ESPORTES
Ruy Accioly diz que está legal no Bahia

Política, nada mais que política. É assim que presidente interino do Bahia, Ruy Accioly, interpreta as acusações do torcedor Ivan Carvalho, da Associação Bahia Livre, dando conta de sua irregularidade no cargo.
“Este senhor está querendo a Justiça contra a diretoria do clube. Ele tenta nos enfraquecer. Pratica a filosofia de que tanto pior melhor. Ele quer que a juíza fique com raiva da gente”, sentenciou o dirigente.
Accioly foi empossado na presidência do Bahia S/A pelo seu Conselho Administrativo no lugar de Petrônio Barradas, afastado pela juíza Aidê Ouais, atendendo pedido do Ministério Público Estadual.
O MPE considera o clube co-responsável pela tragédia ocorrida na Fonte Nova, no dia 25 de novembro, quando morreram sete torcedores enquanto Bahia e Vila Nova (GO) empatavam pepelo placar de 0 a 0.
Segundo Ivan, a Justiça destituiu toda a diretoria do Bahia S/A e Acciolly é um de seus membros, inclusive recebendo salário. “Não é verdade”, rebate Accioly,. “Sou vice-presidente de futebol do Esporte Clube Bahia e não do Bahia S/A”.
Nesse ponto começa a confusão. O Esporte Clube Bahia, que unido ao Banco Opportunity criou o Bahia S/A, desse marco em diante se desligou do Departamento de Futebol, que ficou na competência exclusiva da sociedade anônima.
“Nem tampouco recebo salário. É bom que isso fique bem claro” reforça Accioly, indicando ser apenas um colaborador da presidência quando trata de contratações e viaja com a delegação com status de chefia desde julho.
Antes, essa função era exercida por Renato Brás, hoje no Vitória. Até então, Accioly tratava dos esportes olímpicos praticados no clube e sediados na sede de praia, na Boca do Rio.
Calma – Accioly acusa Ivan Carvalho de ser um opositor que nem conselheiro é. “Para ele, tanto faz que o Bahia desça para quarta ou quinta divisão. Vale tudo para enfraquecer nosso grupo”.
Segundo o dirigente, sua permanência no cargo será efêmera, uma espécie de formalidade enquanto a advogada Tâmara Medida tenta anular a destituição de Petrônio, o que já foi ajuizado ao plantonista do Fórum Ruy Barbosa, devido ao recesso forense.
Por isso, ele não quis falar de providências que tomará caso o impedimento do titular permaneça por mais tempo. Com relação à tragédia, Acciolly acha que o clube divide a responsabilidade, mas não tem a culpa.
Segundo ele, além de tentar cassar a liminar que destituiu também o diretor Marco Costa, o Bahia recorreu à Justiça Desportiva tentando diminuir a perda de sete mandos na Série B, punição sofrida por conta da invasão de campo da torcida no jogo da tragédia.
Estatutos – Também presidente do Conselho Deliberativo, Accioly se diz favorável à alteração dos estatutos do clube para a eleição direta a presidente.
Mas não acredita que a mudança resolva os problemas do clube. Ele considera normal que esse processo de mudança iniciado no Bahia esteja parado ”por ser complicado“.
Com relação à morte do meia Cléber, que não resistiu a um terceiro derrame no Hospital Espanhol, Accioly contou que a assistência foi custeada pelo clube e pela Previdência.
Informou que o Bahia bancou as passagens de volta dos parentes à Nova Hamburgo (RS) e quitou os salários pendentes do jogador. ”Pode haver algum prêmio atrasado“.
Pé de gelo – Accioly entrou no Bahia em 1995. Foi diretor de futebol na administração do falecido presidente Francisco Pernet. Deu um tempo e retornou na gestão de Antônio Pithon, ocupando a vice-presidência de futebol, em 1997. Em 1998 esteve com Marcelo Guimarães, ano que o Opportunity entrou na vida do tricolor.
Considerado pé-frio por adversários, Acciolly se defende: ”Sou campeão da Copa Renner vencendo o Sport, em Recife, torneio que teve também Cerro Portenho (PAR) e Nacional (URU), em 1997; campeão baiano de 1998, o único que o Bahia ganhou dentro do Barradão; da Taça Maria Quitéria, em 1998, e me considero campeão da Série C, pois acabamos com mais pontos que o Bragantino, além de 50 títulos amadores".