Pétanque: esporte popular na França ganha adeptos na Bahia

Publicado segunda-feira, 22 de março de 2021 às 06:04 h | Atualizado em 21/03/2021, 13:12 | Autor: Douglas Santana*

Você já ouviu falar sobre um esporte chamado petanca (em francês: pétanque)? Pois então, caso ainda não conheça, o A TARDE vai te apresentar. É uma modalidade bastante popular na França, muito praticada na época das férias e que vem ganhando adeptos no Brasil nos últimos anos, principalmente, na Bahia, terra onde se misturam diversas culturas.

O pétanque lembra um jogo bem popular entre a garotada: bola de gude. O objetivo é ficar em um círculo desenhado no chão e lançar bolas ocas de metal o mais próximas possível de uma pequena bola de madeira chamada cochonnet (apelidada de “leitão”). Ela, às vezes, também é chamada de bouchon (“rolha”) ou le petit (“o pequeno”).

Só um time ganha pontos por rodada e os times jogam quantas rodadas quiserem para chegar aos 13 pontos. O primeiro time que atingir os 13 pontos vence. Geralmente, é praticado em lugares que tenham terra, cascalho ou areia compactada.

Inclusive, o Comitê Olímpico Internacional (COI) recebeu um pedido para que a petanca seja incluída como esporte nos Jogos Olímpicos de 2024, que serão realizados justamente na França, onde o jogo nasceu.

Em Salvador, no mês de janeiro, houve o primeiro Torneio de Pétanque da cidade, que foi realizado na praça da Av. Centenário. O evento foi organizado pelo grupo Bahia P-TANK, que reúne franceses e baianos adeptos da modalidade.

O comerciante francês Philippe Lebiannic, que há 20 anos radicou-se em Salvador, é um dos componentes deste grupo e como surgiu o Bahia P-TANK, há 5 anos. “Nasceu no fim de 2016. Eu já tinha algumas bolas guardadas em casa, quando durante a visita de um amigo de infância, com quem jogava bastante no sul da França durante a década de 70, decidirmos colocá-las em atividade. De 2 jogadores, passamos rapidamente para 4, para 6 e no início de 2017 o grupo se formou com mais jogadores", recorda-se.

"Um deles é Gérard Laffuste, apaixonado pelo pétanque desde pequeno, igual a mim. Gérard já jogava pétanque bem antes em Imbassaí, onde morava. Então o Pétanque estava sempre na Bahia, ainda de forma dormente, precisando de um impulso para despertá-la. O pétanque faz parte da nossa cultura, da nossa infância e é uma diversão, um jogo para a família e também um esporte”, completa Philippe.

Gérard Laffuste é outro francês e também baiano apaixonado pelo Pétanque. Ele e sua esposa são coreógrafos. Chegaram na nossa terra em 1992 para praticar dança no Brasil. Alguns anos depois, decidiram ir morar em Imbassaí, em Mata de São João.

“Percebi que os nativos de lá (moradores de Imbassaí) estavam bem felizes por conhecer esse esporte, então cada vez que eu ia e voltava da França, eu trazia mais bolas de pétanque. Em 2000, realizamos o primeiro torneio de pétanque de Imbassaí, só com os nativos, já que eu era o único francês que estava lá. [...] Infelizmente, depois de um projeto de reurbanização, colocaram uns paralelepípedos na praça e deixou a prática do esporte muito difícil, já que não tínhamos um lugar adequado”, revela Gérard ao lembrar de quando apresentou a modalidade aos moradores do Litoral Norte.

Após ficar sem opção para praticar o petanque em Imbassaí e também por necessidade familiar, já que sua filha estava prestes a nascer, Gérard foi morar em Salvador e acabou conhecendo o grupo Bahia P-TANK. “Há três anos atrás, eu descobri que tinha um francês jogando pétanque, era o Philippe e depois conheci mais outros colegas. Então, entrei no grupo e, desde então, estou jogando pétanque com eles”, conclui.

Imagem ilustrativa da imagem Pétanque: esporte popular na França ganha adeptos na Bahia
Prática é muito semelhante à bocha, mas com uso de bolas de aço

Criação da Arena no CAJ

Valdir Lisboa é baiano e é outro componente do Bahia P-TANK que acabou conhecendo os franceses do grupo, quando eles jogavam suas partidas de pétanque na Praça Ana Lúcia Magalhães (antes da reforma).

“Eu conheci os franceses jogando na Pituba. Ali, no sol a pino, onde agora estão as piscinas ou na sombra das amendoeiras no terminal de Ônibus perto da Praça Ana Lúcia Magalhães. Depois, jogamos no estacionamento do Condomínio Costa Verde, num terreno de barro e ainda no canteiro central da Av. Centenário. Ou seja, vivíamos como nômades", recorda-se.

"Aqui no CAJ, onde temos uma cantina, eu jogava com familiares meus e vizinhos, inclusive com alguns pré-adolescentes curiosos. Então, surgiu a ideia da quadra, que começou em 2018 e foi concluída em 2019. Hoje somos mais de 10 donos de bolas de pétanque. Quem adere ao esporte gosta logo de ter ao menos suas três bolas”, completa Valdir.

O CAJ que ele se refere, é o condomínio onde mora e está localizada a quadra. A turma joga pétanque todos os dias, religiosamente das 17h às 20h. E nesse período de pandemia, as partidas têm servido como uma terapia para se distrair e esquecer um pouco do momento pesado, além de ter muita brincadeira com quem perde as partidas.

“Agora com a pandemia tem sido uma terapia diária no CAJ com direito a uma gozação. Quando perdem uma partida por 13x0, sem o adversário marcar um só ponto é um sofrimento! Os franceses falam: ‘levou uma Fanny’ e tomam uns goles pra refrescar que podem ser de água ou cerveja. Os franceses preferem uma bebida Livor à base de Anis, lá na França o fabricante Ricard é patrocinador de torneios de pétanque, em Marseille”, destaca o orgulhoso jogador.

Imagem ilustrativa da imagem Pétanque: esporte popular na França ganha adeptos na Bahia
Na Bahia tem um grupo de baianos e franceses que amam a modalidade

Apelo por local público

O grupo de praticantes de pétanque aqui em Salvador faz também um apelo às autoridades responsáveis, pois a capital baiana ainda não possui uma quadra pública para prática do esporte, o que facilitaria mais ainda o seu crescimento na nossa região.

“Quem sabe um dia possamos ter o interesse da Secretaria de Esportes da Prefeitura Municipal de Salvador em incluir quadras de pétanque em nossas praças arborizadas. Nós petanqueiros brasileiros, franceses, italianos, espanhóis, alemães e americanos aqui residentes amaríamos ter um ou mais lugares apropriados”, finaliza Valdir Lisboa.

*Sob a supervisão dos editores Léo Santana e Nelson Luis

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