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Polícia identifica cambistas e apreende 712 ingressos para a Olimpíada

Clarissa Thomé | Estadão Conteúdo

Por Clarissa Thomé | Estadão Conteúdo

05/04/2016 - 18:30 h | Atualizada em 19/11/2021 - 7:26

A Polícia Civil apreendeu nesta terça-feira 712 ingressos para os Jogos Olímpicos do Rio, que estavam sendo negociados por cambistas nas redes sociais. Dez perfis no Facebook ofereciam os bilhetes a até três vezes o valor de tabela. Como as entradas ainda não foram impressas, a Delegacia do Consumidor pediu ao Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos que fossem bloqueadas. A medida foi autorizada pela Justiça. Parte delas já havia sido comprada por internautas.

O delegado Gilberto Ribeiro, titular da Decon, explicou que o Comitê Rio 2016 vem monitorando a venda de ingressos pelas redes sociais e encaminhou para a delegacia dez perfis; nove são de São Paulo e um do Rio de Janeiro. "O que surpreendeu é que essas pessoas que estavam usando as redes de relacionamento para negociar ingressos o faziam a partir de seus perfis verdadeiros. E são preços muito superiores ao estabelecido pelo comitê", afirmou Ribeiro.

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Pelo sistema de compras oficial, o interessado em assistir à Olimpíada adquire o ingresso do Comitê e recebe um voucher. Os bilhetes só serão entregues a partir de maio. "Ninguém tem ingresso nas mãos, mas um voucher que diz que ele é dono dos ingressos. Estão vendendo ingressos que ainda não receberam. Isso facilitou a apreensão, porque pudemos bloquear ainda no comitê. Por enquanto, essas dez pessoas vão responder pelo crime de cambismo, com pena de um a dois anos de reclusão. Elas serão notificadas do bloqueio dos ingressos. Se elas continuarem negociando os bilhetes, aí serão enquadradas também por estelionato", afirmou Ribeiro.

Os dez perfis ainda estão ativos no Facebook. Os nomes dos cambistas não foram divulgados. Depois de serem notificados, os acusados serão interrogados - os nove de São Paulo serão ouvidos por carta precatória. "Eles não agiam como quadrilha. Cada um comprou uma certa quantidade e passou a negociar pelo Facebook. Teve um que comprou 120 ingressos, outro comprou 90, um terceiro, 70. Ocasionalmente eles se comunicavam pelas redes sociais."

De acordo com o delegado, o monitoramento mostrou que parte desses ingressos já está vendida. "Um dia ele postava que tinha quatro ingressos para a final de determinada modalidade. Alguns dias depois, repetia o anúncio, mas com apenas dois ingressos", explicou. As pessoas que compraram esses bilhetes ficaram no prejuízo. "A recomendação é para que não comprem nada pelo paralelo. Toda compra no paralelo envolve risco, mesmo aquelas pelo valor real. Melhor procurar o Comitê Rio 2016 e se cadastrar", recomendou o delegado.

Quem comprou ingressos e desistiu de ir às partidas pode colocá-los à venda pelo mesmo preço no próprio site do Rio-2016.

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