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Diretor das Olimpíadas de Londres critica modelo brasileiro

André Uzêda
Por André Uzêda

Com a credencial de quem organiza um evento marcado pela sustentabilidade e com equipamentos praticamente concluídos mesmo há um ano do início, o inglês Dan Epstein, diretor de regeneração urbana das Olimpíadas de Londres-2012, criticou o modelo brasileiro para viabilizar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

“Os planos de desenvolvimento sustentável no Brasil são realmente bons, mas falta pulso para colocá-los efetivamente em prática. Preocupa-me a questão do legado na área de desenvolvimento social e transporte público. Eventos como as Olimpíadas são oportunidades de transformar as cidades envolvidas. O Brasil ainda não mostrou indicações de atuar de forma séria nesta questão”, disse Epstein.

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O britânico participou, na sexta-feira, 12, do Congresso Nacional de Gestão de Projetos, realizado no hotel Fiesta, que teve como tema central a sustentabilidade.

“Passamos dois anos apenas planejando o que seria feito em Londres, para nos quatro anos seguintes tocar as obras. Agora, faltando um ano para as Olimpíadas, estamos na fase de testar os equipamentos visando aprimorar o uso. Todos os nossos passos foram sendo dados de forma transparente, informando o governo e a população do que estava sendo feito”, disse o dirigente.

Entre os feitos da organização londrina está a utilização de material ecologicamente sustentável, como o PVC verde (tipo de plástico que reduz os gastos nas obras e diminui o impacto ambiental) e os planos para ocupar os equipamentos de forma a não transformá-los em elefantes brancos.

“Temos um prédio que será um shopping de compras durante as Olimpíadas. Depois de 2012 será transformado em uma escola voltado para a comunidade”, revela.

Em relação a última Olimpíada, de Pequim, na China, em 2008, que optou por construções suntuosas, como o parque aquático Cubo dÁgua e o estádio olímpico Ninho do Pássaro, Londres gastou três vezes menos aço para edificar os mesmos equipamentos. “Nossa marca é a sustentabilidade e o legado”, define Epstein.

Fogo em Londres - Mostrando ligeira irritação, o dirigente inglês também comentou sobre os protestos que tem ocorrido no distrito de Tottenham, zona norte de Londres, nos últimos dias, com incêndios e confronto entre policiais e manifestantes.

“Isso sem dúvidas mancha a imagem da cidade para a Olimpíada. Essas pessoas que estão protestando não têm nenhuma causa para estar fazendo isso. São preguiçosas e não procuram emprego, apenas querem desestabilizar o governo. Em uma consulta à população de Londres, 97% desaprova essas manifestações. Não há razão para isso”, desabafou Epstein.

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