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Grande Mestre Internacional Milos inaugura clube de xadrez em Salvador

Tássia Novaes, do A Tarde On Line
Por Tássia Novaes, do A Tarde On Line
| Atualizada em

Trinta cabeças baianas somaram forças em partida simultânea contra o Grande Mestre Internacional de Xadrez, Gilberto Milos, seis vezes campeão brasileiro e participante de dois campeonatos mundiais. O evento, realizado na noite da última quarta-feira, 13, marcou a inauguração do Clube de Xadrez do Instituto Social da Bahia (ISBA).

Ao final de 2h30 de pura concentração, Milos venceu 25 partidas, empatou quatro e perdeu apenas uma, para o baiano Adriano Barata. A simultânea teve início por volta das 19h30, quando os participantes montaram seus tabuleiros à espera do grande desafio. Todos os celulares foram desligados e o único som que podia se ouvir no ambiente era o ruído sutil do arrastar das peças cada vez que Milos ficava de frente com o adversário - eram 30 de uma única vez. O xadrez é a única modalidade esportiva que permite a uma pessoa enfrentar grande número de adversários ao mesmo tempo, em condições de aproximada igualdade.

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Fundador do clube, o professor Edmário Lima, que leciona Física no Isba há mais de 25 anos, destacou a importância de ter em terras baianas um jogador profissional de referência internacional. “É o início de um diálogo entre alunos de todas as idades, desde o primário até o 3º ano do ensino médio, com um esporte que incentiva o raciocínio lógico e a concentração“, disse.

Segundo a coordenadora de disciplina Márcia Menezes, a idéia é inserir o xadrez como complemento curricular. “Os menores chegam com curiosidade, os mais velhos já encaram o desafio com mais seriedade. A intenção é que o clube seja um multiplicador de conhecimento na comunidade local“, enfatizou. O xadrez é disciplina escolar obrigatória em alguns países europeus. Na Romênia, por exemplo, as notas de matemática dependem 33% do desempenho do aluno no tabuleiro.

Instalado nas dependências do Ginásio de Esportes do Isba, em Ondina, o Clube de Xadrez dispõe de estrutura própria, com mesas, tabuleiros e relógios, e é acessível não apenas aos alunos do colégio, mas também à comunidade local..

Para Milos, iniciativas desse tipo contribuem para a popularização do esporte, além de proporcionar benefícios diversos. “Não é um esporte muito divulgado no país. Inseri-lo na comunidade acadêmica é o primeiro passo para a difusão“, acredita.

Incentivo - No xadrez, há um ensinamento que ultrapassa os limites do tabuleiro. “O bom jogador estuda suas partidas para aprender com os erros“, avalia. Além disso, é um esporte sem restrinção de idade ou gênero. “Homens e mulheres de idades variadas podem se enfrentar na mesma categoria“, explica Tiago Miranda, jogador amador também à frente da fundação do Clube.

Presente na partida simultânea, o baiano Diogo Duarte, que recentemente disputou a semi-final do campeonato brasileiro em Pernambuco e também a Taça Internacional em Brasília, explica que o esporte carece de incentivos na Bahia. “Precisamos de mais eventos, principalmente, torneios que dêem acesso ao ranking internacional“.

O esporte, de forma geral, tem evoluído positivamente no país. Milos lembra que há 25 anos o Brasil estava entre os 50 melhores do mundo. “Hoje já estamos entre os 20 e na América estamos ao lado de Cuba e dos Estados Unidos“, conta.

Trajetória - Aos 44 anos, o Grande Mestre Internacional, Gilberto Milos, lidera o ranking nacional há dez anos. Em 2000, ocupou a 38ª colocação no ranking mundial e obteve o maior "rating" (2644 pontos) que um brasileiro já alcançou em toda a história do xadrez nacional.

Milos dedica-se integralmente ao xadrez. Tudo começou aos cinco anos. ”O primeiro contato foi com meu pai, que não era profissional, mas tinha paixão pelo jogo”, conta.

Em 1987, conquistou o campeonato sul-americano realizado em Santiago do Chile, e no ano seguinte obteve o titulo de Grande Mestre Internacional. Milos representou o Brasil em oito jogos olímpicos e, desde 1995, é o melhor brasileiro no ranking mundial. Tem dois livros publicados - um deles, Xeque e Mate, escrito em parceria com o professor Davy D‘Israel, distribuído nas escolas municipais paulistas por meio de uma parceria entre o governo e a Federação Paulista de Xadrez.

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