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Baiano Isaquias Queiroz tenta igualar marca de Scheidt e Grael em Olimpíadas

Publicado domingo, 01 de agosto de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 31/07/2021, 18:31 | Autor: Eduardo Cohim
Isaquias disputa a etapa classificatória da C2 1000 | Foto: Jonne Roriz | COB
Isaquias disputa a etapa classificatória da C2 1000 | Foto: Jonne Roriz | COB -
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Único atleta brasileiro com três medalhas numa única edição de Jogos Olímpicos, Isaquias Queiroz, 27 anos, estreia neste domingo, 1º, em Tóquio, às 22h (da Bahia), na prova classificatória da canoagem velocidade em dupla (C2 1000 m). Ao seu lado, estará outro baiano, Jacky Godmann, 22 anos, que substitui Erlon Souza, com quem Isaquias competiu em 2016, mas que está afastado devido a uma lesão no quadril.

Para a dupla de Ubaitaba, município a 450 km de Salvador, o adiamento de um ano desta edição pode ter sido um ponto positivo. A recente conquista da medalha de bronze na Copa do Mundo de Canoagem, em Szeged, na Hungria, é sinal disso.

O objetivo inicial dos parceiros é terminar a prova classificatória pelo menos em segundo lugar, o que garantiria vaga direta às semifinais. Caso contrário, disputarão as quartas de final logo em seguida, a partir de 0h20. Semifinais e finais serão realizadas apenas na segunda-feira à noite, a partir das 21h44 e 23h45, respectivamente (todos os horários da Bahia).

Isaquias ainda volta a remar em mais uma categoria, neste caso individual, pela canoagem velocidade C1 1000 m (na próxima quinta-feira, dia 5, às 21h44). O brasileiro entra como candidato a pódio nos dois eventos, mas no individual a expectativa é de um inédito ouro para a canoagem. Só não disputará mais uma prova porque a modalidade C1 200 m foi retirada dos Jogos.

Ciclo de perdas

A expectativa sobre Isaquias Queiroz é grande. Primeiro pelo seu talento inato, é claro – não por acaso é nascido na ‘Terra das Canoas’, literalmente o significado de Ubaitaba em Tupi – mas também pela competência de um outro personagem. O espanhol Jesús Morlán, considerado por muitos um gênio do esporte, elevou o patamar do canoísta. A parceria com o treinador começou em 2009 e rendeu frutos rapidamente. No primeiro evento do baiano, um ouro, algo que ainda não havia acontecido. Na Rio-2016, o resultado do trabalho histórico: duas pratas e um bronze.

Dois meses após a Olimpíada, Morlán foi diagnosticado com câncer no cérebro. A partir daí, a doença passou a fazer parte do seu dia a dia, assim como os tratamentos. Fugindo da indicação dos médicos, manteve a rotina de treinos e o bom humor pelo qual era conhecido. Faleceu em novembro de 2018, mas deixou um grande legado através de Isaquias, e um pedido: que as embarcações fossem da cor azul, em homenagem à equipe de Fórmula 1 Red Bull Racing, da qual Jesús era fã.

Isaquias Queiroz ainda terá outro percalço pela frente. A ausência de Erlon Souza, companheiro por sete anos e com quem escreveu o nome no esporte, certamente é irreparável. No entanto, ainda pode servir de incentivo ao jovem estreante Jacky Godmann. “Eu e Erlon fomos criando uma vontade de fazer a canoagem brasileira virar uma potência, ser reconhecida, ter visibilidade. Por isso que a gente treinou e se dedicou. Erlon, nos últimos meses, tentou, treinou, forçou para tentar chegar aos Jogos. Então eu falava para os meninos que se Erlon estava treinando com dores eles têm que aguentar treinar sem dores”, declarou Isaquias.

De azarão a favorito

Diferente do que foi na Rio-2016, o baiano chega a Tóquio com pinta de favorito. Apesar da série de conquistas antes da Olimpíada em casa – três ouros em Copas do Mundo de Canoagem e mais dois em Pan-Americanos – as medalhas em 2016 foram surpreendentes por terem colocado, pela primeira vez, o Brasil no pódio da canoagem.

Demonstrando o espírito competitivo e vencedor que guiou a sua carreira, neste ano ele ainda pode e almeja igualar outro feito: ser um dos maiores atletas olímpicos do Brasil, alcançando a atual marca de cinco medalhas dos velejadores Robert Scheidt e Torben Grael (isso se Scheidt não conquistar mais uma em Tóquio).

“Minha meta sempre foi esta [ser o maior atleta brasileiro olímpico da história]. Meus treinos sempre foram muito duros de 2016 para cá. [...] Eu venho para Tóquio com este objetivo e acredito que todo brasileiro deseja que eu esteja no lugar mais alto do pódio, pegando a medalha de ouro. Eu quero muito finalizar os Jogos com esta cena. Meu objetivo é este, ganhar as duas medalhas olímpicas agora, e ter mais títulos para conquistar. Eu não penso em sair daqui sem duas medalhas no pescoço. Posso estar sendo ganancioso, mas treinei muito para isto e eu não quero sair daqui sem este objetivo.”

Depois disso, Isaquias Queiroz já tem planos ambiciosos para Paris-2024. O projeto é conquistar mais duas medalhas daqui a três anos, chegar a sete e se tornar o recordista isolado. “Eu acredito que eu posso chegar mais longe ainda. Não que eu esteja velho com 27 anos, mas a canoa exige bastante do corpo, é muito desgastante. Passando Tóquio, é tentar chegar a sete medalhas olímpicas, que é um feito inédito. Estou batalhando para me tornar um dos maiores atletas olímpicos do Brasil. Isso não é impossível, depende só de mim”.

O pedido de Jesús Morlán já está realizado e se depender da força de vontade de Isaquias, o barco azul será tão veloz quanto um carro de F-1.

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