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Ouro no Pan, Joice Silva prestigia Mundial de Luta Olímpica

Aurélio Lima
Por Aurélio Lima
Joice conhece a praia de Ipitanga, onde exibe a sua medalha
Joice conhece a praia de Ipitanga, onde exibe a sua medalha - Foto: Marcelo Reis l Setre l Divulgação

Transformar uma luta desfavorável em vitória é marca registrada da carioca Joice Silva, de 32 anos, que veio nesta sexta-feira, 7, a Salvador para a coletiva de apresentação do Mundial de Luta Livre Júnior. A partir de terça-feira, 11, o torneio reunirá 600 atletas de 59 países no Centro Pan-americano de Judô (CPJ), em Lauro de Freitas.

O número de participantes poderá crescer, já que as inscrições permanecerão abertas até um dia antes de o evento começar. Joice integrou a mesa formada por Álvaro Gomes, titular da Secretária do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), e dirigentes da Confederação Brasileira de Wrestling (CBW).

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Medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de Toronto, na categoria até 58kg, a lutadora contou não ter sido no Pan a primeira vez em que virou um placar no qual começou perdendo feio. A vaga para Toronto, ela conquistou justamente com uma virada sobre a colombiana Sandra Roa.

Ambas se enfrentavam no Pan-americano de Luta Olímpica, em abril, no Chile. Joice começou vencendo por 3 a 1 e acabou sofrendo uma virada da rival para 6 a 3. Mas reagiu e fez 7 a 6, ficando com o ouro e a vaga para Toronto.

"Eu não perco a concentração. Acredito o tempo todo e nunca desisto", afirmou a lutadora, que não participará do Mundial por pertencer à categoria sênior, mas espera que a competição, pela primeira vez realizada na América do Sul, atraia novos talentos para o esporte.

"Eu fico preocupado quando ela começa na frente, prefiro ela saindo atrás no placar porque vai buscar", brincou o presidente da CBW, Pedro Gama Filho, lembrando a virada de Joice que valeu a primeira medalha de ouro feminina em jogos pan-americanos.

A conquista foi no mês passado, na categoria até 58kg. Após Joice estar perdendo por 5 a 0, conseguiu a virada espetacular para 6 a 5 contra a cubana Yakelin Estornell, que a brasileira espera rever nos Jogos Olímpicos de 2016.

Famosas

"Acabei ficando famosa e minha mãe também. Quando voltei a Jacarepaguá, onde moro no Rio, vizinhos e amigos foram me saudar pela medalha de ouro", contou Joice, que pertence a uma família de classe média e perdeu o pai aos 16 anos, quando ainda ia com ele para treinar jiu-jtsu.

"Entrei tarde na luta, já aos 19 anos. Fui participar de um projeto social no bairro de Quintino. Antes, já tinha jogado também futebol", contou.

Com 25 atletas na delegação, o Brasil tem oito amazonenses, estado com maior representação. "As prefeituras do Amazonas estão dando apoio e centros de treinamento, revelando atletas nas categorias de base", explicou Roberto Leitão, da CBW.

Já Pedro Gama explicou a razão de haver quatro cubanos, um búlgaro e apenas um brasileiro treinando o Brasil. "Há uma grande lacuna técnicos locais. Nossa ideia é aproveitar os estrangeiros para treinar os daqui", disse Gama.

Segundo o secretário Alvaro Gomes, os recursos para o evento foram em maior parte do Ministério do Esporte. "O investimento foi de R$ 3.700 milhões. A Bahia entrou com R$ 450 mil", afirmou.

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