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Ginástica se preocupa com assédio e torcida no Pan do Rio

Agência Reuters
Por Agência Reuters

Primeiras atletas a desembarcar na Vila Pan-Americana, as brasileiras da ginástica artística chegaram ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira preocupadas que o assédio da torcida e especialmente da mídia possa atrapalhar durante a competição que está entre as favoritas do público.

Uma das modalidades com maior procura por ingressos no Pan, a ginástica foi o centro das atenções no dia em que a moradia dos atletas foi oficialmente aberta. Além de terem sido as primeiras a deixar suas malas nos apartamentos, as meninas também já treinaram na arena que será palco da competição a partir da próxima semana.

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Sem nenhuma outra delegação brasileira na Vila, as dezenas de câmeras e jornalistas que já estão no Rio para a cobertura do Pan concentraram seus esforços nas piruetas e acrobacias dos homens e mulheres da seleção, o que causou espanto até para quem já tem experiência de dois Jogos Olímpicos.

"A gente sabe que é preciso porque é através da imprensa que a ginástica vai ser divulgada, mas com certeza assusta um pouco chegar aqui com este monte de repórter esperando pela gente", afirmou Daniele Hypólito, em meio a vários microfones e câmeras, após o primeiro treino da equipe na Arena da Cidade dos Esportes, no Autódromo de Jacarepaguá.

"Temos que ter paciência para atender a todos, mas não deixa de ser uma surpresa ver tantas pessoas já no primeiro dia", acrescentou Daniele, que disputou as Olimpíadas de Sydney-2000 e Atenas-2004.

Enquanto a torcida comemora a possibilidade de ver os astros e estrelas do Brasil competindo em casa, a sensação dos atletas é que a dificuldade será maior aqui do que no exterior. Além da pressão emocional, o comportamento inadequado dos torcedores é outra coisa que preocupa.

Acostumados com os estádios de futebol, onde quanto mais alto os cantos de incentivo melhor para o time, os torcedores precisariam de uma aula para se adaptar aos padrões exigidos na ginástica para que os atletas tenham o melhor desempenho.

"Competir em casa é mais complicado porque você vive diretamente com a pressão. Por um lado é legal porque vai estar cheio, mas você tem que fazer um bloqueio porque é muita gritaria", confessou a ex-campeã mundial do solo Daiane dos Santos.

"Ginástica não é futebol, algumas vezes a torcida grita tanto que atrapalha, em alguns momentos a gente até parece antipática, mas é porque precisamos de concentração", afirmou.

NOVATAS

Se as veteranas vêem problemas, para as mais jovens a situação se complica ainda mais. Jade Barbosa, de 16 anos, e Khiuani Dias e Ana Claudia Silva, ambas de 15, estão ansiosas para encontrar os 13.000 torcedores que devem lotar a Arena.

"Já está dando aquele friozinho na barriga", disse Khiuani.

Daiane, de 24 anos, disse que não se pode fugir do peso de uma estréia. "Para elas é muito complicado, é a primeira vez em uma grande competição e elas vão competir já em casa num ginásio enorme", afirmou.

Daiane também garantiu estar recuperada de uma contusão no tornozelo que a afastou dos treinamentos por quase dois meses no início do ano, e disse que sua condição física está dentro dos padrões normais para ginastas de ponta: "sempre tem uma dorzinha em algum lugar".

Além da seleção feminina, a equipe masculina de ginástica artística também chegou ao Rio nesta quarta e repetiu a mesma programação das meninas na Vila e na Arena. No sábado, haverá a inauguração oficial da Arena num evento de exibição das equipes de ginástica.

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