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ESPORTES

O verdadeiro guerreiro não se excede na vitória, diz Belfort

Diego Adans

Por Diego Adans

17/11/2013 - 13:24 h
Vitor Belfort, lutador de UFC
Vitor Belfort, lutador de UFC -

O presidente do UFC, Dana White, havia prometido que o carioca Vitor Belfort lutaria pelo cinturão dos pesos-médios caso vencesse Dan Henderson em Goiânia há 15 dias. O carioca fez sua parte com um nocaute no primeiro round. O dirigente confirmou sua promessa e Belfort vai enfrentar o vencedor da revanche entre Chris Weidman e Anderson Silva, dia 28 de dezembro. Em entrevista exclusiva ao A TARDE, Belfort, de 36 anos, falou sobre a chance de conquistar o cinturão da categoria, 'cutucou' Anderson Silva e respondeu ainda sobre o polêmico tratamento TRT (uso de uma terapia de reposição de testosterona) - que faz desde 2011 e é alvo de críticas.

Como foi receber a notícia do Dana White de que você está credenciado a disputar o cinturão dos peso-médios?

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Fiquei feliz. Quando você conquista o seu espaço ninguém pode tirá-lo. Acho que o meu está conquistado. Tem um peso tremendo você ouvir o Dana falar que vai te dar uma luta, que foi uma vitória incontestável. Só me imagino campeão. Tenho essa meta, e o final dessa jornada será vivenciado. O melhor momento que vivo é o agora e vou me esforçar para melhorar ainda mais. Pode esperar.

Qual é o palpite para o duelo entre Anderson Silva e Chris Weidman? O que esperar desta luta? Tem favorito?

Sinceramente? Não quero ofender ninguém, tampouco passar a imagem de ignorante... Mas não estou preocupado com isso. Estou numa ótima posição e estarei lá esperando o resultado.
Após a perda do título de Anderson Silva, você publicou no seu twitter a frase: "Carisma, humildade e respeito. Ou você nasce com, aprende a ter, ou então, nunca vai ter".

Muitos interpretaram como uma indireta ao "Spider Man". Foi isso mesmo? Há rusgas entre vocês dois até hoje?

É um lição que serve para todos aqueles que não têm humildade e respeito pelo próximo. Isso serve para todos! Quanto a rixa, não tem. Minha derrota para ele (no UFC 126, em fevereiro de 2011) trouxe grande louros para o Anderson. Na realidade, às vezes o sucesso sobe à cabeça das pessoas, e elas tendem a se sobrepujar em algumas coisas. Ele foi muito bem naquela luta, me deu um chute muito bem aplicado, colheu o fruto dele. Acho que merece, não foi à toa. Agora, o verdadeiro guerreiro não se excede na vitória.

Já pensou na possível revanche com o Aranha?

Penso só e somente no cinturão. Não em revanche.

Agora, vamos à polêmica questão do TRT (uso de uma terapia de reposição de testosterona) adotada por você. Você começou a fazer uso da terapia no ano passado. Desde então, emendou uma sequência de três vitórias seguidas. Há insinuações de que você vem obtendo vantagens com isso...

Disse isso nesta semana e volto a repetir: vou abrir um escritório e vou ensinar as pessoas a aceitar suas mazelas. Comecei a fazer o tratamento depois da luta contra o Anderson. Tive que fazer uma série de exames, e foi quando detectaram isso. A gente tentou fazer a reposição de várias maneiras e não estava adiantando. Para quem não sabe, vários artistas de Hollywood fazem. Eles chegam a uma idade em que não produzem direito o hormônio e fazem para ter uma vida mais ativa. A vida da pessoa melhora, a pele melhora, enfim... Hoje existe uma ciência por trás disso. É uma deficiência que o seu corpo tem, e o tratamento te oferece a chance de ter uma qualidade de vida melhor. Assim como hoje existem tratamentos para bipolaridade, diabetes, até diabetes infantil. Não é uma doença, é uma deficiência. Faço tudo legal, não escondo de ninguém. O TRT não ensina ninguém a fazer o que eu faço.

Algumas comissões atléticas, como a de Nevada, por exemplo, não aceitam o TRT. Dá para dizer que você nunca mais vai lutar nos Estados Unidos?

O Dana (White, presidente do UFC) já está tomando conta deste processo aí. Prefiro não falar muito sobre isso.

Caso até a disputa do cinturão você esteja proibido de lutar nos Estados Unidos, seria um sonho seu lutar no Brasil?

Sonho com o Maracanã lotado! Seria muito bacana.

Mesmo visando ao título dos médios, você ainda tem o desejo de uma revanche contra Jon Jones, campeão nos meio-pesados?

Não vejo como revanche e, sim, uma oportunidade de disputar o título novamente. Cheguei muito perto de vencer aquela luta logo no primeiro round. Acho que merecia ter a chance de tentar esse cinturão novamente.

Você é o único dos grandes nomes do nosso MMA que defende a ideia de que amigos devem lutar entre si, por se tratar de uma competição. Como vê essa diferença de opinião?

