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João Neto, do Bahia, crava: “Não basta ter nome”

Daniel Dórea
Por Daniel Dórea
| Atualizada em

João Neto. Destaque dos dois últimos Estaduais pelo Bahia de Feira. Também autor do gol que deu o título baiano deste ano ao Tremendão. Pouco para quem quer brilhar na Série A com a camisa do Esquadrão?

Ele acredita que não, mas, por enquanto, os acontecimentos indicam resposta afirmativa. Dos três jogos que o tricolor disputou no Brasileiro, ele participou apenas dos últimos minutos do primeiro. Depois, foi excluído até do banco.

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Na última segunda, 7, enquanto os jogadores que perderam para o Grêmio desembarcavam no aeroporto, ele recebia a reportagem do ESPORTE CLUBE em sua nova casa, na Praia do Flamengo. Passou o final de semana treinando. Folga, só no domingo.

“Muita coisa mudou, né? No Bahia de Feira, eu estava acostumado a jogar sempre e as pessoas confiavam em mim para decidir os jogos. Aqui, ainda preciso buscar o meu espaço”, constata o atacante.

Tudo bem. Desafio não tão complicado se comparado à aventura da vida de João. Na pequena Correntes, em Pernambuco, onde nasceu, teve de trabalhar como serralheiro para ajudar o pai, que tinha dificuldade para sustentar a família – esposa e mais dois filhos.

Aliás, superar a pressão para interromper a tradição de serralheiros na família e ingressar no futebol também não foi fácil. “Deu briga com meu pai e meu avô. Eles só aceitaram quando assinei meu primeiro contrato profissional, no Central de Caruaru. Foi uma festa”, conta.

Quanto à ida para Caruaru, ele agradece ao antigo professor de ciências Roberto, que o viu jogando na escola e ajudou a colocá-lo no Central. Além de Roberto, João tem outro grande padrinho na carreira: o treinador Arnaldo Lira, que confiou em seu potencial desde que o descobriu, ainda em Pernambuco.

Acreditou tanto que chegou a bancar sua ida a Tubarão, em Santa Catarina. João não podia atuar pelo Hercílio Luz, pois já tinha realizado duas transferências em 2009. Então, só treinava, sem receber, e morava com a família no alojamento do clube. “Arnaldo me ajudava muito, mas sofri naquela época. Não foi legal para minha mulher e meu filho”, lembra o atleta.

Sonho realizado - Assim, João foi para São Paulo, onde seus familiares moram até hoje – o pai é serralheiro em uma indústria de lá. Esperava pela chance que pudesse mudar sua vida. “Sabia que um dia teria um bom carro na garagem e jogaria em um grande time”.

Hoje, tem as duas coisas, mas, antes, teve que arrebentar no Bahia de Feira, comandado pelo mesmo Lira. A vida de João mudou tanto com a passagem pela Princesa do Sertão que ele a inclui no seu maior sonho: “Quero comprar uma casa lá pra morar com minha família”, revela ele, que é casado com Lucicleide há sete anos, mesma idade de João Júnior.

Agora que está mais perto de deixar para trás a pecha de “jogador de time pequeno”, ele quer fazer valer todo o seu esforço. Tem noção do peso das demais contratações tricolores, mas pondera: “Contratar jogadores só pra fazer marketing é ruim. Não estou dizendo que é o caso do Bahia, mas não basta ter nome. Às vezes é melhor um desconhecido com objetivos do que um famoso conformado”.

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