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Jogo de cena

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O deputado federal Marcelo Guimarães Filho (PMDB) exercita a arte do convencimento. Espera por esses dias amaciar opositores para oficializar candidatura à presidência do Bahia em ambiente mais tranqüilo.
O discurso é o do não ao continuísmo. Mas está sendo difícil para o parlamentar em segundo mandato convencer interlocutores de que o filho tem idéias diferentes do pai, cuja administração foi considerada lastimosa.
Obrigado a freqüentar o plenário da Câmara em Brasília, Marcelinho (ou algum zebrão) vai administrar em Itinga um clube com dívida confessada de R$ 47 milhões, além do vermelho deste ano e uma profunda crise política.
Sem títulos desde 2002, o Bahia vem sofrendo do mal diagnosticado de má gestão. Os dirigentes são acusados de prática de métodos administrativos arcaicos e inibidos.
A torcida tem manifestado insatisfação com o processo. No último domingo, 23, fez carreata de protesto. Nesta sexta-feira, 28, a partir das 15h, tem passeata no Centro. Pela internet e nos microfones, o não a Marcelinho colaborou para o candidato não formalizar intenção.
Antes de Marcelinho, nomes surgiram com possibilidade de suceder o atual presidente Petrônio Barradas. O mais forte deles, Reub Celestino, presidente da Ebal, se retirou do processo rejeitando o bate-chapa.
O empresário Fernando Jorge Carneiro, que na eleição passada enfrentou Petrônio, repete que vai de novo à guerra dos votos. O conselheiro nato Rui Cordeiro confirma candidatura e o também empresário Gilberto Bastos corre por fora.
Nos bastidores, no entanto, dá-se a eleição por definida, após o conselheiro e ex-presidente Paulo Maracajá ter-se decidido em favor de Marcelinho, de sua corrente política.
Criou-se uma expectativa de que Marcelo pai e Maracajá – os dois maiores eleitores do clube – haviam se desentendido e dividido os votos. Os velhos companheiros conciliaram e, por ora, são imbatíveis.
E mais: Bastos deve compor a chapa do situacionista em companhia de outros conselheiros influentes, como os advogados Ademir Ismerin e Celso Castro.
Para piorar o quadro da oposição, Rui Cordeiro, apoiado por alguns setores de resistência, não poderia ser candidato porque em 2002 ordenou o cancelamento do título como forma de protesto. Mas ele nega que o Bahia tenha concluído o processo, lembra que é um membro nato do Conselho e em último caso “recorre à Justiça”.
Os mentores de sua candidatura entendem que a eleição se resumirá ao confronto de Rui com Marcelinho. Mas acreditam que o duelo pode ser evitado caso surja nome de consenso.
O staff de Rui acha que só o governador Jaques Wagner teria autoridade para comandar uma assembléia de tricolores com legitimidade no processo sucessório e encontrar um pacificador.
Entre os torcedores com essa legitimidade estariam o também advogado Ismerin; os empresários Fernando Jorge, Edmilson Gouvêia, Jorge Pires; o chefe de gabinete Fernando Schimidt; o diretor técnico da CBF, Virgílio Elísio; o conselheiro do TCE, França Teixeira, entre outros.
Os homens que apóiam Rui Cordeiro prometem que, se esse candidato de consenso vir assumir a presidência do clube, o braço da resistência da qual fazem parte desistirá de tentar abrir a “caixa preta” do clube.
Se assim não for e se Marcelo Guimarães Filho suceder Petrônio Barradas, a promessa é de barulho a vista. O grupo ameaça dar entrada em queixas crimes nos Ministérios Públicos Estadual e Federal, e Polícia Federal, com base em novas descobertas envolvendo o Banco Opportunity.