ESPORTES
Jogadores do Leão se apoiam na família para engolir resultado
Quando o animado volante Vanderson se recusa a falar, é porque no Barradão o clima não é dos melhores. O Pitbull não mordeu ninguém, mas pediu apenas para ficar calado, para não falar besteira. “Estou entalado com algumas coisas. É melhor ficar quieto em momentos como este para não falar besteira e se arrepender depois”, disse o solicito atleta.
Porém, companheiro de Vanderson nas brincadeiras, Wallace resolveu desabafar e demonstrar que o clima não é de tristeza, mas de revolta. “Poderíamos perder, mas não daquela forma. Fomos claramente prejudicados pelo árbitro. No pênalti, ele sequer mandou Schwenck levantar. No vermelho de Uelliton, ele mostrou após pressão de Nen”, disse o zagueiro.
Entretanto, a raiva do prata da casa é com o jogador Rodrigo Gral. “Nunca em nenhum clássico ou qualquer jogo alguém me faltou com o respeito como Rodrigo Gral. Me xingou de tudo que foi nome. Pela primeira vez alguém me tirou do sério. Só não entendo como um atacante que só fez dois gols no campeonato coloca tanta banca assim. Mas o mundo dá muitas voltas. Não quero ver ele antes da final”, completou Wallace.
Mas a revolta passa quando o filho Lucas, de 4 anos, encosta no pai durante a conversa com os jornalistas. O primogênito só não tem contrato assinado com o clube, mas quase sempre está no Barradão, inclusive fazendo trabalhos físicos e batendo uma bola na Toca. E em tempos de derrota pós-clássico, Lucas trouxe o avô para apoiar Wallace. Seu Edson veio de Conceição de Coité para dar uma força. “Sempre depois de um clássico é complicado mesmo. Veio a família toda para acompanhar o Ba-Vi, sempre desgastante. A mãe dele [dona Edna] teve que ir cedinho, mas fiquei com meu filho mais tempo”, assegurou.
É justamente esta união que sempre deixou Wallace mais tranquilo, não só no Ba-Vi, como em toda carreira. “Esta união acontece desde sempre. Este menino só me deu trabalho com futebol. Quando morávamos no Rio de Janeiro, ele teve três ataques de pneumonia. Na terceira, me chamaram no trabalho para avisar que ele, mesmo doente, estava jogando bola no sol de meio-dia com os amigos”, lembra Edson.
Sobre a revolta de Wallace com o Ba-Vi, o pai garante que não é comum o zagueiro rubro-negro ficar assim. “Ele sempre foi de família. Casou aos 17 e é dedicação total. Quando perde um Ba-Vi fica triste, mas não com raiva da injustiça que fizeram com o Vitória”, conta o paizão, que acompanhou o jogo da arquibancada.
Vendo o neto no Barradão, Edson não tem muita esperança que a geração jogador passe de pai para filho. “Lucas é Vitória doente e gosta muito de futebol. Mas acho que não vai levar o mesmo jeito do pai. Ele terá outras opções na vida, como se dedicar ao estudo. Porém, se quiser ser jogador tem que pegar ônibus todo dia como batalhou seu pai, que criou responsabilidade desde os 13 anos aqui no Vitória”, profetizou.
Mais criança - Nada como a garotada para esfriar os ânimos dos jogadores. Além de Wallace, o atacante Schwenck também resolveu levar seu filho David, de 3 anos, para amenizar sua raiva com o árbitro do Ba-Vi, Arilson Bispo da Anunciação.
“Eu pensei que ele estava longe do lance, mas estava perto e não marcou porque não quis“, disse o atleta, pelo pênalti sofrido e não marcado pelo juiz.
Schwenck também lembrou que foi puxado antes deste lance polêmico, também dentro da área. ”O melhor agora é esquecer e continuar em frente“, completou.