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Justiça rejeita as contas do Esporte Clube Bahia

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Como se não bastassem as suspeitas sobre a ligação do clube com empresas laranjas do banqueiro Daniel Dantas, emergidas desde o início da Operação Satiagraha, o Bahia ganhou uma nova “dor-de-cabeça” para se preocupar. Uma semana depois das insinuações da Polícia Federal de ter sido usado para lavagem de dinheiro de um fundo de investimentos do Grupo Opportunity – o que nega cabalmente –, o tricolor teve as contas dos exercícios financeiros 2005 e 2006 rejeitadas pela Justiça Estadual.
A ação, de autoria do sócio e conselheiro Jorge Pires, ingressada em julho do ano passado, teve sentença favorável publicada no Diário do Poder Judiciário desta quinta-feira (17). Nela, o juiz Manuel Bahia, substituto da 4ª Vara Cível de Salvador, condena o presidente Petrônio Barradas a apresentar uma nova documentação, corrigida, no prazo de 48 horas.
Se não fizer isso, não poderá mais tentar impugnar as peças de Pires, que já vislumbra a próxima medida a ser tomada: a destituição de Barradas e de todo o Conselho Deliberativo do clube, que aprovou as contas consideradas irregulares em julho de 2007, fora do prazo legal e estatutário. “A ação já está engatilhada para darmos entrada na segunda-feira (21)”, diz, otimista. “A partir daí, o juiz criaria uma junta para administrar o Bahia neste momento de transição e fazer a aguardada eleição direta, democrática”, complementa.
Segundo ele, “o clube está entregue a uma quadrilha”. “Todos que circularam o Bahia foram presos recentemente. Agora, Daniel Dantas. Antes, o ex-presidente Marcelo Guimarães (na Operação Jaleco Branco, também da PF)”. Para o colega de oposição à diretoria João Mário, “a caixa-preta tricolor finalmente está sendo aberta”.
Não por acaso, a decisão judicial também cobra esclarecimentos tanto sobre o contrato com o Opportunity, firmado em1998, quanto sobre as negociações de lá para cá da empresa Bahia S/A. Na terça-feira, a assessoria de imprensa do clube divulgou papelada para provar que a venda do lateral-direito Daniel Alves ao Sevilla, em 2004 (hoje no Barcelona e da Seleção Brasileira), ocorreu sem cometimento de nenhum dos crimes investigados pela Polícia Federal baiana, como evasão de divisas e fraude ao sistema financeiro nacional.
A nova situação enfrentada por Petrõnio Barradas acontece exatos sete meses após a juíza Aidê Ouais, da 8ª Vara Fazenda Pública, determinar o afastamento do cartola, acatando liminar do Ministério Público Estadual. A alegação, na época, era de que o presidente seria um dos resposnsáveis pela tragédia da Fonte Nova, em 25 de novembro último, quando sete torcedores do Bahia morreram no desabamento de uma laje da praça esportiva.
O retorno de Barradas se deu seis dias depois, amparado em agravo de instrumento, que conferiu efeito suspensivo à decisão, aceito pela desembargadora Vera Lúcia Freire de Carvalho. Desta vez, ele não foi encontrado para comentar a ação de prestação de contas. Idem para a advogada do clube no processo, Tamaa Medina, cujo celular também não atendeu às ligações.