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Tocha chega à Bahia e faz sul do estado viver 'micareta'

Vitor Villar* l De Porto Seguro
Por Vitor Villar* l De Porto Seguro
| Atualizada em
Irmã Cristina participa do 'Carnaval da Tocha' na cidade de Teixeira de Freitas
Irmã Cristina participa do 'Carnaval da Tocha' na cidade de Teixeira de Freitas - Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

A tradicional festa de aniversário de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, que aconteceria no último dia 9, foi mudada pela prefeitura para esta quinta-feira, 19, por um motivo nobre: a passagem da Chama Olímpica pela cidade, a primeira no Estado a receber o tour do símbolo máximo dos Jogos.

O adiamento da festa deixou parte da população desconfiada: estaria o tour olímpico à altura da celebração? Até por conta disso, os teixeirenses decidiram extravasar nesta quinta, e transformaram a passagem da Tocha em uma micareta.

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O resultado foi um verdadeiro arrastão no meio da rua. As pessoas se empurravam atrás do caminhão que comandava o comboio olímpico, o que fazia tudo realmente lembrar um Carnaval fora de época.

O ponto alto disso foi que, não só em Teixeira de Freitas como nas outras cidades que a Chama visitou nesta quinta - Itamaraju, Arraial D'Ajuda, Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro -, todo mundo podia chegar bem perto do símbolo. Alguns, mais atrevidos, até tentavam tocar ou tirar selfies com a Tocha.

Coube iniciar a festa a quem nem é tão intimo do Carnaval. José Braz D'Ávila, consultor de vendas de 52 anos, foi o primeiro a conduzir a Tocha na Bahia. Morador de Vitória (ES) e natural de lá, ele conta que não tem qualquer ligação com o estado notório por suas celebrações de rua.

D'Ávila havia feito seleção para conduzir a Tocha no Espírito Santo, mas acabou remanejado para Teixeira de Feitas. "Não sabia de nada. Acabei sabendo que seria o primeiro da Bahia somente quando cheguei aqui", explicou.

Tal qual uma festa sagrada e profana, coube a uma freira encerrar o Carnaval em Teixeira de Freitas. Irmã Cristina, de 67 anos, é moradora símbolo, e dirige um colégio e uma faculdade na cidade. "Emoção enorme representar meu povo e minha congregação", disse ao receber a Tocha Olímpica.

Imagem ilustrativa da imagem Tocha chega à Bahia e faz sul do estado viver 'micareta'
Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDERaul Spinassé | Ag. A TARDE

Aelson Fernandes, da etnia Pataxó, conduz a Tocha em Cabrália

Costa do Descobrimento

Após Teixeira, a Tocha passou por Itamaraju no final da manhã e por Arraial D'Ajuda no começo da tarde. Depois, foi para Santa Cruz Cabrália, na Costa do Descobrimento. Lá, o revezamento foi iniciado na Cidade Histórica.

Em Cabrália, o tour da Tocha acabou nas mãos de dois representantes da etnia pataxó, símbolos da resistência cultural do seu povo na região. Eles foram os primeiros indígenas a carregar a Chama em território baiano.

Luena Ferreira, representante da comunidade de pescadores pataxós da cidade, foi escolhida entre muitas pessoas pela Nissan, uma das patrocinadoras da Olimpíada. "Acho que eles me escolheram pela minha história de resistência cultural. É mais um testemunho que levo para o meu povo a partir de agora", comemorou.

Já Aelson Fernandes foi campeão nacional de arremesso de takape nos Jogos Indígenas em 2007, e luta pela resistência da cultura esportiva do seu povo. Coube a ele levar a Tocha até um palco na praça principal de Cabrália, onde fez uma dança tradicional.

O trecho do tour desta quinta terminou numa das cidades mais festeiras da Bahia, Porto Seguro, em plena Passarela do Descobrimento.

*A viagem do A TARDE é uma parceria com a Nissan, patrocinadora oficial da Rio-2016 e do revezamento da tocha

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