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Ginasta baiana está confiante para estréia em Pequim

Aurélio Lima, do A Tarde
Por Aurélio Lima, do A Tarde
| Atualizada em

Ter ficado para o final dos Jogos Olímpicos de Pequim significa aumento da ansiedade, mas também oportunidade de entrar na competição com 100% de aproveitamento das lições deixadas pelos erros e acertos dos atletas que se apresentaram antes. É como pensa a equipe de ginástica rítmica do Brasil, que tem no grupo a ginasta baiana Marcela Menezes, para a estréia nesta quinta-feira (21), por volta das 9h30 (horário de Brasília).

Direto da Vila Olímpica, ela falou para o A Tarde Online sobre a primeira participação nos Jogos, destacando que a concorrência forte é um dos principais fatores para disputar pontos sem poder se dar ao luxo de tropeçar nos próprios erros. “Pegamos todos os exemplos possíveis e refletimos sobre isso”, sinalizou Marcela, pouco antes do jantar e de se recolher para dormir, na véspera da estréia.

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Treinamentos intensivos de quatro anos seguidos, dia a dia, continuados em Pequim, não impediram uma pausa para analisar, problematizar e discutir a repercussão do desempenho dos atletas para usar esses fatores em favor da equipe. Entre os recortes feitos, estão os resultados de Diego Hypólito, Daiane dos Santos e Jade Barbosa, na ginástica artística; Fabiana Murer, no salto com vara; e até umas pinceladas discretas no fiasco da seleção brasileira de futebol masculino.

“Achamos que Diego (Hypólito) se desconcentrou no final. Para a gente, da ginástica rítmica, é ainda pior. Um deslize e o arco vai cair fora da quadra. É atenção o tempo todo”, lembrou, refletindo sobre o desfecho do ginasta, cotado ao ouro, mas que terminou em sexto lugar devido à queda no final de seu apresentação.

Numa comparação com a própria performance, a ginasta baiana diz que da glória para o fracasso basta um segundo de vacilo. Risco que ela e a equipe formada por Nicole Muller, do Paraná, Tayane Mantovaneli, do Espírito Santo, Luana Faro, do Pará, Luisa Matsuo, de Santa Catarina, e Daniela Leite, de Minas Gerais, sabem estar correndo. Razão para dobrar a concentração, haja vista que a maioria dos erros, como pontua a ginasta, são causados pela distração.

“Diego fez os primeiros saltos, que eram mais difíceis, impecáveis. Na última diagonal, de saltos mais fáceis, ele parece ter relaxado. Digo relaxar no sentido de não ter tido a concentração total necessária”, opinou Marcela. Segundo ela, essa é também a impressão capturada por toda a equipe, comandada pela técnica Mônica Queiroz e a assistente Juliana Coradine.

Outro resultado a entrar na pauta foi o de Daiane dos Santos. “A gente acha que talvez ela não conheça toda a sua força. Parece que sempre, nas competições mais importantes, ela quer dar mais do que deve. Tem que fazer igual ao melhor treino. Nem mais, nem menos. É por isso que a gente treina tanto”, assinalou.

Numa comparação com o caso de Fabiana Murer, cuja vara de salto sumiu, obrigando a atleta a saltar com outra, Marcela Menezes confessa que seria um caos para sua equipe passar pela mesma situação. Na opinião da ginasta, seria conveniente parar a disputa, durante pelo menos 5 minutos, até encontrar o aparelho. “Ela se abalou demais com isso. Como poderia agora, na última hora, saltar numa altura em que treinava, com uma vara diferente? Se fosse assim, a gente não precisaria treinar, né?”, questionou a atleta baiana.

Para ela, um eventual sumiço de cordas, aparelhos da estréia, ou arcos e maças, que serão usados no dia seguinte, traria influência no resultado final. “A gente até comentou sobre isso. Até que daria para competir, não seria impossível, mas ia atrapalhar muito. Já acostumamos com o peso, cor, tamanho. Tudo”, refletiu Marcela, ao revelar que a técnica Monika Queiroz seria capaz de fazer um “escarcéu” para localizar os aparelhos.

Já de saída para o jantar (eram 20h30 na China) e depois dormir, Marcela Menezes citou outro item importante na ginástica: a alimentação. “Hoje será o mesmo de sempre: iogurte, frutas, cereal. No almoço, salada, peixe ou outra carne”, disse. A dieta garante as medidas sem um grande gordura. Marcela, por exemplo, de 22 anos, tem 49 quilos distribuídos por 1,63 metro de estatura.

A prova – A nota máxima da ginástica são 20 pontos, metade creditada ao valor técnico (vt) da apresentação e a outra parte ao valor artístico (va). O valor técnico são as dificuldades para execução do movimento. Saltos, equilíbrios, pivôs (giros) e flexibilidades. Cada um desses exercícios tem um valor que está no código de pontuação. A execução perfeita dos movimentos planejados vale 10 pontos.

Pelo critério de pontuação, soma-se o va e o vt e depois divide a ambos por dois. A execução inteira é somada com a divisão do vt e do va. Para a competição do conjunto, são observadas ainda trocas (lançamentos entre as ginastas). O va é traduzido, ainda, como aquela coreografia em que as colaborações passam uma por cima da outra. Lançando ou não o aparelho.

A execução é a chamada limpeza do movimento. É feita nas pontas dos pés esticados e a pernas igualmente esticadas. A arbitragem fica atenta ao manejo correto do aparelho. A simples queda ou perda do aparelho significará perda de pontuação.

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