Se somos amigos jamais podemos tirar o sonho do outro. Não brigamos, lutamos, e se dois amigos chegam a uma final, por que não competirem por título? Se queremos que nosso esporte se torne olímpico, isso deve rolar.

Você é um cara de bastante personalidade. Bateu de frente até com o presidente do UFC, Dana White...

Deixa eu explicar. Logo após o Chris Weidman derrotar o Anderson Silva, eu pedi uma luta pelo título. O Dana chegou a reclamar do meu comportamento (Afirmou na época que recebeu 170 mensagens com pedido de luta por título e declarou que Vitor estava "fora de si"). Acredito que todos cometemos erros e a chave da vida é reconhecê-los. Conversei com o Dana e pedi para ele me perdoar por tudo que fiz. Foi o que ele fez. Tanto que me deu esta oportunidade agora.

Em entrevista ao Combate (programa do canal a cabo SporTV), você falou sobre uma possível aposentadoria. Já tem algo planejado? Pensa em se tornar, por exemplo, dirigente do UFC, já que você recebeu convite da organização para isso?

Ah, penso... O Dana White e Lorenzo Fertitta já me ofereceram o papel de executivo quando deixar o octógono. Eu tenho vontade de poder trabalhar para o UFC, de ser um executivo para eles, principalmente no meu país. Trabalhar com o esporte aqui no Brasil, criar novas oportunidades para o MMA.

Esta semana, você, inclusive, lançou na comunidade de Cidade de Deus o projeto "Escola da Paz". Como é, para você, apoiar ações como estas?

O projeto "Escola da Paz" é querer ensinar as pessoas a serem cidadãos. É muito fácil fazer um campeão dentro do octógono. Mas o mais difícil é fazer um campeão na vida. Então, o projeto quer ensinar às pessoas que a verdadeira luta é travada fora do nosso ambiente de trabalho, e eu acho que esse é o meu compromisso com a sociedade.
Recentemente, você também fez uma 'ponta' como comentarista para a Rede Globo numa edição do UFC.

Lutador e especialista no esporte, na sua opinião, o que houve com Junior Cigano no revés diante do Cain Velasquez valendo o título dos pesos-pesados?

Olha... Eu sei de minhas lutas. Ele é um grande lutador, tem talento, jovem. Mas preferiria que ele respondesse. Minha opinião pode gerar uma controvérsia, discursos distorcidos. Prefiro ficar em silêncio nessa hora. Sei que ele tem um grande futuro pela frente e torço por isso.
Em 2012, você lançou o livro "Vitor Belfort: Lições de garra, fé e sucesso!".

Num dos capítulos, você conta o problema que enfrentou com o desaparecimento da sua irmã (Priscila), em 2004, e diz que essa ferida já se cicatrizou. Como trabalhou para fechar a ferida do sumiço da sua irmã? Ainda nutre a esperança de revê-la?

Através da minha fé e do meu relacionamento com Jesus Cristo. Não há outra maneira. É claro que a dor é imensa, mas foi Jesus quem me capacitou não só a conviver com essa ferida, como também a perdoar quem possa ter sido responsável pelo desaparecimento de minha irmã. Muita gente pode até achar que falo da boca para fora, mas é a pura verdade. Onde ela estiver, Deus estará com ela.

Na infância, o Belfort deu alguns passos no futebol. Foi zagueiro do Nova Geração, time treinado por Zico no fim da década de 80. Como foi a experiência? Se não tivesse se tornado lutador, teria ingressado na carreira de jogador?

Toda criança no Brasil tem esse sonho. Hoje, toda criança sonha ser jogador de futebol ou lutador do UFC. O futebol sempre fez parte do brasileiro. Só que eu migrei para a luta desde cedo. Graças a Deus consegui ser um precursor, um abridor de caminhos para o meu esporte. Nós (o MMA) não temos a economia ainda como o futebol, não ganhamos contratos milionários como o futebol, mas no futuro breve vamos ter grandes contratos. Quanto ao Belfort no campo, eu era um bom zagueiro. Por incrível que pareça, técnico. Marcava até uns gols de cabeça, pode perguntar ao Zico. Ali, sabe muito de bola.

Além de lutador, ex-jogador, é verdade que você também é poeta e chef de cozinha?

Pois é... Todos somos sensíveis, só que nem todos têm coragem de mostrar seus sentimentos. Eu decidi fazer poemas, aos treze anos, porque não me envergonho de nada do que sinto. Na cozinha, também me viro. Fui até ao programa de Ana Maria Braga (na Rede Globo). Não sou um grande chef, mas sei cozinhar algumas coisas.

Você é casado com Joana Prado, que fez carreira como artista. Hoje ela é esposa, mãe e fã...

É meu porto seguro! Sem ela, não seria nada! É meu grande amor! Além de ser minha empresária também.

Hoje, qual é o grande sonho do Vitor Belfort?

Presenciar meus filhos (Davi, Victória e Kyara) se formando e constituindo família, envelhecer ao lado da minha esposa (Joana Prado), ser bom exemplo para essa geração de novos lutadores e deixar um legado no esporte.

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