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Para Dorival Junior, 'técnico de futebol é gestor de problemas na essência'

Publicado domingo, 18 de novembro de 2018 às 06:00 h | Atualizado em 19/11/2021, 09:25 | Autor: Gonçalo Junior | Estadão Conteúdo
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Responsável por dar estabilidade ao Flamengo no Campeonato Brasileiro após altos e baixos com Maurício Barbieri, Dorival Junior colocou dois medalhões na reserva: Diego Ribas e Diego Alves. "Técnico de futebol é um gestor de problemas", disse o treinador de 56 anos, que já havia enfrentado momentos de tensão com Paulo Henrique Ganso e Neymar ao longo da carreira. Com contrato até o final do ano, ele cobra reconhecimento aos técnicos mais experientes. "No Brasil, temos a mania muito feia de tachar os profissionais".

Quais problemas identificou quando assumiu o Flamengo?

O principal é você trabalhar em cima das qualidades de sua equipe. Problemas são naturais, um detalhe ou outro você arruma. O principal é fortalecer o que você tem de bom. Foi isso que tentamos fazer. Aprimoramos - e muito - as infiltrações, as triangulações pelos lados, as penetrações para aproveitar o que de melhor nossos atletas possuem. Isso começou a gerar resultados.

A derrota para o Botafogo encerrou uma sequência de boas partidas e afastou o time da luta pelo título. E agora?

Estamos preocupados em fazer a nossa parte, que é o principal. A equipe vinha jogando grandes jogos, isso é importante. A derrota para o Botafogo esteve muito aquém do que vínhamos produzindo. Foi uma derrota que marcou muito, machucou, mas que mostramos poder de recuperação.

Por que decidiu colocar Diego Alves e Diego Ribas no banco?

Quando eu cheguei, o time fez grandes jogos e, infelizmente, os dois estavam fora da equipe naquele momento. Tive de tomar uma decisão. Não é fácil. Para mim, o Diego Ribas é um grande jogador, um dos grandes do Brasileiro. Ele tem muitas qualidades. É natural que a equipe tenha encontrado um caminho. Com relação à outra situação, é um assunto interno. Estamos tentando fazer o melhor pelo Flamengo.

Curiosamente, você já viveu momentos de tensão com outros jogadores. Hoje, como você avalia a atitude do Ganso que se recusou a ser substituído na final do Paulista de 2010? E como avalia o episódio em que o Neymar reclamou por não ter batido um pênalti pelo Santos em uma partida diante do Atlético Goianiense?

São situações que foram vivenciadas lá atrás e já foram resolvidas. Os dois são grandes amigos e grandes jogadores. A figura do treinador é um gerenciador de problemas na essência. Um gestor de problemas. Em um clube de futebol, você tem problemas a todo momento. Todos os dias. Por isso, procuramos soluções para que nada aconteça. Essas duas situações foram bem resolvidas.

O contexto político atrapalha o futebol do Flamengo?

De maneira nenhuma. Isso não representa problema algum. Eles ficam alheios a toda participação. Posição e oposição têm nos respeitado. Os jogadores estão preocupados em fazer o melhor pelo clube.

O Flamengo vem investindo nos últimos anos, mas não conseguiu títulos de expressão. Isso representa pressão ao treinador?

Não, não é uma pressão. É um momento que todo clube tem de passar. Outras equipes que fizeram investimentos em um nível como o do Flamengo também vivenciaram situações como essa. O importante é que o Flamengo está mais do que preparado para grandes conquistas. Pelo desenvolvimento do trabalho, pelas mudanças do clube ao longo dos anos e a qualidade que encontramos no elenco, as coisas vão acontecer.

Que atividades você desenvolveu desde sua saída do São Paulo até a chegada do Flamengo?

Procuro sempre o maior número de jogos possível, buscando conhecimento e me atualizando taticamente, tentando melhorar o poder de observação. Fiz leituras de modo geral. Assisti a todos os jogos da Copa.

Como avalia a aposta dos clubes em técnicos experientes depois de um movimento de renovação, com a contratação de jovens?

No Brasil, temos a mania muito feia de tachar os profissionais em todas as áreas. Com o treinador, acontece da mesma maneira. Temos de reconhecer os grandes treinadores que tivemos até agora e que abriram caminho para que uma nova geração chegasse, com uma abertura muito maior e um nível de conhecimento ainda melhor. Isso tudo tem de ser valorizado e reconhecido. Esses garotos que estão vindo são promissores. Assim como houve descarte, num primeiro momento, dos treinadores experientes, não podemos cair no mesmo erro e fazer o mesmo com os mais jovens.

Você já faz planos para 2019?

Meu contrato é até 31 de dezembro. Vou fazer tudo de coração até lá. Não tenho o direito de pensar em outra situação que não seja o próximo jogo. Essa é minha intenção. Não tenho esse direito, tenho de respeitar o que foi determinado.

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