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Salvador sedia Meeting Paralímpico e visa fomentar o esporte no estado

Competições ocorrem neste sábado, na Piscina Olímpica da Bahia

Publicado sexta-feira, 15 de março de 2024 às 16:42 h | Atualizado em 15/03/2024, 18:29 | Autor: Beatriz Amorim
Marcos Paulo, à esquerda, paratleta da natação
Marcos Paulo, à esquerda, paratleta da natação -

Salvador sedia neste final de semana o Meeting Paralímpico Brasileiro, que já desembarcou para as competições que ocorrem neste sábado na Piscina olímpica da Bahia e na Vila Militar da Bahia. A disputa conta com o apoio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), e da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e do  Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Nesta sexta-feira, 15,o Portal A TARDE se fez presente na piscina olímpica da Bahia e conversou com a equipe responsável por esse evento, entre eles Virgílio Leiro, representante do CPB e Wilton Brandão, diretor de fomento de esportes da Sudesb, além, principalmente, dos atletas que são favorecidos com essa inclusão. 

Marcos Paulo, de 23 anos, irá competir neste sábado e iniciou a sua história com a natação há quatro anos, através da Fundação José Silveira, de Jequié, que é um Centro de habilitação esportiva, que tem como proposta a formação de paratletas. Com osteogênese imperfeita, o esporte passou de fisioterapia para, como disse Marcos, estilo de vida. 

“Meu primeiro contato com a natação já tem uns quatro anos, mas com a treinadora Verônica Almeida eu tenho um ano. Eu nunca tinha pensado em competir, só fazia natação devido a minha condição, a osteogênese imperfeita, e a prática ajudava na fisioterapia. Foi então que eu conheci a treinadora, que abriu essa porta para que hoje eu consiga competir (...) É incrível poder estar passando essa energia para outros paratletas e incentivar outras pessoas a praticarem o esporte, que hoje podem vê-lo de uma forma diferente, que não é só para para fisioterapia, para mobilidade, mas também como estilo de vida”, disse o nadador.

 

 

E por falar em competição, o nadador está focado em conseguir bons resultados e garantiu que nutre uma boa expectativa sobre a competição, assim como a sua técnica, Verônica Almeida, que afirmou estar honrada por receber o evento em Salvador. 

“Estou confiante e espero bons resultados. A gente fez um bom trabalho, uma boa base, a nossa técnica nos dá todo o suporte possível e por isso estou confiante para essa competição de amanhã, que dará tudo certo”, projetou Marcos. 

Além das expectativas positivas, a treinadora da equipe de natação projetou da modalidade no esporte e afirmou já sonhar com uma possível Paralimpíadas de 2028.

“É um prazer e uma honra receber o meeting paraolímpico na nossa cidade, em Salvador, e assim conseguir trazer inúmeros atletas de outros municípios e cidades vizinhas. É um peso ter uma competição chancelada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e organizada pelo centro de referência. Estamos com uma ótima expectativa, temos novos atletas chegando, seja no Campeonato escolar ou universitário, que poderá nos proporcionar mais atletas nos Jogos de 2028, em Los Angeles”, disse a treinadora. 

Apesar do aumento do número de atletas paralímpicos, a Bahia ainda corre atrás em competições voltadas para este público. Assim, Verônica, ainda em conversa com o Portal A Tarde, opinou sobre como seria a melhor forma de incentivar a prática da modalidade no estado e, consequentemente, aumentar a quantidade de PCDs no esporte. 

“ A gente vê que, realmente, o estado hoje tem uma gama grande de PCDs (pessoas com deficiência), porém, a gente precisa trabalhar essa base. Esse ano a gente tá com outro olhar, tanto que o evento está ocorrendo pela primeira vez aqui e isso é bom para as pessoas conseguirem ver, até para os próprios PCDs, que sofrem muitas vezes com falta de acessibilidade. Acho que só tende a crescer agora e o meeting foi a porta de abertura", garantiu a profissional. 

Verônica Almeida, treinadora da Fundação José Silveira
Verônica Almeida, treinadora da Fundação José Silveira |  Foto: Arquivo pessoal
  

Além do incentivo por parte do governo, Verônica também destacou a importância de ter um público que consuma a modalidade e prestigie os paratletas, que seguem a mesma rotina que qualquer outro atleta não PCD. 

“O público é quem chama o atleta. Eles querem fazer um espetáculo, mas também querem ser aplaudidos e eu acho que essa é uma oportunidade para virem, conheçam, e prestigiem, sendo o que eles querem. A gente sempre fala que o alto rendimento do paradesporto é muito igual para o convencional, treinamentos e rotina deles, atletas como qualquer outro. Então, que realmente a galera apareça para poder prestigiar essa turma toda e fazer a festa mais bonita”, finalizou a treinadora. 

Esta é uma opinião compartilhada por Wilton Brandão, diretor de Fomento ao Esporte da Sudesb, que esteve presente na piscina olímpica nesta manhã e destacou o papel da entidade na execução do evento. 

“Esse evento é organizado e realizado pelo CPB e que abraçamos, o governo do estado através da Sudesb, com recursos técnicos e financeiros para viabilizar o meeting no entendimento de que é importante fortalecer a prática do esporte, e em especial do paradesporto. Nesta compreensão, a gente fortalece e amplia a participação das pessoas com deficiência no esporte, que é, antes de tudo, um direito do cidadão. Por isso, convidamos vocês para participarem e prestigiarem o evento, o que só fortalecerá esse segmento tão importante do esporte no estado”, disse o diretor. 

Para uma prática perfeita do esporte paralímpico, é necessário a utilização de equipamentos acessíveis para os atletas. Assim, questionado sobre essa estrutura por parte da Sudesb, Wilton garantiu que todos os atletas possuem ótimas condições. 

“Nós estamos na piscina olímpica, que tem toda a estrutura e infraestrutura para receber esses atletas: rampas, acessibilidade, escadas, elevados, tudo que vai propiciar um conforto com todas as condições para a prática do esporte”, afirmou. 

Virgílio Leiro, representante do Comitê Paralímpico Brasileiro
Virgílio Leiro, representante do Comitê Paralímpico Brasileiro |  Foto: Beatriz Amorim | Ag. A TARDE
  

Falando em prática do esporte, o representante do Comitê Paralímpico Brasileiro e chefe da delegação e coordenador-geral do Centro de Referência Paralímpico da Bahia (CRPB), Virgílio Leiro, comentou sobre a importância de trazer o meeting à Bahia e como isso pode influenciar o futuro do paradesporto no estado. 

“É um evento muito marcante para o estado da Bahia. É o primeiro, a gente vem buscando esse espaço há algum tempo e finalmente a hora chegou. Com esse evento começaremos a ter uma democratização das oportunidades, tendo várias cidades do interior representadas. Então, é um esforço muito grande, tanto do Centro de Referência, quanto da Sudesb, que está fomentando junto conosco esse evento. Assim, começamos a ter outra visibilidade no estado da Bahia, o que só reforça as políticas públicas”, garantiu o representante. 

Em continuidade, Virgílio opinou sobre a importância das políticas públicas no esporte paralímpico e qual a melhor forma de fazê-lo, visando o aumento do número de atletas baianos. 

“O grande ponto é o fomento nas escolas, que é início de tudo, as federações buscam através das suas entidades o fortalecimento dessas atividades físicas, para conseguirmos atingir um número cada vez maior. Assim, através das políticas públicas, educacionais, sociais e da saúde para poder, realmente, fazer um chamado mais amplo”, finalizou o Chefe de delegação. 

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