Projeto Social de Arco e Flecha faz sucesso na periferia de Salvador

Atletas da iniciativa já sonham com participação em Jogos Olímpicos

Publicado segunda-feira, 18 de julho de 2022 às 06:00 h | Atualizado em 18/07/2022, 01:09 | Autor: William Falcão*
Projeto tem tirado muitos jovens da criminalidade
Projeto tem tirado muitos jovens da criminalidade -

Você sabia que em Salvador existe um projeto social de Arco e Flecha que tem tirado muitos jovens do mundo da criminalidade? A Escola de Arquearia Zeferina, que fica localizada no bairro de Pirajá e faz parte do projeto Trilha das Flores, tem contribuído para a transformação social de várias comunidades.

“É um projeto em parceria com a Federação Baiana de Arco e Flecha, onde a federação nos abraça proporcionando esse ambiente de prática, com instrutores formados e qualificados. A missão é tirar a juventude desse movimento de ociosidade, tirar da vulnerabilidade e trazer uma nova perspectiva”, afirma Glauber Machado, que é o coordenador do projeto, em entrevista ao MASSA!.

Quando o projeto iniciou, todos os alunos eram do próprio bairro, mas com o passar do tempo atletas de outros locais como Cajazeiras, Pituba, Liberdade e até da cidade de Lauro de Freitas abraçaram a iniciativa. “Hoje a gente tem atleta espalhado nos quatro cantos de Salvador”, vibra.

O esporte conquistou o coração da Dona Berenice Cruz, que é aluna do projeto social e mãe de dois atletas que já são medalhistas. “É muito interessante, muito bom, para tirar as pessoas e principalmente os jovens das drogas”, destaca a mamãe praticante do esporte.

O Arco e Flecha faz parte dos Jogos Olímpicos desde 1972 e o Brasil nunca conquistou uma medalha na modalidade, em 7 participações com 12 atletas diferentes. Por isso, Glauber já vislumbra e sonha alto que, nas Olimpíadas de 2028, os atletas da Trilha das Flores representem o país e subam ao pódio. 

“A gente já pensa no plano de Los Angeles. Então, a gente já está trabalhando nesse objetivo”, projeta o coordenador. 

Mas, em uma realidade ainda bem distante dos Jogos Olímpicos, o professor sabe que as dificuldades são grandes para alçar voos ainda maiores até aqui mais perto. “A gente tem grande vontade de levar esses meninos para campeonatos de nível regional, como em Fortaleza, que já fomos convidados. Mas batemos naquela tecla do estímulo do apoio. A Trilha das Flores está buscando parceiros dentro da comunidade e também os empresários soteropolitanos que queiram apoiar nossos atletas”, lembra.

Desempenho no Torneio Maria Quitéria

No último fim de semana, a Escola Zeferina participou do Torneio Maria Quitéria e o resultado foi melhor que o esperado. Na categoria instintivo, o projeto carimbou as três medalhas no peito, incluindo do estreante na competição, o jovem Valnei Farias que ficou com o bronze. Em todas as categorias, foram cinco medalhas e o novo recorde do Trilha das Flores na disputa.

“É uma pessoa que a gente pegou pro projeto para tirar do mau caminho, abraçamos ele, ele tá focado e tem dois meses. Conseguiu o que poucos conseguem, em uma séria de cinco tiros, tirar a nota máxima. Ele levantou o público”, vibra o instrutor Anderson Nascimento sobre o desempenho do jovem Valnei.

E Valnei reconhece que o esporte vem tendo grande importância na sua vida, independente de medalhas conquistadas. “Apesar do pouco tempo, eu até mudei. Depois de eu estar aqui participando do Arco e Flecha. O esporte mudou muito a minha vida”, destaca o atleta.

Já Francineide Nascimento, que é recém-formada instrutora do projeto social, ainda se recorda da preparação para o evento, muito orgulhosa. “Fizemos os treinos aqui e tivemos atletas com desempenho muito bom”, comemora.

Sonhos e gratidão

Os atletas abraçam o discurso do coordenador e dos instrutores do projeto, mesmo sabendo dos caminhos que têm a percorrer. Por isso, a jovem Gabriele Conceição, de apenas 11 anos, não esconde seu desejo de vencer desde pequena. “Foi o esporte que eu mais gostei de praticar. Meu maior sonho é disputar as Olímpiadas e ganhar medalha, qualquer uma, mas que eu ganhe e fique gravada na história”, vislumbra a jovem, que conta com o apoio da sua mãe, Elizilda de Jesus. “Muito orgulhosa por minha filha ter feito 11 anos na semana passada e já ser medalhista.”

Para Gabriel Castro, não é diferente. O garoto não esconde seu desejo de também brilhar pelo mundo. “É um esporte muito importante para a comunidade e meu maior sonho é ir disputar uma competição internacional”, projeta.

Já para outros atletas, como Maruke Alves, o Arco e Flecha é mais do que uma competição para subir ao pódio. “Arco e Flecha é terapia, é empatia, é equilíbrio, é saúde mental. Isso aqui pra mim é uma terapia”, agradece.

Para ajudar nas compras de materiais para os atletas, a Escola de Arquearia Zeferina disponibilizou a chave PIX: [email protected] Os treinos acontecem às terças e quintas-feiras das 14h às 16h e também ao sábado das 8h às 12h, no Parque São Bartolomeu, em Pirajá.

*Sob a supervisão do editor Léo Santana

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