ESPORTES
Salvar Portuguesa muda a rotina de Vágner Benazzi

São Paulo, 28 (AE) - O gol de Alex Alves aos 44 minutos do segundo tempo contra o Sport, sábado, no Recife, mudou completamente a rotina do técnico da Portuguesa, Vágner Benazzi. Há algumas semanas, ele estava escondido no Canindé. Desde o dia seguinte à histórica vitória da Lusa por 3 a 2, passou a ser procurado pela imprensa e assediado por empresários, que lhe garantem ter boas propostas de trabalho. "Até sábado eu não conseguia dormir. Agora é só deitar que durmo, tirei algumas toneladas das costas", disse Benazzi ontem, em visita à redação do jornal "O Estado de S. Paulo".
O treinador de 52 anos trabalhou em mais de 20 clubes, mas nunca chegou a dirigir times considerados grandes. Destacou-se mais em divisões inferiores e na luta para tirar equipes do rebaixamento. Foi assim em 2004, com o Paysandu, em Belém, onde tornou-se querido pelo torcedor. Nunca, porém, festejou tanto uma campanha como agora, com a Portuguesa.
A trágica queda para a Série C parecia inevitável. Nada dava certo. Em 2006, passaram 70 jogadores e cinco técnicos pelo Canindé. Quando assumiu o comando, a 12 rodadas do fim, a Lusa estava 9 pontos atrás do primeiro time fora da zona do descenso. "O time estava muito desanimado", observou.
Assustou-se ao ver o volante Marcos Paulo fora até do banco de reservas. O atleta passou pela seleção brasileira, teve bons momentos no Cruzeiro e jogou na Europa. "Vi que ele tinha um dos maiores salários do elenco, não entendi o que acontecia e o chamei para conversar", contou. "Ele reconheceu que estava mal, que nada dava certo, mas recuperou a confiança e voltou ao time." Marcos Paulo acabou sendo um dos destaques na reta final.
Nos 12 jogos, Benazzi obteve seis vitórias, três empates e três derrotas. Para melhorar o aproveitamento da Lusa, deu enfoque principalmente à parte psicológica. Levou os funcionários mais humildes do clube para conversar com os jogadores. Promoveu palestras e copiou algumas estratégias utilizadas por treinadores que o ensinaram no passado, como Telê Santana e Cilinho. As fotos em jornais e imagens de tevê, após o jogo de sábado, o flagraram com um papel nas mãos, enquanto era abraçado pelos jogadores. "Vamos ganhar do Sport" era a frase escrita naquele papel, colocado no quarto dos jogadores nos dias que antecederam a partida. Há quem não aprove técnicas motivacionais. Benazzi, ao contrário, procura explorá-las ao máximo.
O treinador ainda vive a euforia de ter ajudado a Portuguesa a se livrar da queda. Mas alerta que, se o planejamento não for bem feito, a próxima temporada será tão difícil quanto esta. Nos últimos dias, além de participar de programas de rádio e tevê e festejar a vitória com a família - com muito churrasco -, recebeu ligações de empresários, informando-o do interesse de alguns clubes em sua contratação. Mesmo valorizado, Benazzi diz ter dúvidas sobre a conversa desses homens de negócio. "Precisamos ver o que realmente existe de proposta oficial."
A idéia é permanecer no Canindé. Mas a Lusa terá dificuldades para arrumar recursos para mantê-lo em 2007. Só com boa proposta e condições ideais de trabalho os dirigentes vão convencê-lo a dirigir a equipe na Série A-2 do Paulista.