto da maré de azar do clube. Mas, em outros casos, a má preparação física foi fundamental. Eu tenho uma filosofia, acho que o profissional de preparação física deveria ser do clube e não agregado da comissão técnica. O raciocínio do diretor médico é que, durante uma temporada, o mesmo atleta fica sujeito aos diferentes métodos de preparação das diferentes comissões que aportam no clube.