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René diz que boas atuações fazem time pensar alto

Paulo Simões
Por Paulo Simões

No bom-humor, não dá para não associar René Simões ao inspetor francês Jacques Closeau, interpretado na telona pelo ator inglês Peter Sellers, no seriado “A Pantera-cor-de-rosa”. O bigode não nega.

Da mesma forma que Closeau, René é proprietário de um carisma que emudece os ouvintes. Seu discurso é cativante; o vocabulário, farto. Convence fácil com suas teorias baseadas na metodologia. Mas de atrapalhado nada tem.

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No Bahia, René faz a festa nas coletivas. Suas mensagens não acomodam lugares-comuns. Há sempre embalagem nova para um conteúdo surrado.

No trato com jogadores, René é o mestre da autoajuda. Mas não é só por sentimentalismo. O treinador comanda um time com alguns de jogadores de gênio forte, uma bomba de pavio curto socada nos temperamentos de Ávine, Carlos Alberto, Ricardinho e Jobson, entre outros. Sabe como tratar iguais de forma diferentes.

Até aqui tudo vai dando certo. O Bahia segue desmentindo quem o apontava favorito ao rebaixamento. Se não há triunfos em casa, pelo menos o time já foi vedete nas vitórias contra Fluminense e Atlético do Paraná no domicílio deles e vai arrancando palmas dos descrentes.

René, que balanço você faz do aproveitamento do Bahia até aqui?
Nós temos aí o jogo contra o América-MG e eu vou ter muito cuidado ao falar. Quando o Vanderlei (Luxemburgo) falou que a campanha do Flamengo estava boa, mas o problema eram os pontos do Bahia (o jogo terminou empatado em 3 a 3) muita gente ficou sentida. Eles estavam ganhando e permitiram o empate no finalzinho. Foi esse o comentário, não foi desmerecendo. Eu também não vou desmerecer o América. Mas pelo primeiro tempo, com as oportunidades que nós tivemos, poderíamos ter ganho aquele jogo. Se estivéssemos ganho estaria tudo absolutamente normal. Perder para o Grêmio, no Olímpico, é a tendência mais provável. Perder para o Corinthians não é coisa absurda. Acho que o que nos falta são esses três pontos, daquela derrota na estreia em Sete Lagoas, por 2 a 1.

Então a pontuação do Bahia até a sétima rodada é aceitável na sua opinião?
Dentro da normalidade para um time que ficou sete anos fora da Primeira Divisão. Um time que todo mundo tinha medo que, a esta altura, estivesse como o América de Natal em 2009 (Nota da redação: foi em 2007), se não me engano, quase rebaixado... Então se olha a pontuação de alguns clubes, com sete rodadas, um ponto, dois pontos e a gente está com oito pontos lá, então estamos caminhando bem.

Mas tem gente reclamando...
É que o time vem jogando tão bem que está todo mundo pensando alto. E faz bem. Mas eu acho que está tudo dentro da normalidade.

Como vê a produção de jogadores como Júnior, por exemplo, que não marcou um gol em três partidas?
Não marcou, mas tem ajudado muito. Como Carlos Alberto, que ainda não fez gol, né? Mas a importância deles tem sido enorme. Diones também não fez, mas a importância dele tem sido absurda. É óbvio e eu tenho conversado com Junior: centroavante todo mundo espera que faça gols e daqui a pouco vão cobrar dele. Mas ele tem feito partidas exuberantes. Posicionamento tático, a movimentação e a entrega dele têm sido muito boas. Daqui a pouco vai entrar. Aquela defesa de Julio Cesar (goleiro do Corinthians). Julio Cesar foi o craque da rodada...

Contra o Avaí, quarta, em Floripa, novamente você muda o time. E aí?
As mudanças agora são teoricamente positivas. Retorno é sempre bom. Vamos ganhar agora o entrosamento que a equipe tinha. Ganhamos tempo com esta parada. Seria melhor que fosse aqui. Poderíamos ganhar um pouquinho mais de tempo. Mas tudo bem. Não podemos reclamar, não.

O final de semana sem jogo veio na hora certa?
Foi excelente para recuperar alguns jogadores como Marcone e Ávine (que estava com dores nos joelhos e conjuntivite) e para treinarmos taticamente.

E os jogos em casa sem triunfos, como vê?
Não tivemos uma partida dentro de casa que você diga que jogamos mal e merecíamos perder. Contra Flamengo e Atlético-MG, jogamos bem, mas não fizemos tudo certo. Se tivéssemos feito tudo certo, teríamos ganho. Mas de uma coisa senti falta: uma bola atrás da zaga do Corinthians.

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